Júlio César, com a Chave na mão, abre a Porta do Coração

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Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Incansavelmente Júlio César, velho hippie estradeiro, aluno da Universidade da Vida, leva a sua mensagem pelo Brasil a fora, transmitindo a doutrina cristã através da poesia musicada no seu Hinário A Chave

O fatigado andarilho foi se aproximando da Colônia 5 Mil. Primeiro, viu surgir as torres do templo, por entre as frondosas árvores amazônicas. Depois, se deparou com um portão, com a seguinte frase entalhada sobre ele: “Hei de vencer”. Cruzou o portal, e um senhor muito distinto lhe abriu um sorriso e disse:

— Que bom que você chegou meu filho, eu estava lhe esperando.

Era o senhor Wilson Carneiro, designado pelo Padrinho Sebastião Mota de Melo para coordenar a Colônia e os trabalhos da Igreja, enquanto ele e seu povo adentravam a floresta para fundar a Vila Céu do Mapiá.

Corria o ano de 1984, e a partir dessa data Júlio César de Oliveira se firmou neste caminho, se tornando um devotado discípulo dos ensinos do seu padrinho.

A chave para Júlio se firmar nesta comunidade veio logo na participação no primeiro feitio, quando recebeu o hino que inicia o seu hinário.

No Jardim de Belas Flores

Mora o Deus da Harmonia

O seu reino é de glória

É de amor e sabedoria

(Hino 01, O Deus da Harmonia, Hinário A Chave)

Ele tinha viajado a pé por toda a floresta amazônica, desde a tríplice fronteira onde Raimundo Irineu Serra, o Mestre Império Juramidã bebeu ayahuasca pela primeira vez, em direção a Rio Branco, capital do Estado do Acre, em busca de um líder comunitário muito comentado entre os hippies e mochileiros que faziam a peregrinação para Machu Pichu, à época.

Vinha em busca de conhecer a bebida sagrada Daime e o Padrinho Sebastião, esse ser misterioso tão falado pelas estradas.

Júlio César, como muitos, era um experimentalista em substâncias expansoras da consciência, e nessa sua busca tinha conhecido o chá hoasca em Porto Velho – Rondônia, com alguns lavradores e oleiros que comungavam esta bebida. Isto ainda no ano de 1974.

Foi assim: viajando apenas com seu violão e cinco discos de vinil na mochila, ouviu falar de um chá que, após a sua ingestão, desceria uma luz sobre ele. Pediu a uma senhora que conhecera para provar do chá.

— Meu filho, terá sessão no sábado a noite. Estás convidado.

Por insistência dele, conseguiu desta senhora antecipar a experiência. Era ainda dia claro quando saíram caminhando pela floresta e, após umas duas horas pelas picadas, chegaram a uma rústica olaria, onde alguns homens trabalhavam.

Bebeu uma caneca enorme do chá hoasca e nada sentiu. Pediu para repetir. Após certo tempo, colocaram músicas populares para tocar.

O hippie aficionado por rock progressivo levou então a sua primeira peia, se sentindo imensamente incomodado por aquelas músicas simples e ingênuas — “caretas”.

Pediu então para um dos participantes daquela sessão improvisada na clareira da floresta que colocasse uma música de um dos discos da sua mochila. Prontamente foi atendido. Nesse momento Júlio Cé0sar recebeu o conforto e a luz da hoasca, ouvindo My God (Meu Deus) do Jethro Tull.

“Oh povo: o que você fez?

Trancou Ele em sua jaula dourada

(…) Mas Ele ressuscitou do túmulo

(…) E está dentro de você e de mim

Então curve-se a Ele gentilmente.”

Júlio Cesar tirava o seu sustento da arte em madeira, que esculpia. Ofício aprendido na Bahia, na beira da Lagoa do Abaeté, e aperfeiçoado na Aldeia Hippie de Arembepe.

Das mirações e visões que teve com o Daime esculpiu uma grande peça, a qual deu o nome de “Soberanos da Floresta”: um rei e uma rainha entrelaçados, que se transformavam em cipó e folha.

Não conseguia vender esta escultura, que carregava feito uma cruz desde Cuiabá – Mato Grosso. Resolveu então presenteá-la ao Padrinho Sebastião, quando o conheceu.

Padrinho Sebastião, percebendo o estado de penúria daquele seu novo discípulo, o dissuadiu de ofertá-la. Numa visita do governador Nabor Junior à Colônia 5 Mil, Júlio César conseguiu vendê-la ao líder político e assim auferiu alguma renda para o seu sustento.

Todavia, não ficou em débito para com o Padrinho. Reconhecendo em Júlio qualidades de bom artista e artesão, Sebastião Mota encomendou a ele uma Cruz de Caravaca para ornar a mesa de centro do Céu do Mar, primeira igreja de Daime fundada no Sudeste do país.

Surgiu assim uma das marcas registradas de Júlio César: o “Cruzeiro Sete Estrelas” que hoje embeleza os altares de dezenas de igrejas daimistas no Brasil e exterior.

O Sete Estrelas está brilhando no Altar

Iluminando meus guerreiros no salão

Estamos todos aqui para batalhar

Divino Pai estou aqui com meus irmãos

(Hino 81, O Sete Estrelas, Hinário A Chave).

Júlio César só veio ter plena consciência da sua Missão aqui no Mundo Terra mais recentemente, quando recebeu o Hino 80 d’A Chave:

Eu vou andando pelo mundo

Sempre observando o que o Homem faz

A Humanidade está Plantando

E o que ela vai Colhendo está longe da Paz

Esta passagem pela Terra

Aqui nesta matéria, é para resgatar

A Consciência que se perdeu

Que é Amar a Deus e a tudo respeitar.

(Hino Apocalipse).

Uma querida amiga o procura, com o Caderno do Hinário A Chave numa mão, e a Bíblia Sagrada na outra, aberta no Capítulo Um, Versículos 16 a 19 do Livro d’A Revelação, o Apocalipse de São João:

“Tinha Ele (Jesus Cristo) na sua destra Sete Estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força. Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo:

“— Não temas; eu sou o primeiro e o último; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e do hades. Escreve, pois, as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de suceder ”.

Revelou-se e se confirmou a Júlio César de Oliveira sua Missão de Apóstolo da palavra cantada de Cristo Jesus, Nosso Senhor, doutrinando o mundo inteiro com a sua voz e seu violão.

Incansavelmente Júlio César, velho hippie estradeiro, aluno da Universidade da Vida, leva a sua mensagem pelo Brasil a fora, transmitindo a doutrina cristã através da poesia musicada no seu Hinário A Chave.

O violão continua a lhe acompanhar. Na mochila, os velhos discos de vinil foram substituídos pelos CDs d’A Chave. Voluntariamente Júlio peregrina de igreja em igreja apresentando o seu Evangelho.

Os hinos d’A Chave transmitem mensagens de instrução e louvor, e é formado por brilhantes pedras finas. A mim me sensibilizou particularmente, na última audição feita, n’A casa da Paz (Ilhéus-Bahia) os seguintes versos enviados pelo Sagrado ao aparelho deste irmão amigo:

A disciplina que te dou com todo Amor

Recebes como fosse um sagrado presente

Ela é quem vai purificando pela dor

Esclarecendo e curando os inocentes

A Evolução na Vida Espiritual

Só se alcança é com grande sacrifício

Para chegar ao Reinado Celestial

Eliminando da matéria todo vício.

(Hino 43, Disciplina, Hinário A Chave).

Agora, lhes apresento o meu hino preferido, obra prima enviada pela Espiritualidade Maior:

Todos se firmem que o balanço é muito forte

Somente Deus é quem pode nos segurar

O grande mistério desta Vida é a Morte

Quando e como ninguém vem te avisar

Entregas o teu Corpo à Santa Terra

O Mundo invisível está por ti a esperar

Tudo o que vivestes nesta vida

Agora ao Pai tu vai ter que apresentar

Apresentar o tempo em que Tu viveu

A Vida era o Jardim que tinhas para zelar

E nesse tempo o que foi que aprendeu

Das Belas Lições que é Amar e Perdoar

Amar a Deus sobre todas as coisas

E os seus mandamentos com Firmeza praticar

Jesus Cristo o Vosso Filho Homem Perfeito

Nos deu a sua Vida para a Lei nos ensinar

Só levas desta vida a consciência

O Plano do Criador agora vai realizar

O Maior Tesouro de toda a existência

É ser espelho da Pureza para a Deus Pai ofertar

A Vida é a Morte da Matéria

Este Lindo Ensinamento agora vou te entregar

É o abrir da Porta da Eternidade

Pra num Plano mais Sutil o teu espírito habitar.

(Hino 04, O Plano, Hinário A Porta).

Vai amigo Júlio César, cumprindo o seu Plano de missionário de Deus, nos transmitindo essas belas e profundas lições. Júlio Evangelista, empenhando a sua arte, sua voz e seu violão na divulgação da Palavra e da Doutrina do Salvador.

E Viva o Dono do Hinário!

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 760 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.