Em mensagem sobre o ‘Dia Mundial da Liberdade de Imprensa’, secretário-geral da ONU destaca desafios dos profissionais em meio a digitalização da censura

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Secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ferramentais digitais, embora contribuam para democratização no acesso à informação, facilitam também censura e violência; prêmio Guillermo Cano da Unesco saiu para Associação de Jornalistas da Belarus, por ‘bravura’ de profissionais do país.
Secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ferramentais digitais, embora contribuam para democratização no acesso à informação, facilitam também censura e violência; prêmio Guillermo Cano da Unesco saiu para Associação de Jornalistas da Belarus, por ‘bravura’ de profissionais do país.

Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03/05/2022), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destaca o trabalho essencial de jornalistas e outros profissionais da comunicação que “procuram transparência e responsabilidade daqueles que estão no poder”.

Segundo o chefe da ONU, embora muitas vezes corram grande risco, eles seguem na linha de frente para levar informações precisas e para salvar vidas. Guterres destacou o trabalho durante a pandemia e em zonas de guerra, onde são fundamentais para garantir reportagens de qualidade.

Digitalização

O secretário-geral falou do desafio que o crescimento da digitalização impõe à imprensa.

Segundo ele, a tecnologia digital também torna a censura ainda mais fácil. Muitos jornalistas e editores em todo o mundo correm o risco constante dos seus programas e reportagens serem retirados da internet. E a tecnologia digital cria novos canais para opressão e abuso. As jornalistas, por exemplo, correm um risco particular de assédio e violência online.

Para Guterres, o avanço da tecnologia digital, embora contribua para a democratização no acesso à informação, ela também facilita a censura e cria novos canais para opressão e abuso, além de aumentar o risco de assédio e violência.

Um levantamento, citado por ele, indica que quase três em cada quatro profissionais sofreram violência online.

Guterres lembrou que, há 10 anos, foi estabelecido um Plano de Ação para a Segurança dos Jornalistas, para proteger os trabalhadores e acabar com a impunidade dos crimes cometidos contra eles.

Prêmio

Também para a celebração da data, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, premiou a Associação de Jornalistas da Belarus com o Prêmio Mundial da Liberdade de Imprensa/Guillermo Cano.

A cerimônia de entrega do prêmio será em 2 de maio em Punta Del Este, Uruguai, durante a Conferência Global do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

A Associação Bielorussa de Jornalistas foi formada em 1995 como uma entidade não governamental de trabalhadores da mídia com o objetivo de promover a liberdade de expressão e o jornalismo independente em Belarus.

Hoje, reúne mais de 1,3 mil membros e integra a Federação Internacional de Jornalistas e da Federação Europeia de Jornalistas.

Políticos e regimes autoritários

Em agosto de 2021, após uma batida policial em seus escritórios, o Supremo Tribunal de Belarus ordenou a dissolução da organização, a pedido do Ministério da Justiça do país.

O presidente do júri internacional do Prêmio, Alfred Lela, explica que a premiação é uma demonstração que estão ao lado de todos os jornalistas do mundo que criticam, se opõem e expõem políticos e regimes autoritários, transmitindo informações verdadeiras e promovendo a liberdade de expressão.

Para ele, essa é uma forma de dizer “estamos com você e valorizamos sua coragem”.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, destacou que o prêmio, que existe há 25 anos, chama a atenção do mundo para a bravura de jornalistas que se sacrificam tanto em busca da verdade e da responsabilidade.

Ela disse que os profissionais inspiram e lembram da importância de garantir o direito dos jornalistas em todos os lugares de trabalhar de forma livre e segura.

O Prêmio Guillermo Cano leva o nome do jornalista colombiano e fundador do jornal El Espectador assassinado na Colômbia, em dezembro de 1986. Ele foi morto a tiros na frente do prédio do jornal, quando entrava para trabalhar.

*Com informações da ONU News.

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