Brasil continua atolado em desemprego e trabalho precário, diz pesquisa do IBGE

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Queda de 0,1 ponto percentual na taxa de desocupação mantém país na faixa dos 12 milhões de desempregados.
Queda de 0,1 ponto percentual na taxa de desocupação mantém país na faixa dos 12 milhões de desempregados.

Nada de novo no front do estagnado mercado de trabalho brasileiro. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, anunciados nesta sexta-feira (29/04/2022) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram um país atolado na faixa dos 12 milhões de desempregados neste primeiro trimestre. A taxa de desocupação é de 11,1%, ou 11,949 milhões de pessoas que não encontram emprego.

O resultado, 0,1 ponto percentual (p.p.) abaixo dos 11,2% registrados no trimestre encerrado em fevereiro, é o menor para um trimestre encerrado em março desde 2016, quando também foi de 11,1%. Mas ainda está muito distante da mínima histórica alcançada em 2014, sob Dilma Rousseff (6,5%). E não impediu que a população ocupada (95,3 milhões) caísse 0,5%, ou 472 mil pessoas a menos no mercado em três meses.

O nível da ocupação (percentual de ocupados na população em idade de trabalhar) caiu junto, para 55,2%, contra 55,6% no trimestre anterior, na primeira queda em quatro trimestres. A explicação é que não houve crescimento na busca por emprego no trimestre, cenário diferente do histórico, quando, pelo efeito da sazonalidade, sobe a procura por trabalho nessa época do ano.

“Se olharmos a desocupação em retrospecto, pela série histórica, podemos notar que, no primeiro trimestre, essa população costuma aumentar devido aos desligamentos que há no início do ano. O trimestre encerrado em março se diferiu desses padrões”, afirma a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Além disso, a queda do número de trabalhadores por conta própria na comparação com o último trimestre foi de 2,5%, o que representa a saída de 660 mil pessoas. Desse contingente, 475 mil eram trabalhadores sem CNPJ.

“Os empregados sem carteira no setor privado ficaram estáveis, depois de três trimestres em expansão. Já o número de trabalhadores por conta própria teve retração após cinco trimestres de aumento”, comenta a pesquisadora. “No trimestre encerrado em março, essa queda no trabalho por conta própria respondeu pela redução no total da população ocupada.”

Impactada por essa retração, a taxa de informalidade chegou a 40,1%, após redução de 0,6 p.p.. O número de informais caiu 1,9%, totalizando 38,2 milhões. A participação dos trabalhadores por conta própria sem CNPJ nesse recuo foi de 64%. Por outro lado, o número de empregadores cresceu 5,7%. São 222 mil pessoas a mais. O trabalho formal respondeu por boa parte desse número: 186 mil desses empregadores tinham CNPJ.

Trabalho formal desacelera

A população dos empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada cresceu 1,1% e foi estimada em 34,9 milhões de pessoas. “Essa categoria cresceu pelo quarto trimestre consecutivo, porém em percentual menor ao observado nos trimestres de 2021, respectivamente, segundo (1,8%), terceiro (4,4%) e quarto (2,9%) trimestres”, pondera a pesquisadora.

A construção civil registrou redução no contingente de trabalhadores na comparação com o trimestre anterior. O número de empregados desse segmento caiu 3,4%, ou 252 mil pessoas. Os outros setores permaneceram no mesmo nível do período anterior.

“A queda no número de ocupados na construção ocorreu principalmente entre trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira, que representam parcela relevante dos ocupados na atividade”, explica Beringuy. “A queda na informalidade no trimestre pode ser associada à redução desses trabalhadores na construção.”

Com a retração no contingente de ocupados, o crescimento da população fora da força de trabalho foi de 1,4%, ou mais 929 mil pessoas. Já a força de trabalho potencial caiu 6,8%, ou 610 mil pessoas. Esse grupo reúne os que não estavam ocupados nem procuravam vaga, mas tinham potencial para se transformar em força de trabalho. O IBGE considera desempregadas pessoas que efetivamente procuraram emprego nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

Embora o rendimento médio real tenha crescido 1,5% em relação ao trimestre encerrado em dezembro, chegando a R$2.548, ainda permanece 8,7% abaixo do nível do primeiro trimestre de 2021. A massa de rendimento (R$237,7 bilhões) permanece estagnada na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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