Sanções contra a Rússia podem causar um dos piores choques de oferta de petróleo da história, diz OPEP

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Mohammed Barkindo, secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo
Atuais e futuras sanções antirrussas poderiam causar um dos piores choques de oferta de petróleo da história, avisou o secretário-geral da OPEP, Mohammed Barkindo, os altos funcionários da UE, acrescentado que seria impossível substituir o volume de óleo perdido em tal situação.

Conforme afirmou Barkindo na segunda-feira (11/04/2022), cerca de sete milhões de barris de petróleo russo estão abandonando diariamente o mercado global em resultado das sanções e outras restrições sobre o comércio do país impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) e aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Ele disse ainda que a volatilidade atual no mercado se deve a “fatores não fundamentais” e fora do controle da OPEP, sendo responsabilidade da União Europeia promover uma abordagem “realista” quanto à transação energética.

Recentemente, a UE se juntou aos planos dos EUA e do Reino Unido em impor embargo aos produtos energéticos da Rússia. Contudo, ao contrário de Washington e Londres, os países da Europa importam a maior quantidade de fornecimentos de energia da Rússia, e os especialistas alertam que a tentativa de cortar as entregas poderia levar a resultados catastróficos.

Em particular, a Alemanha prevê um colapso de indústrias inteiras, enquanto o chefe do gigante energético austríaco OMV declarou que seria “impossível” para o seu país parar de comprar o gás russo.

Embora os Estados Unidos tenham prometido aumentar e preencher as lacunas com suas exportações de gás natural liquefeito mais caro, a maior parte dos terminais de GNL na Europa já estão funcionando na capacidade plena, o que significa que não haveria lugar para armazenar o combustível.

No entanto, o Parlamento Europeu exigiu, na semana passada, um embargo imediato e total às importações russas de petróleo, carvão, gás natural e combustível nuclear. Mas alguns países, como a Hungria e a Eslováquia, deixaram claro que planejam ignorar a proibição por autopreservação, embora outras nações tenham avisado os seus cidadãos para apertarem os cintos e se prepararem para tempos difíceis.

O petróleo e o gás não são as únicas mercadorias cujo suprimento está acabando em meio ao conflito na Ucrânia. A Rússia e a Ucrânia juntas produzem cerca de um terço das exportações mundiais de trigo, e ambos os países também são grandes exportadores de óleo de girassol e fertilizantes. Como resultado, os preços dos alimentos atingiram máximos históricos, e muitos países e ONGs estão alertando para a escassez de alimentos no futuro próximo.

Especialista em energia explica por que petróleo russo é difícil de substituir na Europa

O petróleo russo tem duas vantagens que lhe permitem ser exportado em volumes suficientemente grandes, apesar das sanções impostas. Em entrevista, um especialista russo do setor energético falou sobre essas características.

Aleksei Gromov, do Instituto de Energia e Finanças, constatou que as sanções antirrussas dificultam muito as entregas de petróleo da marca Urals aos consumidores no exterior, porém as caraterísticas únicas desse combustível o tornam quase insubstituível no mercado europeu, ressalta.

De acordo com suas palavras, as refinarias na Europa estiveram desde o início orientadas para o refino de petróleo russo.

“É bem difícil substituir o petróleo russo no mercado europeu. E não é que seja impossível encontrar uma quantidade adequada deste combustível para substituir o russo. Nosso petróleo [da marca Urals], pelos seus parâmetros físico-químicos, é ideal para as refinarias da Europa. Acontece que estas refinarias foram originalmente concebidas para o petróleo da marca Urals”, indica o especialista.

Não é só a Europa que está disposta a comprar recursos energéticos russos, as entregas do petróleo Urals podem ser redirecionadas do Ocidente para o Oriente, sugeriu. Isso é mais uma vantagem da marca russa como produto de exportação, acrescentou.

“Nas últimas semanas [desde a nova rodada de sanções contra a Rússia], as empresas russas conseguiram parcialmente refazer as cadeias logísticas de suprimentos para redirecionar o petróleo aos compradores em outras regiões do mundo. Isso foi feito a fim de entregar remessas aos países que estão prontos a comprá-las. No início, tinha alguns riscos, mas agora o sistema de entregas está se ajustando”, opina Gromov.

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