A superioridade da Sociedade Aberta | Por Joaci Góes

Financista George Soros publicou obra 'Em Defesa da Sociedade Aberta' Eleito pelo Financial Times Personalidade do Ano de 2018, o lendário filantropo e investidor George Soros criou a Open Society Foundations em 1979 para promover os valores da sociedade aberta, dos direitos humanos e da democracia liberal. Nas décadas seguintes, regimes repressivos como a União Soviética desmoronaram, e sociedades abertas como a União Europeia emergiram. A tendência apenas se tornou negativa após a crise financeira mundial de 2008. O ponto mais baixo foi em 2016, com o Brexit na Europa e a eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos. Soros foi um participante ativo desses eventos e tem muito a dizer sobre eles. Em defesa de uma sociedade aberta é uma seleção de seis conferências e textos produzidos por George Soros no período de 2014 a 2019. Inclui dois discursos do autor no Fórum Econômico Mundial em Davos, 2018 e 2019, sobre os perigos sem precedentes enfrentados pelas sociedades abertas atualmente. O primeiro discurso trata das ameaças representadas pelas plataformas de mídias digitais, e o segundo faz um alerta para o risco ainda maior representado pelos instrumentos de controle que, graças à inteligência artificial, podem cair nas mãos de regimes repressivos, em especial da China e da Rússia. Há ainda ensaios sobre filantropia política; a história das instituições fundadas por Soros, Open Society Foundations e Universidade Centro-Europeia (CEU); a teoria de Soros sobre a ascensão e a queda dos mercados financeiros e suas implicações políticas; e as ameaças que a União Europeia enfrenta hoje.
Financista George Soros publicou obra 'Em Defesa da Sociedade Aberta'. Tema é abordado pelo pensador liberal Joaci Góes.

Ao casal amigo Andrea e Ricardo Melo.

Ao longo da reclusão imposta pela Covid 19, fizemos uma pausa na redação dos nossos Fragmentos de Memórias, para escrever ‘Esquerdas e Direitas: A superioridade da Sociedade Aberta’, com o propósito de contribuir para a compreensão de uma questão tão intensamente discutida, na grande maioria das vezes com base em monumentais equívocos exegéticos, a partir, inclusive, de emproados acadêmicos. A Editora Topbooks promete trazer o trabalho à luz, ainda no corrente semestre.

A queda do Muro de Berlim, seguida do desmoronamento da União Soviética, provocou a reformulação do tradicional conceito da esquerda político-ideológica, ensejando a emergência de novas interpretações, variando desde os que anunciaram o seu fim até os que afirmam que o seu conceito foi, apenas, ampliado, para caber novas dimensões, uma vez que haverá, sempre, uma esquerda, enquanto houver desigualdades entre as pessoas. Conceito que vai muito além na opinião de Richard Rorty (1931-2006), para quem esquerda e direita existirão enquanto houver pobres e ricos. Filiamo-nos a essa corrente de pensamento.

Para cumprir o ambicioso projeto, decidimos anatomizar o tema, numa linguagem que esteja ao alcance de um público de escolaridade média, sem prejuízo de sua abrangência, isenção e profundidade. Para alcançar essa difícil combinação de densidade, clareza e simplicidade, consultamos os mais qualificados pensadores que versaram a matéria, no tempo e no espaço. Só não conseguimos ser breves, tarefa de cujo cumprimento o Padre Antônio Vieira desculpou-se, por não ter sido capaz, com o argumento de não ter tido tempo de aprender a sê-lo!

Como eixo da discussão esquerdas x direitas encontra-se a luta pelo predomínio da liberdade ou da igualdade nas relações sociais, daí resultando seis tendências, três para a esquerda e três para a direita, nas dimensões democrática, autoritária e totalitária. A representação gráfica dessas seis tendências é esférica e não linear, para ensejar que junto à linha divisória da base do círculo apenas uma linha separe a esquerda totalitária da direita totalitária. De tal modo que a passagem da esquerda totalitária para a direita totalitária se processe sem ruído ou derramamento de sangue, como ocorreu com a Rússia e a China, do Comunismo para o Fascismo com que Hitler tanto sonhou. Cuba já se encontra sob o regime fascista, aguardando, apenas, a morte do irmão de Fidel Castro para que assuma, ostensivamente, seu novo status, para gáudio dos donos do poder ali associados com um número crescente de bilionários, como ocorre com a Rússia do genocida Putin e a China de quase tantos bilionários quantos os existentes nos Estados Unidos. O Comunismo da Coreia do Norte caminha na mesma e inexorável direção. Efeito boomerang que sucede sempre que investimos contra a natureza das coisas!

O pensador alemão Eduard Bernstein (1850-1932), ao lado de Ludwig von Mises, é cada vez mais reconhecido como o crítico mais consistente das fragilidades do Materialismo Histórico, a mais ostensiva das quais seria o peso excessivo que atribuiu ao fator econômico como causa das desigualdades sociais, a ponto de dividir a sociedade entre empregadores e empregados. Marx não tinha como prever que um operário que hoje ganha três mil Reais por mês tem acesso a ar refrigerado e a informações numa quantidade e qualidade inalcançáveis pelos mais ricos e poderosos a, apenas, um século. Diferentemente do que imaginou, cresce, em toda parte o número dos que passam dos andares de baixo para os de cima, tendo a educação como fator decisivo.

Sem dúvida: gente bem educada não vota em ladrões!

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).

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Sobre Joaci Góes 28 Artigos
Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB), ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB) e ex-presidente da Academia de Letras da Bahia (ALB).