FUP critica política neoliberal adotada pelo Governo Bolsonaro para definição dos preços dos combustíveis; “Não faz sentido que os combustíveis acompanhem o dólar”, diz

Publicidade

Banner da Gujão: Campanha com o tema ‘Tudo fresquinho é melhor’, veiculada em 3 de junho de 2022.
Sem mencionar o papel do PPI, presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho, afirma que a empresa não tem culpa da alta dos preços da gasolina e diz que prefere rever a comunicação a resolver o problema.
Sem mencionar o papel do PPI, presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho, afirma que a empresa não tem culpa da alta dos preços da gasolina e diz que prefere rever a comunicação a resolver o problema.

O atual presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho, disse, em entrevista publicada nesta quarta-feira (04/05/2022), que é injusto culpar a estatal pela alta dos combustíveis e que seu principal desafio à frente da petroleira será rever a comunicação, dando prioridade às redes sociais. Tentando tirar a responsabilidade da atual diretoria da Petrobras, Coelho esquece de mencionar que pode mudar a política de preços da companhia junto com o Governo Federal. Confirmando o que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) sempre disse: ele é mais um defensor da atual política de preços da estatal, grande responsável pela alta dos combustíveis.

O Preço de Paridade de Importação (PPI), implementado no governo do ex-presidente Michel Temer, em outubro de 2016, e mantido pela atual gestão da Petrobrás, não leva em conta os custos nacionais de produção do óleo e derivados e reajusta os preços dos combustíveis com base na cotação do petróleo no mercado internacional, variação cambial e custo de importação. A participação do petróleo importado no processo de refino brasileiro atinge cerca de 6%, sendo aproximadamente 94% do processamento feito com óleo produzido no país. Ou seja, se 94% da produção é nacional, em real (R$), não faz sentido que os combustíveis acompanhem o dólar (US$).

Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, enfatiza que a Petrobrás, sem o PPI, praticaria preços justos, e continuaria tendo alta lucratividade, devido à elevada produtividade e o baixo custo operacional do pré-sal, que não chega a US$ 28 por barril. “Isso reduziria o lucro de importadores e dividendos de acionistas, talvez este seja um dos principais motivos para que o governo e a gestão da empresa mantenha o PPI. Enquanto o povo sofre com a alta dos combustíveis, que também impacta os alimentos, os acionistas atingem recordes absurdos de lucro”, reforça.

Bacelar lembra que, em 2021, foram distribuídos R$ 101,4 bilhões aos acionistas. “No mesmo ano, pessoas morreram ao cozinhar com álcool, por não ter dinheiro para comprar botijão de gás, e famílias inteiras ficaram em filas para comprar osso, porque não tinham dinheiro para comprar carne. Os acionistas comemoram o super lucro da companhia e o presidente da Petrobrás se preocupa com as redes sociais da empresa, enquanto o povo brasileiro morre”, destaca o sindicalista.

Coelho disse ainda que os brasileiros têm que entender que “da mesma maneira que o pãozinho aumenta, o óleo de soja bateu quase R$ 16 o litro, o tomate e a cenoura nem se fala, assim é o petróleo”. Entretanto, não leva em consideração que o constante aumento dos combustíveis teve, em abril, o maior impacto em um dos índices que mede a inflação, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), com alta de 7,51%. A elevação no preço dos combustíveis teve influência no custo de demais produtos, principalmente alimentícios, levando a inflação ao maior patamar desde 1995.

Quando culpa o conflito entre Ucrânia e Rússia e a pandemia pela alta dos preços dos derivados, o presidente da empresa “esquece” que, desde antes desses eventos, o aumento já era constante. Desde o início do PPI, o gás de cozinha teve um aumento de 349,3%. No mesmo período, o salário-mínimo teve reajuste de apenas 37,7%. Sobre a participação da Petrobrás no preço do combustível na bomba, Coelho insiste que o lucro da empresa é mínimo, mas “esquece” de mencionar que os impostos são calculados em cima do preço que sai da refinaria.

Ao falar sobre mecanismos para minimizar o impacto dos preços para o consumidor final, o gestor fala em diminuir dividendos da companhia, royalties e participação especial, mas não cogita a possibilidade de mudar a política de preços, que diminuiria o super lucro dos acionistas. Quando o assunto é responsabilidade social da empresa, Coelho diz que “a Petrobrás está preocupada com a responsabilidade social, olha quantos projetos legais”.

Deyvid Bacelar lembra ao novo presidente da empresa que “responsabilidade social não é só investir em ‘projetos legais’, é principalmente fazer com que o botijão de gás e os combustíveis sejam comercializados a preço justo, para que a população tenha condições de ter uma vida digna, ter segurança alimentar e não precise arriscar a própria vida e de sua família, cozinhando com produtos inflamáveis ou à lenha, como vem acontecendo nos últimos tempos”.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 123073 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.