Pesquisador Nelson Montenegro comenta sobre cenário das Eleições 2022 e organização dos partidos e candidatos na disputa do pleito

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Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL), Sérgio Moro (UB), João Dória (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) são políticos protagonistas das Eleições 2022.
Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL), Sérgio Moro (UB), João Dória (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) são políticos protagonistas das Eleições 2022.

O professor Dr. Eugênio Pinheiro Montenegro, membro do corpo docente e pesquisador de Teoria Política do programa de Ciências Sociais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), comenta sobre o cenário que se forma, com o fim do período de mudança partidária e de filiação à novos partidos permitido pela legislação com fins de definição dos políticos sobre com qual das legendas pretendem disputar as Eleições 2022, nos estados e para presidência da República. 

No pleito de 2022, podem ser eleitos o presidente da República, vice; governadores, vice; senadores e deputados federais e estaduais. Eles formam a alta administração do Estado e vão definir — à exceção dos senadores eleitos com mandatos de 8 anos — os próximos 4 anos da política do Brasil. 

As Eleições Gerais do Brasil estão agendadas para o dia 2 de outubro, em primeiro turno, e 30 de outubro, em segundo turno. Apenas os candidatos aos cargos do Poder Executivo é que disputam o segundo turno, em situações onde o candidato que pontuar como primeiro colocado, no primeiro turno não obtiver 50% + 1 dos votos válidos.

Observa-se que a conjuntura política está em processo de consolidação. No momento, os partidos habilitam os pré-candidatos e confirmam se pretendem formalizar Federações Partidárias, ou seja, união de dois partidos ou mais, situação que obriga as legendas a seguirem em âmbito nacional e estadual uma composição previamente estabelecida de aliança suprapartidária. 

Sobre esse contexto político-eleitoral em transformação, o professor Eugênio Montenegro comenta: 

— O mês de março de 2022 se encerra e traz um novo panorama na disputa eleitoral para presidente do Brasil. Com o fim do período das trocas partidárias, como também, do requerimento de desligamento dos cargos de políticos que desejam concorrer para cargos diferentes dos que ocupam. ficam mais nítidas as intenções de partidos e candidatos.

Quanto aos partidos, o principal vencedor do período é o Partido Liberal que conseguiu atrair junto com o candidato Jair Bolsonaro, presidente da República, trinta e três deputados e se tornar a maior bancada da Câmara federal. O PL se torna assim a principal referência do bloco de Direita que tinha ainda o Republicanos e Partido Progressista nesta disputa pelos espólios da bancada governista. O Republicanos parecia, a algum tempo atrás, ser o verdadeiro candidato a se tornar a referência do grupo com a indicação de Ciro Nogueira para a Casa Civil e o fortalecimento da Casa Civil como decisória das efetivações de emendas parlamentares.

—  O principal perdedor parece ser a União Brasil, com a transferência de vinte e sete parlamentares de sua bancada. O que é um paradoxo que precisa ser explicado. A União Brasil se tornou o partido com a maior parte do fundo eleitoral, e portanto, era de se esperar uma migração intensa para sua legenda. Também, a União Brasil foi a mais bem sucedida junção de partidos do período recente. Então a conclusão a que chegamos é a de que o vínculo entre a figura de um candidato à presidência parece ser mais forte do que o dinheiro disponível para campanha. O que contradiz os achados acadêmicos.

Quanto aos candidatos à presidência comecemos por Moro, que iniciou sua campanha muito bem com mais de 10% de intenção de votos. Mas que nas últimas pesquisas perdeu boa parte dessa intenção e com isso se diplomou na política e percebeu que era melhor garantir uma vaga no parlamento do que se tornar um ator quase irrelevante, ao mesmo tempo que percebeu o paradoxo da União Brasil e a possibilidade de se tornar um líder no partido.

Bolsonaro conseguiu convencer o centrão de que é um candidato capaz de vencer as eleições. Trouxe para o PL os parlamentares mais leais, afagou o Republicanos com a chave do tesouro das emendas parlamentares, retirada da economia. Convenceu os monetaristas de que é preciso ganhar a eleição para poder ser monetarista E mesmo com uma inflação de 10% mantém um base de intenções de voto de mais de 20%, que se divide em eleitores ideológicos, beneficiários do auxilio Brasil e desiludidos com outros candidatos.

Por fim temos Lula, que se encontrava numa situação bem sossegada de quase vitória no primeiro turno para uma situação de disputa ideológica acirrada depois de Março. Sua principal carta na manga foi o convite a Geraldo Alckmin (PSB) para vice, repetindo a fórmula de ter como vice alguém que acalmasse o mercado. Com os acertos na esquerda com o PSOL e o PSB, parte para um confronto mais ríspido com seus adversários.

Bem, abril se inicia, e a campanha começou para valer, não tem copa para amenizar as discussões, não tem uma terceira via para diluir distensões. O horário político começa em 26 de agosto, quando segundo as pesquisas acadêmicas os eleitores vão realmente decidir seu voto. Mas as aguas de março passaram e com elas as campanhas foram definidas.

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Sobre Carlos Augusto 10036 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).