Maternidade e estudos: Mulheres encaram dificuldades para formação profissional

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Marina concilia a maternidade com sua jornada de trabalho e a graduação no curso de Enfermagem.
Marina concilia a maternidade com sua jornada de trabalho e a graduação no curso de Enfermagem.

Conciliar maternidade, trabalho e formação profissional ainda é um desafio para a maioria das mulheres. Contudo, mesmo sendo uma empreitada difícil, equilibrar os projetos pessoais com o sonho de ter um diploma é um desafio possível. Apesar do potencial sobrecarga, com muita disciplina e uma rede de apoio, o sucesso no desempenho das múltiplas tarefas pode ser alcançado.

Marina Oliveira (25), técnica de enfermagem, é um exemplo disto. Ela tem duas filhas, Laura de 11 anos e a Júlia de apenas 7 meses, que a acompanha nas aulas da faculdade. Marina concilia a maternidade com sua jornada de trabalho e a graduação no curso de Enfermagem. “Tem dias que dá muita vontade de abrir mão de tudo pelo cansaço físico e mental, mas também tem o lado bom. É maravilhoso poder sair para a faculdade e saber que estou adquirindo conhecimento. Como minha bebê vai comigo para a aula, o pessoal sempre me ajuda, inclusive os professores”, declara.

Nessa trajetória, Marina revela que tem se surpreendido com sua superação diante das dificuldades. “Eu não tinha noção do quão forte sou até me tornar mãe da Júlia. Minha expectativa para o término [do curso] é saber que eu consegui chegar onde eu queria apesar de muitas dificuldades e lutas”, destaca.

Formada em Marketing antes de se tornar mãe de Clara (14), Lívia (12) e Miguel (6), a estudante Maria Cristiane Viana, ou Cris como prefere ser chamada, é outra mulher na mesma situação. Aluna do 5° período do curso de Pedagogia da Estácio, ela equilibra os estudos da tão sonhada segunda graduação com a atenção aos três filhos e as demandas internas da loja que administra junto com o marido.

Segundo Cristiane, o mais difícil para dar conta das três demandas é lidar com o emocional por não ter tanta disponibilidade de tempo para os filhos e se perdoar por não estar presente com a frequência que gostaria. “É preciso aceitar que não sou uma Mulher Maravilha e que está tudo bem se hoje o mais novo não dormiu de dente escovado, ou se não consegui revisar a matéria com minha filha. Amanhã é sempre um novo dia e uma oportunidade de tentar fazer melhor”, relata.

Quando o assunto é a presença de mães na educação superior, faltam dados atualizados, mas a última Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos as Graduandos/as, feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior,  mostra que 48,1% das estudantes têm filhas/os e 4,7% das alunas precisaram trancar sua matrícula na universidade devido à licença maternidade.

E no mercado de trabalho, Marina e Cristiane são exceção nas estatísticas em nível nacional. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é recorrente o afastamento das mulheres do mercado de trabalho nos primeiros anos de vida dos filhos. O órgão de pesquisa revela que o nível de participação de mulheres entre 25 e 49 anos cai de 67,2% para 54,6% quando elas vivem em residências com crianças menores de 3 anos.

Sobrecarga acende o alerta para saúde mental

No mês de maio com a comemoração do Dia das Mães, volta à evidência a necessidade de um olhar atento e acolhedor para a saúde mental dessas mulheres que enfrentam múltiplas jornadas de trabalho: Elaine Eufrásio, professora de Psicologia da Estácio, explica que mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos psicológicos por causa de vulnerabilidades específicas como a exposição à traumas de gênero, violência doméstica e o fator social que traz a incumbência de cuidar dos filhos, do marido, da família, entre outros, somados à carreira e aos cuidados pessoais.

Diante dessa situação, Elaine, que também é especialista em Saúde da Família, recomenda manter um diálogo com o cônjuge e deixar claro que precisa de ajuda. “A sociedade supervaloriza a mulher como multitarefa: boa mãe, profissional e esposa. Mas a mulher precisa entender seus sentimentos, e que tudo bem não dar conta às vezes, para diminuir a culpa e assim, buscar uma divisão das tarefas domésticas”.

Cuidados diários

Este excesso de esgotamento emocional pode provocar a  síndrome de burnout materno. Ou mommy burnout, termo utilizado no inglês, para se referir ao quadro de sintomas sentido pelas mães que vivenciam uma intensa rotina materna e doméstica.

Por isso, no dia a dia deve-se manter o equilíbrio entre corpo e mente. Por isso, é importante avaliar como está a alimentação, o tempo dedicado para a atividade física, a qualidade do sono, o momento do dia de desacelerar e dar atenção ao que traz prazer. A psicóloga recomenda momentos de lazer como ouvir uma música que goste, dançar, cantar, ler, além de buscar uma conexão espiritual.

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