Chefe da Casa Civil, Rui Costa comenta sobre eleições 2012, projeto do PT para Feira de Santana, movimento sindical, investimentos federais na Bahia e CPMI do Cachoeira. Confira a entrevista

Rui Costa: "Nós atendemos mais do que os professores pediram, só que pago em duas vezes, metade em setembro, metade em abril, portanto não faz nenhum sentido a manutenção desta greve, com esse prejuízo enorme que está dando a juventude e as crianças."
Rui Costa: "Nós atendemos mais do que os professores pediram, só que pago em duas vezes, metade em setembro, metade em abril, portanto não faz nenhum sentido a manutenção desta greve, com esse prejuízo enorme que está dando a juventude e as crianças."

Na tarde de hoje (15/06/2012), o Chefe da Civil do Governo da Bahia, Rui Costa, visitou Feira de Santana com objetivo de participar da solenidade de entrega da unidade de Inclusão Socioprodutiva Portal do Sertão. Oportunidade em que concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.

Durante a entrevista, Rui Costa discorre sobre políticas de inclusão social, eleições 2012, o PT nos municípios de Feira de Santana, Salvador e Santo Estevão. Costa também comenta sobre a CPMI do Cachoeira, perspectiva de vitória eleitoral nos municípios baianos, e greve dos professores, declarando:

“Nós temos no país um instrumento que tem que ser valorizado, que é a estabilidade no emprego. Mas ele tem que ser bem utilizado, porque o servidor público não presta serviço ao governador, nem ao secretário e sim a população. Quem tem aula dos professores são os alunos, não é o governador, nem o secretário.”

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O programa de desenvolvimento de economia urbana para as pessoas de menor poder aquisitivo muda o que nas cidades baianas?

Rui Costa – Acho que muda a esperança, a expectativa de renda, muda a vida das pessoas. Esse programa vai dar equipamentos, treinamento, capacitação, ajudar a organizar a produção de todas aquelas pessoas que até então estavam à margem e tentando sobreviver de uma forma muito dura, muito difícil, nós vamos apoiar. Eu não tenho a menor dúvida que daqui a alguns meses as pessoas terão uma renda muito maior, e estarão trabalhando em uma condição de vida muito mais digna.

JGB – Esses programas que atingem diretamente as pessoas de menor poder aquisitivo são a novidade da política nacional?

Rui Costa – São programas recentes que surgiram a partir da gestão do presidente Lula, que colocou como foco e como mudança de pensamento do país. Antigamente se pensava que o Brasil tinha que crescer para depois distribuir sua riqueza e Lula disse não, nós vamos crescer e distribuir junto. Na medida em que a gente distribui melhor a gente cresce mais rápido, foi isso que ele fez. Nós estamos priorizando as pessoas que tem a renda mais baixa, as pessoas mais pobres , para que possamos dar mais possibilidades para que essas pessoas trabalhem com dignidade e tenham uma renda e uma vida muito melhor.

JGB – Eleições 2012. Como está o PT em Feira de Santana? De que maneira o senhor acredita que a administração do PT pode contribuir para mudar a cidade?

Rui Costa – Eu acho que em uma administração do PT, com a candidatura de Zé Neto, que ocorre amanhã e vai para convenção do partido, tem a mesma sintonia, as mesmas propostas e as mesmas metas que tinha o presidente Lula, que tem a presidenta Dilma, que tem o governador Jaques Wagner. Portanto, nós vamos ter uma maior identidade na aplicação dos programas, e também no desenvolvimento e geração de emprego aqui, em Feira de Santana. Que uma cidade com enorme potencial, e que com certeza vai ter muito mais desenvolvimento.

JGB – A militância petista, as principais lideranças estarão na campanha do deputado Zé Neto?

Rui Costa – Eu não tenho a menor dúvida. Aqui, em minha opinião, será uma disputa bonita, e o debate de dois projetos políticos que estarão em discursão [Rui Costa se refere à disputa entre o PT e Democratas].

JGB – As eleições em Salvador com o deputado Nelson Pelegrino. Como está todo esse cenário de organização política?

Rui Costa – A campanha está sendo organizada. Não tem nenhuma eleição fácil, todas são disputadas, Salvador também vai ser. Eu, como filiado ao PT, estarei junto a Nelson Pelegrino na campanha.

JGB – Em Santo Estevão onde uma liderança é ligada ao senhor, o prefeito Rogério Costa, ele também está concorrendo com o ex-prefeito [Orlando Santiago]. Como você vê as possibilidades de eleição em Santo Estevão?

Rui Costa – Eu acho que Rogério é o novo na política de Santo Estevão. Tem feito uma administração excepcional. Eu acho que o povo de Santo Estevão quer andar cada vez para frente, mais rápido e melhor, e não ficar olhando para trás. Nós temos que construir um futuro em Santo Estevão, isso se faz com gente nova, capaz, competente, como é Rogério.

JGB – O governo ficou refém do movimento sindical? Essas greves parecem trazer graves prejuízos para a sociedade.

Rui Costa – Eu não diria refém. Nós temos no país um instrumento que tem que ser valorizado, que é a estabilidade no emprego. Mas ele tem que ser bem utilizado, porque o servidor público não presta serviço ao governador, nem ao secretário e sim a população. Quem tem aula dos professores são os alunos, não é o governador, nem o secretário.

O Estado está no limite máximo do que pode oferecer [de reajuste salarial]. A Lei de Responsabilidade diz que o governador só pode gastar no máximo 46% da receita corrente líquida, e o Estado já está no limite máximo. Nós atendemos mais do que os professores pediram, só que pago em duas vezes, metade em setembro, metade em abril, portanto não faz nenhum sentido a manutenção desta greve, com esse prejuízo enorme que está dando a juventude e as crianças.

JGB – Com relação aos investimentos federais na Bahia, a oposição critica e diz que o governo não consegue celeridade dos investimentos. No entanto, nós temos o próprio secretário que é deputado federal licenciado e temos o senador Valter Pinheiro que é uma figura influente no plano nacional. O que está acontecendo?

Rui Costa – Eu só posso dizer que é desconhecimento das pessoas que fazem essa acusação. Essa semana nós conseguimos a publicação de quase R$ 200 milhões de reais em convênio com um só Ministério, o da Integração, para as ações de infraestrutura de abastecimento de água em diversas localidades do Estado, sistema simplificado e barragens. Nós temos sido muito céleres, a Bahia foi o primeiro estado que assinou convênio com o Ministério, que teve o depósito do recurso garantido. Portanto, eu só posso dizer que a desinformação da oposição que faz esse tipo de acusação.

JGB – Embora o senhor esteja aqui como secretário, eu não poderia deixar de perguntar sobre a CPMI do Cachoeira. Como o senhor analisa esse fato?

Rui Costa – Eu estou aqui como secretário, eu não estou acompanhando esta questão da CPMI. Eu acho o seguinte, como tese, trabalho investigativo, principalmente, quando se trata de contraventor, de crime organizado, a polícia faz isso muito melhor que o deputado, porque a polícia tem instrumentos de grampo de investigação capaz de identificar todos os crimes. Esse episódio do [Carlos] Cachoeira a polícia trabalhou três anos em sigilo, eu acho pouco provável que qualquer CPI consiga descobrir qualquer coisa de novo, depois de três anos de investigação sigilosa da polícia federal.

Os deputados, e eu sou deputado, nós não somos especialistas em investigação policial. Portanto ali tende a se transformar apenas em um debate político e em uma guerra política entre os partidos. Eu acho que a CPI se justifica apenas quando o fato ainda não foi investigado. Nesse casom foram três anos de investigação, o processo, na minha opinião, poderia ter sido enviado diretamente ao Ministério Público, à Justiça Até para começar rapidamente o processo de julgamento, e eventuais condenações e cumprimento de penas daqueles que cometeram os crimes.

JGB – Em 2008 o PT elegeu aproximadamente 60 prefeitos. Qual a expectativa agora em 2012?

Rui Costa – Nós elegemos 68 prefeitos, acho que nós vamos bater 100 prefeitos na eleição desse ano.

Confira o áudio da entrevista

Zé Neto e Rui Costa. Secretário acredita em vitória do PT em Feira de Santana.
Zé Neto e Rui Costa. Secretário acredita em vitória do PT em Feira de Santana.
Sobre Carlos Augusto 9506 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).