Bolsonaro desvia R$ 90 milhões de auxílio aos mais pobres para comprar tratores, diz jornal Folha de S. Paulo

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“O dinheiro deveria ter sido destinado aos mais pobres para mitigar o impacto da pandemia”, diz Humberto Costa.
“O dinheiro deveria ter sido destinado aos mais pobres para mitigar o impacto da pandemia”, diz Humberto Costa.

À frente de um desgoverno incompetente até a medula, Jair Bolsonaro especializou-se no massacre à vida dos mais pobres do país, seja arrochando salários ou garantindo uma inflação disseminada de dois dígitos que aniquila a renda dos trabalhadores. Para atuar de modo mais amplo, no entanto, o extremista de direita sempre que pode usa o expediente da corrupção para atacar os brasileiros mais necessitados. Matéria do jornal Folha e S. Paulo desta segunda-feira (23/05/2022) revela que Bolsonaro desviou R$ 89,8 milhões que deveriam ser usados em ações para atenuar os efeitos da pandemia entre as famílias mais pobres da zona rural para comprar tratores ao Centrão e fortalecer suas bases eleitorais. Segundo o jornal, “os equipamentos agrícolas viraram símbolo de clientelismo político na atual gestão”.

A Folha informa que 247 tratores foram comprados pelo Ministério da Cidadania em uma manobra para descumprir determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) ao governo para liberar os recursos da União e criar uma estrutura para o Sistema de Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional a fim de atender as famílias. Ainda de acordo com a Folha, a operação foi feita “no apagar das luzes de 2021” e ocorreu “antes mesmo de a pasta definir a relação de municípios beneficiados, o que denota a ausência de critérios técnicos”.

“O desgoverno Bolsonaro desviou quase R$ 90 milhões para comprar de tratores para o Centrão”, tuítou o senador Humberto Costa (PT-PE). “O dinheiro deveria ter sido destinado aos mais pobres para mitigar o impacto da pandemia”, afirmou.

“É um escândalo”, reagiu o deputado federal Bohn Gass (PT-RS). “Sobras de orçamento da transição do Bolsa Família para o Auxílio Brasil deveriam ser usadas para amenizar efeitos da pandemia, mas governo comprou tratores superfaturados para aliados políticos. Enquanto isso, mais de 1,3 milhão esperam na fila do Auxílio Brasil”, denunciou o deputado.

O escândalo confirma a prática bolsonarista de usar emendas parlamentares para beneficiar bases eleitorais do governo com os equipamentos. “A diferença agora é a digital do governo federal”, aponta o diário. “Os recursos para essa compra são do próprio orçamento da União”.

O jornal revelou ainda que a pasta começou a remover as verbas no meio do ano passado, afrontando diretamente a determinação do TCU, que autorizou a liberação de recursos não utilizados na mudança do Bolsa Família para o Auxílio Brasil. O tribunal ressaltou que o dinheiro deveria ser “direcionado exclusivamente ao custeio de despesas com enfrentamento do contexto da calamidade relativa à pandemia de Covid-19 e de seus efeitos sociais e econômicos e que tenham a mesma classificação funcional da dotação cancelada ou substituída”.

Os recursos liberados no fim do ano passado estão vinculados à ação orçamentária “20GD – Inclusão Produtiva Rural”, que fornece apoio técnico aos agricultores e auxílio para as famílias inscritas no Cadastro Único. “O número de beneficiados desabou sob governo Bolsonaro, que preferiu comprar máquinas a atender milhares de famílias”, revelou o jornal.

Segundo a reportagem, as máquinas estão no estacionamento da empresa XCMG, contratada pela Cidadania, e que tem sede em Pouso Alegre (MG). De acordo com o jornal, a pasta não enviou os tratores porque não concluiu especificidades técnicas como a escolha das cidades e os termos de doação às prefeituras.

Curiosamente, o estado com o maior número de tratores é a Bahia, que tem como pré-candidato de Bolsonaro ao governo João Roma, ex-ministro da pasta. O estado deverá receber 22 tratores.

Agronegócio

O jornal também teve acesso a um documento assinado pela coordenadora-geral de Fomento, Andreza Colatto, filha de Valdir Colatto, ex-deputado e aliado do agronegócio em Santa Catarina. No documento, Colatto cita o calendário eleitoral para justificar a celeridade dos pagamentos.

“Esta área técnica fez gestão para receber de imediato todos os equipamentos para não só garantir o recebimento dos maquinários no prazo entabulado com o fornecedor, mas também para evidenciar esforços de que todos os bens sejam entregues até a data que culmina nos três meses que antecedem o pleito eleitoral”, diz a nota assinada por ela.

“O fato é que se trata de uma ação totalmente descabida. Claramente são politicagens sem conexão com a realidade”, declarou o diretor de sistemas alimentares e agroecologia do Instituto Fome Zero e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Silvio Porto. Ao jornal, Porto sinalizou que o governo deveria investir de verdade na produção alimentar, citando o programa de cisternas dos governos do PT, hoje desmantelado por Bolsonaro.

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