Sem política, nem investimento, Governo Bolsonaro derruba produção industrial

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Abandonado por Bolsonaro, setor não consegue restaurar sequer os medíocres níveis pré-pandemia.
Abandonado por Bolsonaro, setor não consegue restaurar sequer os medíocres níveis pré-pandemia.

O desmonte de bem-sucedidas políticas organizadoras da atividade produtiva dos governos petistas afundou a indústria nacional em um atoleiro interminável. Ao fim do primeiro trimestre deste ano, a produção industrial ainda patinava em patamares inferiores aos já medíocres níveis pré-pandemia. Em março de 2022, o setor ficou 2,1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020 e 18,5% abaixo do nível recorde registrado em maio de 2011, sob Dilma Rousseff.

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (03/05/2022) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aponta que a soma da variação positiva de 0,3% em março à de 0,7% em fevereiro não conseguiu sequer eliminar o tombo de 2% ocorrido em janeiro. A última alta frente aos três meses imediatamente anteriores foi registrada no quarto trimestre de 2020, quando as regras de distanciamento foram flexibilizadas.

Pelas contas dos técnicos do IBGE, após quatro trimestres consecutivos de queda livre, o setor acumula perdas de 4,5% no primeiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo período de 2021 – oitava taxa negativa consecutiva nessa comparação. Os maus resultados atingiram três das quatro grandes categorias econômicas, 17 dos 26 ramos, 55 dos 79 grupos e 60,1% dos 805 produtos pesquisados.

O primeiro trimestre de 2021 marcou o auge da campanha aberta do bolsonarismo contra a vacinação, que desestabilizou ainda mais a já destroçada economia sob Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes – para quem foi preciso ajudar apenas “os grandes”. A escalada negacionista só foi interrompida pela ação dos parlamentares da CPI da Covid no Senado Federal, mas os efeitos negativos sobre a atividade econômica permanecem.

No acumulado deste ano, o setor industrial registra resultados negativos em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 22 dos 26 ramos, 56 dos 79 grupos e 65,6% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, as principais influências negativas foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-10,2%), produtos de borracha e de material plástico (-16,3%), produtos de metal (-16,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,6%).

“O acumulado nos últimos doze meses chegou a 1,8% em março e vem reduzindo sua intensidade de crescimento desde agosto de 2021 (7,2%)”, destaca nota do IBGE. “O resultado ainda está longe de refletir uma reversão de todos aqueles saldos negativos dos últimos meses”, lamenta o gerente da pesquisa, André Macedo. Segundo ele, a desaceleração da indústria é resultado de “questões complicadoras na oferta, que é algo mais global, afetado pelo mercado internacional, e na demanda doméstica”.

Macedo explica que as plantas industriais ainda percebem o aumento dos custos de produção e refletem a escassez de algumas matérias-primas. “Além disso, a inflação vem diminuindo a renda disponível e os juros sobem e encarecem o crédito. Também o mercado do trabalho, que apresenta alguma melhora, ainda mostra índices como uma massa de rendimentos que não avança”, aponta o pesquisador, traçando o ciclo maldito do neoliberalismo “para poucos” que vem amaldiçoando o Brasil desde o golpe de 2016.

Investimentos públicos estão na origem da retomada econômica

Após a supressão de iniciativas e investimentos federais ocorrida sob Michel Temer, o desgoverno Bolsonaro agravou deliberadamente o abandono da indústria transferindo responsabilidades para “o mercado”. A ausência do Estado levou ao vácuo de propostas e projetos para o país que marca o último ano de Jair Bolsonaro no Planalto.

O alto desemprego e o arrocho salarial criados pela “reforma trabalhista” de 2017 também se agravaram sob Bolsonaro, afetando a capacidade de consumo das famílias, reduzindo a demanda da sociedade, aniquilando o dinamismo da atividade produtiva e retroalimentando a queda de empregos e de renda. Em suas entrevistas, Luiz Inácio Lula da Silva vem destacando a importância dos investimentos públicos para reativar a depauperada economia que restará como legado do bolsonarismo.

“Para se transformar em um país industrial, é preciso que você faça investimento em ciência e tecnologia, é preciso que você faça mais universidades, mais escolas técnicas. Quando eu estava na presidência, o Brasil conquistou o 13º lugar na produção de artigos científicos nas revistas especializadas porque nós fizemos muito investimento. Isso acabou. As universidades hoje não têm dinheiro para cortar a grama na frente dos prédios, as escolas técnicas estão falindo”, lamentou Lula em entrevista concedida em abril para a Rádio Conexão 98 de Palmas (TO).

Segundo ele, o quadro terrível é reflexo do total abandono da produção de conhecimento. “Não existe política de desenvolvimento do Bolsonaro, o que existe é uma política de venda daquilo que foi construído ao longo de tantos e tantos anos porque não tem política de desenvolvimento, não tem projeto industrial. O problema é que como não tem governo, não tem projeto, então não tem investimento”, ressaltou.

“Nós perdemos o momento, a oportunidade de fazer investimento em ciência e tecnologia como a Coreia fez, como os Estados Unidos fizeram, mas não adianta ficar reclamando. Nós precisamos tirar o atraso para que daqui a 10, 20 anos, a gente tenha uma nova geração, uma geração de pesquisadores, de engenheiros, de cientistas, para que a gente possa discutir nichos de indústrias que possam ser competitivas no mercado internacional”, prosseguiu Lula. “O Brasil não quer ficar apenas como exportador de commodities, o Brasil quer exportar também produtos de valor agregado.”

O presidente mais popular da história mencionou como exemplo de política industrial e desenvolvimento a virada na balança comercial do Brasil com a Argentina, ocorrida em seu governo, quando o fluxo comercial aumentou de US$ 7 bilhões para US$ 39 bilhões.

“Sabe o que o Brasil vendia para a Argentina? Não era carne, não era soja, não era milho, eram produtos de valor agregado, produtos industrializados. Porque se o Brasil não pode competir com a Alemanha, a gente pode competir com outros países. Acontece que as nossas indústrias vão fechando porque a economia não cresce”, finalizou Lula.

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