Brasil defende extensão de Kyoto, mas evita críticar os opositores ao acordo

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País defende a continuidade do Protocolo de Kyoto como a política mais apropriada no combate às mudanças climáticas. Aumenta pressão das nações ricas sobre emergentes para que também se comprometam a reduzir emissões.

O Brasil chega à próxima conferência do clima com um discurso mais ameno. Evitando críticas diretas aos países que se opõem publicamente a controlar as emissões dos gases de efeito estufa, o governo brasileiro demonstra uma posição mais flexível sobre o futuro de Kyoto, às vesperas da nova rodada de negociações climáticas.

“Entendemos que alguns países signatários de Kyoto possam escolher não participar do segundo período. É infeliz, mas a decisão é deles. Respeitamos isso”, respondeu à DW Brasil o embaixador Luis Alberto Figueiredo Machado, do Ministério de Relações Exteriores. Figueiredo se refere a Canadá, Rússia e Japão, que resistem em acordar na extensão do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. “Mas sentimos que alguns países querem mover adiante nesse contexto, e isso é bem-vindo”, acrescentou.

O futuro do acordo que obriga as nações desenvolvidas a diminuírem suas emissões deve dominar o debate na COP 17, que acontece entre 28 de novembro a 9 de dezembro em Durban, na África do Sul. O Brasil diz que “está trabalhando intensamente com outros parceiros para possibilitar a continuidade” do protocolo, defendido pelo país como a política mais apropriada na briga contra as mudanças climáticas.

E se nada acontecer em Durban

Ninguém sabe responder o que virá depois de Kyoto, a convenção assinada em 1997 e em vigor desde 2008. O acordo assinado pelas 37 nações industrializadas – menos os Estados Unidos – impôs o corte de 5% de suas emissões entre 2008 e 2012, com base nos índices de 1990.

Sobre essa indefinição, Figueiredo defende que “um acordo obrigatório não pode ser algo que se busque a qualquer preço. O mais importante é o conteúdo do documento”. Segundo o embaixador, o racha de opiniões nos bastidores é grande. “Alguns sinalizam que se a Europa se mantiver num segundo período (de Kyoto), o mundo inteiro moveria também nessa direção. Outros dizem que é muito cedo. Ainda é preciso alguma reflexão sobre quais serão os aspectos desse instrumento”, revela.

Por outro lado, o negociador quis reforçar o posicionamento brasileiro a favor da continuidade do protocolo: “Acho que deveríamos ter um segundo período, que acabaria em 2020. E achamos que, bem antes disso, negociações devem acontecer visando um próximo passo.” Até lá, o novo relatório do IPCC, Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, já será conhecido – a expectativa é que estudo que será lançado em 2014 seja “ainda mais preocupante”.

Pressão sobre os emergentes

A cobrança para que países emergentes, como China, Brasil e Índia, também se comprometam a reduzir suas emissões é cada vez maior, e vem principalmente das nações tradicionais ricas. “Temos consciência do nosso papel e o estamos cumprindo. Nós nos comprometemos voluntariamente a reduzir nossas emissões até 2020”, respondeu Izabella Teixeira, ministra de Meio Ambiente.

Em 2010, o Brasil assumiu em Copenhague a meta voluntária de reduzir a emissão de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, em relação ao que emitia em 1990. Mais tarde, a promessa virou lei nacional, seguindo a Política Nacional de Mudanças Climáticas. “Estamos fazendo a nossa parte, e fazemos muito mais do que outros. A pressão não está exatamente sobre nós.O que sentimos é que a próxima fase das negociações climáticas exige certos tipos de comportamentos de todas as partes”, completou Figueiredo.

*Com informações: Deutsche Welle

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