Mundo tem maior alta de conflitos violentos desde fim da Segunda Guerra, diz António Guterres secretário-geral da ONU

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Alerta do secretário-geral, António Guterres, foi feito ao Conselho de Segurança em sessão sobre Comissão de Consolidação da Paz.
Alerta do secretário-geral, António Guterres, foi feito ao Conselho de Segurança em sessão sobre Comissão de Consolidação da Paz.

A paz é a tarefa mais importante das Nações Unidas. Mas esta tarefa está se tornando maior, a cada dia, com conflitos que vão do Haiti à região do Sahel, na África, do Iêmen a Mianmar, e agora na Ucrânia.

Foi assim que o secretário-geral da ONU, António Guterres, iniciou seu discurso no Conselho de Segurança sobre a Comissão de Consolidação da Paz e Paz Sustentada.

Criação da ONU

Guterres lembrou que o mundo enfrenta hoje o maior número de conflitos violentos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, data também da criação da ONU. Ao todo, 25% dos habitantes do mundo estão em áreas afetadas por conflitos.

Ele ressaltou um alto número de golpes militares pelo globo e um senso perigoso de impunidade.

Segundo o secretário-geral, a situação na Ucrânia é uma catástrofe que sacode os fundamentos da ordem internacional, se espalha pelas fronteiras e faz aumentar o preço dos alimentos, dos combustíveis e de fertilizantes levando desastre aos países em desenvolvimento.

O chefe da ONU contou que recursos financeiros estão sendo redirecionados ao combate à fome e à pobreza agravadas pela pandemia.

Redes criminosas

Para Guterres, a lei internacional de direitos humanos está sendo atacada, e arsenais nucleares ampliados.

O secretário-geral lembrou que redes criminosas e terroristas estão lucrando com divisões e conflitos. E quem paga o maior preço desse caos são as pessoas mais carentes e pobres.

No ano passado, conflitos e violência obrigaram 84 milhões de pessoas a saírem de suas casas.

Somente este ano, 274 milhões de homens, mulheres e crianças precisarão de ajuda humanitária para sobreviver.

O chefe das Nações Unidas disse que a arquitetura internacional de consolidação da paz deve estar preparada para responder a esse cenário global.

Agenda para a Paz e financiamento

Ele voltou a apelar para a Nova Agenda para a Paz que coloca a prevenção e a construção da paz no centro das ações.

Ao citar exemplos positivos, Guterres citou a Côte d’Ivoire, ou Costa do Marfim, onde a ONU atuou com comunidades para aliviar as tensões na eleição presidencial de 2020, e fomentou um diálogo políticos com mulheres e jovens.

Ele citou ainda um Plano Abrangente de Desenvolvimento que apoiar a paz nos países do norte da América Central.

Outros casos de resultado do trabalho da Comissão de Consolidação da Paz são Papua Nova Guiné, Colômbia e a República Centro-Africana.

O chefe da ONU afirmou que a consolidação da paz funciona e que é um investimento comprovado.

No ano passado, o fundo de consolidação da paz cresceu investindo US$ 195 milhões. Mas como as contribuições são voluntárias, existe um descompasso entre a verba doada e a demanda.

A ONU está tentando resolver a lacuna com um orçamento separado que foi enviado pelo secretário-geral à Comissão de Orçamento da Assembleia Geral na qual foi pedido mais US$ 100 milhões em contribuições previstas.

O chefe da ONU acredita que o financiamento deve ser previsível e sustentado principalmente no estágio de transição das operações de paz.

Ele quer mais apoio para mecanismos de prevenção incluindo um sistema robusto de alerta, capacidade de mediação e dados analíticos sobre discurso de ódio e crises possíveis.

As Nações Unidas também defendem a criação de financiamento flexível para programas de consolidação da paz na sociedade civl, especialmente com mulheres e jovens.

Segundo Guterres, os países-membros devem dedicar pelo menos 20% de sua Ajuda Oficial de Assistência a construção da paz em contextos de conflitos.

O chefe das Nações Unidas convocou um Encontro de Alto Nível, marcado para abril, para buscar soluções concretas. Para Guterres, é preciso fazer mais nos esforços humanitários, de paz e desenvolvimento.

Ele concluiu lembrando que na última década, o mundo investiu US$ 349 bilhões em operações de paz, socorro humanitário e apoio a refugiados.

Já as despesas com orçamentos militares aumentaram para quase US$ 2 trilhões em 2020.

Segundo ele, quando se calcular o custo de uma guerra para a economia global e principalmente para cada pessoa morta em conflitos, manter a paz sai mais barato além de ser um pré-requisito para um futuro melhor para todos.

*Com informações da ONU News.

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