Hermógenes, professor e poeta do yoga

José Hermógenes de Andrade Filho.

José Hermógenes de Andrade Filho.

José Hermógenes de Andrade Filho.

Professor Hermógenes praticando yoga.

Entrego Confio Aceito e Agradeço

Domingo, 19 de julho de 2015, estava eu em plagas cariocas, junto com a minha consorte, quando tenho a grata surpresa de receber um convite do irmão amigo Alberto Cabus, para assistir a estreia do filme documentário “Hermógenes, professor e poeta do yoga”, no antigo e majestoso Cine Odeon, no Centro do Rio de Janeiro.

Foram duas horas de fortes emoções no escurinho do cinema. Eu derramava tantas lágrimas de alegria que o meu lenço, tão úmido, já não as enxugava… Foi quando uma mão amiga, espectadora anônima sentada ao meu lado, depositou um lenço enxuto em minhas mãos… que logo também ficou imprestável…

José Hermógenes de Andrade Filho dispensa apresentações. Com mais de meio milhão de livros vendidos, figura pública há décadas no cenário cultural brasileiro, basta denominá-lo Professor Hermógenes que todos sabem quem é.

Porém, histórias da vida exemplar deste ilustre brasileiro só vir a conhecer num ensolarado domingo de manhã. Em feitio de oração.

Nordestino pobre de família numerosa, teve dificuldades alimentares na infância e adolescência; migrou para o Rio de Janeiro e fez carreira militar. Como capitão se destacou no ensino de Humanidades na Escola do Exército, ensinando, acima de tudo, a ética dos valores humanos.

Como Hermógenes descobriu o yoga?

Contraiu tuberculose numa época que esta doença provocava um alto índice de mortalidade, quando recebeu o tratamento mais “avançado” existente, o “pneumotórax” do famoso poema de Manuel Bandeira, do qual o poeta era descrente:

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

– Diga trinta e três.

– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

– Respire.

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Porém, Hermógenes foi um sobrevivente. O tratamento era a base de superalimentação, e ele se tornou obeso, com grandes papadas e uma volumosa barriga que o impedia de enxergar os pés.

Ele adoeceu da cura; e precisava “se curar da cura” da tuberculose.

Foi quando descobriu o Hatha Yoga, em livros na língua inglesa, começou a realizar os exercícios e, entusiasmado, aprofundou os seus estudos e foi pioneiro em publicar livros de Yoga na língua portuguesa.

Quando eu, Juarez, era adolescente, comprei vários destes livros, que me chamaram a atenção porque se destacavam no mostruário das livrarias da Avenida Joana Angélica, aqui em Salvador-Bahia.

E aí começa a vida de professor de yoga de Hermógenes. E o filme documentário reúne diversos depoimentos de discípulos desse grande mestre yogue brasileiro.

Um mudo personagem se destaca no valioso documentário, a sua esposa Maria. E fico sabendo que a bela “Maria das Tranças” era quem ilustrava as capas dos livros que eu comprava na juventude.

O encontro com Chico Xavier

Frente ao grande médium brasileiro, humildemente Hermógenes se apresentou:

— Olá, Chico, eu sou Hermógenes.

E Chico se derramou em elogios:

— Hermógenes!… Gosto muito de seus livros… seus poemas.

Maria, descrente, falou para Chico Xavier:

— Não precisa exagerar nos elogios, Chico.

— Gosto muito dos poemas de Hermógenes, sim.

Como prova, declamou dois dos poemas de sua preferência.

Assim foi a vida de Hermógenes. Encontramos muitos depoimentos de destacados líderes espirituais brasileiros reafirmando a grandeza desta alma.

O encontro com o Mestre

Com uma vida cristã tão espiritualizada, tão devotada, Hermógenes acreditava que já havia encontrado o caminho da salvação. Foi quando recebeu o convite para ir conhecer, na Índia, o guru Sai baba.

Hermógenes pensou:

— Mais um…

Isto é, imaginou que se veria frente a mais um falso pastor, como existem inúmeros, no Oriente ou aqui mesmo, no Brasil.

De formação cristã, na primeira visita à Índia Hermógenes não reconheceu a divindade que habitava aquele frágil corpo físico. Mas Maria sim. Insistiu para voltarem.

É na sua segunda visita ao Ashram Prashanti Nilayam, em Puthaparti, sul da Índia, que o Avatar se revela ao Professor. Hermógenes se faz um devoto.

O Professor Hermógenes se torna então o grande divulgador de Baghavan Sri Sathya Sai Baba no Brasil, quando traduz dois dos livros fundamentais para conhecer o Mestre e sua doutrina.

O carisma de Hermógenes e seu poder de influência, na condição de formador de opinião, desperta o interesse de muitos brasileiros a conhecerem Sai Baba.

Intuitivamente, Hermógenes organiza uma excursão para a Índia, com a promessa a todos que aderirem a esta visita, que teriam uma audiência privada com o Mestre.

Quem já foi a Prashanti sabe da dificuldade de aproximação com Swami, devido a milhares de devotos do mundo inteiro, diariamente, também solicitarem esta tão desejada audiência. Além disso, o imponderável faz parte da metodologia do Mestre: as suas leelas.

Mas Hermógenes conseguia. Numa dessas audiências com Sai Baba, o médium baiano Divaldo Franco estava presente e reconheceu o poder que emanava do Avatar, recebendo inclusive uma cura para seus males físicos.

Dura provação passou Hermógenes e sua consorte, Maria, quando esta é atropelada na rua em frente ao Ashram. É neste momento que o casal fortalece a sua fé e exclama aquele mantra que seria marca registrada da missão do Professor entre nós:

Entrego

Confio

Aceito

Agradeço

Uma tocante imagem é mostrada no filme documentário: Maria, sentada numa cadeira de rodas, com semblante extático, mirando o Mestre.

… Mais não conto… vejam… vejam o filme!

Gratidão a ti, Professor Hermógenes, por ter nos mostrado o Caminho do Amor.

O quê: Hermógenes, professor e poeta do yoga (documentário)

Direção e roteiro: Bárbara Tavares

No Cine Odeon, na Cinelândia (Rio de Janeiro).

De 23/07/2015 a 29/07/2015, 14h.

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.