Mídia dos EUA e aliados da OTAN ignoram revelações ‘assustadoras’ sobre armas biológicas desenvolvidas na Ucrânia

Publicidade

Banner da Gujão: Campanha com o tema ‘Tudo fresquinho é melhor’, veiculada em 3 de junho de 2022.
Evidencias demonstram que Governo dos EUA e aliados da OTAN participaram de programar militar biológico na Ucrânia.
Evidencias demonstram que Governo dos EUA e aliados da OTAN participaram de programar militar biológico na Ucrânia.

Especialista em teoria das relações internacionais e em segurança comenta gravidade dos documentos revelados pela Rússia sobre laboratórios biológicos na Ucrânia e critica inércia do mundo ocidental com relação ao caso.

Na quinta-feira (14/04/2022), o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, tenente-general Igor Kirillov, revelou detalhes sobre o projeto de armas biológicas dos Estados Unidos em laboratórios na Ucrânia.

Os documentos mostram que os especialistas ucranianos trabalharam na criação de armas de destruição em massa. Os subsídios eram distribuídos pelo Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano (STCU, na sigla em inglês), seguindo interesses do Pentágono.

O tenente-general apontou, inclusive, nomes dos envolvidos no projeto secreto promovido por Washington. Um dos citados foi o norte-americano Curtis Bjelajac, que ocupava o cargo de diretor-executivo do STCU. Nascido na Califórnia, ele trabalha na Ucrânia desde 1994, de acordo com o levantamento.

O anúncio foi feito com base no resultado da análise documental sobre as atividades biológicas militares dos EUA na Ucrânia.

Segundo Kirillov, os documentos obtidos pelo Ministério da Defesa da Rússia confirmam a conexão entre o STCU e o departamento militar dos EUA. O elo é a empresa de engenharia Black & Veatch, principal contratada do Pentágono.

O ministério revelou que teve acesso a uma mensagem em que o vice-presidente da empresa, Matthew Webber, expressa sua disponibilidade para trabalhar com o STCU na pesquisa biológica militar em andamento na Ucrânia.

O tenente-general Igor Kirillov, diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, durante pronunciamento sobre laboratórios biológicos norte-americanos na Ucrânia

A professora Isabela Gama, especialista em teoria das relações internacionais e em segurança e pesquisadora pós-doutoranda da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), classificou as revelações como “absolutamente assustadoras”.

Apesar de considerar fundamental uma ampla investigação internacional sobre os novos fatos, ela vê a possibilidade como “bem pouco provável”.

“Honestamente, não acredito. Quase toda a mídia ocidental que comentou o assunto disse que a Rússia está fazendo falsas alegações para tentar desviar a atenção e o foco do público das próprias acusações contra a Rússia, como o caso de Bucha e outras”, ressaltou Gama.

Para a especialista, não há mais compromisso com a verdade, apenas acusações de “espalhar fake news”, sem mesmo se considerar, ao menos, um pedido de investigação.

“Chegamos ao ponto em que me parecem estar levando para um lado de guerra informacional. Os EUA já negaram participação em pesquisas e a utilização de armas químicas na Ucrânia. Acho possível que fique nessa guerra de narrativas”, disse.

Segundo os documentos revelados, os EUA gastaram 350 milhões de dólares (cerca de R$ 1,65 bilhão) para financiar o projeto na Ucrânia.

Sob direcionamentos de cientistas norte-americanos, especialistas ucranianos estudavam a possibilidade de disseminar cólera, febre tifoide, hepatite A e E através da água. A intenção, relatou Kirillov, seria criar uma situação biológica desfavorável na Rússia e na Europa Oriental.

“Conduziram sistematicamente a amostragem de água em vários rios importantes da Ucrânia, incluindo o Dniepre, Danúbio e Dniester, e também no canal norte da Crimeia, com o objetivo de estabelecer a presença de patógenos particularmente perigosos, incluindo cólera, febre tifoide, hepatite A e E patógenos, e tirar conclusões sobre a possibilidade de sua propagação pela água”, explicou Kirillov.

No início de março, após a descoberta dos laboratórios, o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação já havia afirmado que as atividades eram uma violação dos EUA e da Ucrânia da convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a proibição de armas biológicas e à base de toxinas.

Na ocasião, Kirillov revelou que os países promoveram experimentos com bactérias da peste, antraz e brucelose em um laboratório biológico de Lvov, e com difteria, salmonelose e disenteria nos laboratórios de Carcóvia e Poltava.

Apenas em Lvov foram destruídos 232 recipientes com leptospirose, 30 com tularemia, dez com brucelose e cinco com peste.

EUA reconhecem suas operações e entregas de armas de destruição em massa na Ucrânia

Baseando-se em documentos do Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano, o Ministério da Defesa da Rússia informou que os EUA reconheceram as operações para criação de meios de entrega de armas de destruição em massa no território ucraniano.

Os referidos documentos mostram que os especialistas ucranianos trabalharam na criação de meios de entrega de armas de destruição em massa, segundo Igor Kirillov, chefe das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia durante briefing sobre o resultado da análise documental com relação às atividades biológicas militares dos EUA na Ucrânia.

Além disso, Kirillov ressaltou que foi criado o Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano (STCU, na sigla em inglês) que distribuiu subsídios aos experimentos de interesse do Pentágono, inclusive na esfera de armas biológicas.

“Vou dar os nomes dos funcionários que estiveram envolvidos na implementação de programas biológicos militares. O cargo de Diretor Executivo do STCU é ocupado pelo cidadão norte-americano Curtis Bjelajac. Nascido em 27 de agosto de 1968, na Califórnia, estudou na Universidade Anderson of Management na Califórnia […e] trabalha na Ucrânia desde 1994”, disse Kirillov. Segundo ele, o vice-secretário de Estado adjunto para programas de não-proliferação dos EUA, Phillip Dolliff, supervisiona em nome de Washington.

Kirillov observou que os documentos obtidos pelo Ministério da Defesa da Rússia confirmam a conexão entre o STCU e o departamento militar dos EUA por meio do principal contratado do Pentágono, a empresa de engenharia Black & Veatch. O ministério russo tem a correspondência do vice-presidente desta empresa, Matthew Webber, onde ele expressa sua disponibilidade para trabalhar com o STCU na pesquisa biológica militar em andamento na Ucrânia.

Os EUA gastaram US$ 350 milhões (R$ 1,65 bilhão) para projetos do centro, que atribuiu subsídios para pesquisas de interesse ao Pentágono, incluindo na área de armas biológicas, de acordo com o militar.

“[…] O Centro de Especialistas de Ameaças Químicas e Biológicas do Ministério da Defesa da Rússia determinou que o principal tipo de atividade do Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano era realizar funções de centro de distribuição de subsídios para pesquisas de interesse do Pentágono, incluindo na área de armas biológicas”, afirmou Kirillov.

Os clientes e patrocinadores da Ucrânia do lado norte-americano correspondiam aos Departamentos de Estado e de Defesa dos Estados Unidos. E o financiamento do centro ocorria também através de uma agência de proteção do meio ambiente e dos departamentos de Agricultura, Saúde e Energia americanos.

“Usando uma formulação como essa, Washington na verdade reconhece a execução por especialistas ucranianos de trabalhos para criação de meios de entrega e aplicação de armas de destruição em massa e assume convenientemente a continuação do financiamento deles”, afirmou.

No documento é apontado detalhadamente que “é observado um fluxo de cientistas especializados em criar meios de entrega e armas modernas, de funcionários de institutos ucranianos […] e de especialistas no desenvolvimento de armas biológicas, radiológicas, químicas e nucleares. Os funcionários mais capacitados com experiência em trabalhar com materiais e tecnologias de dubla finalidade [estima-se entre 1.000 e 4.000 pessoas] foram encontrados em condições profissionais e financeiras desfavoráveis. Isso fez com que eles buscassem novas oportunidades em outros países, para colaborarem em programas de armas de destruição em massa, criação de meios de entrega e outras armas […]”.

Alemanha mantém programa biológico-militar na Ucrânia, afirma diplomata russo

Os eventos financiados pelo governo dos EUA e várias organizações eram “destinados exclusivamente aos membros da comunidade científica e técnica ucraniana que deixaram o país em 2022 e que possuem amplo conhecimento no desenvolvimento de armas de destruição em massa, meios de entrega e outras armas que são mais vulneráveis a passarem para Estados hostis”.

Uma estimativa preliminar determinou que era necessário o governo americano gastar US$ 12 milhões (R$ 56,55 milhões) e US$ 10 milhões (R$ 47,13 milhões) em 2022 e 2023, respetivamente, para desenvolver e implementar o programa. Já em 2024 seriam necessários mais US$ 9 milhões (R$ 42,42 milhões) para completar e encerrar o programa.

Em março, os Estados Unidos ofereceram US$ 31 milhões por três anos para o programa de contratação de especialistas em armas de destruição em massa que deixaram a Ucrânia.

O documento em questão foi elaborado pelos curadores do Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano e assinado no dia 11 de março de 2022.

Experiências biológicas e químicas

Os documentos revelam que especialistas da Ucrânia, sob direção de cientistas dos EUA, estudaram a possibilidade de disseminar cólera, febre tifoide, hepatite A e E pela água para criar uma situação biológica desfavorável na Rússia e Europa Oriental, resumiu Kirillov.

“[…] Conduziram sistematicamente a amostragem de água em vários rios importantes da Ucrânia, incluindo o Dniepre, Danúbio e Dniester, e também no canal norte da Crimeia, com o objetivo de estabelecer a presença de patógenos particularmente perigosos, incluindo cólera, febre tifoide, hepatite A e E patógenos, e tirar conclusões sobre a possibilidade de sua propagação pela água”, disse ele.

Segundo o chefe das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, foram avaliadas as propriedades prejudiciais das amostras, que depois foram depositadas em uma coleção e exportadas para os EUA, como parte do projeto 3007, Monitoramento da Situação Epidemiológica e Ambiental sobre Doenças Perigosas Transportadas pela Água.

“Têm pela frente os recursos aquáticos da Ucrânia. Sua análise demonstra que os resultados dos trabalhos efetuados podem ser utilizados para criar uma situação biológica desvantajosa não só no território da Federação da Rússia, mas também nos mares Negro e de Azov, e também nos países do Leste Europeu – Belarus, Moldávia e Polônia”, acrescentou.

O alto responsável russo disse que entre 2019 e 2021 cientistas norte-americanas conduziram experiências potencialmente perigosas com medicamentos sobre pacientes do Hospital Psiquiátrico Nº3, na cidade de Merefa, região da Carcóvia, e que foram escolhidas pessoas com distúrbios mentais levando em conta sua idade, nacionalidade e estado imune.

Eles teriam sido monitorizados 24 horas por dia em formulários especiais. Os dados não surgiram no banco de dados do hospital, e os médicos concordaram em não divulgar a informação.

“Em 8 de janeiro de 2022, as atividades do laboratório em Merefa foram interrompidas, [e] todos os equipamentos e medicamentos foram transportados para a Ucrânia ocidental. Há vários testemunhas destas experiências desumanas, cujos nomes não podemos revelar para assegurar sua segurança”, detalhou.

A inteligência russa também encontrou em 9 de março três drones com pulverizadores químicos da Ucrânia, havendo também informações de que os ucranianos adquiriram 50 tais aeronaves, segundo Kirillov.

O Ministério da Defesa russo está preocupado com estas atividades biológicas dos EUA, especialmente fora de seu país, apontou o tenente-general.

“Nossa preocupação com as atividades de Washington na Ucrânia está ligada a que, contrário de suas obrigações internacionais, os EUA mantiveram na legislação nacional normas que permitem trabalhar na área das armas biológicas”, apontou, referindo que os EUA deixaram uma séria de exceções quanto à aplicação de armas químicas e tóxicas no respetivo Protocolo de Genebra, assinado em 1925.

Essas incluem a permissão do uso retaliatório de tais armas, e a prevenção de responsabilização criminal de participantes norte-americanos de pesquisas nessas áreas, assinalou Igor Kirillov.

A Alemanha, junto com os EUA, efetuou atividades biológico-militares intensivas na Ucrânia por muitos anos, disse no sábado (16/04) a representante oficial do MRE russo, Maria Zakharova.

Ela afirmou que isto motiva Berlim “a ser mais ativa que outros países da UE na tentativa de atribuir” à Rússia planos de usar armas biológicas e químicas na Ucrânia.

“De acordo com informação confirmada, o lado alemão coordenava de maneira muito próxima seu trabalho no âmbito da segurança biológica com seus aliados americanos, que criaram na Ucrânia uma rede de ao menos 30 laboratórios biológicos onde, entre outros, eram realizadas pesquisas científicas perigosas”, afirmou Maria Zakharova em entrevista ao RT.

“Exortamos as autoridades alemãs a pararem de imediato a divulgação de falsas fabricações sobre a suposta intenção de nosso país de usar, por meio da Defesa Aérea das Forças Armadas da Rússia, armas proibidas pelo direito internacional”, ressaltou ela.

Tais declarações permitem “incentivar os batalhões neonazistas ucranianos a cometer terríveis provocações, cuja responsabilidade moral por suas consequências trágicas recairá inclusive sobre Berlim”, afirmou a representante.

Anteriormente, a Defesa russa revelou que documentos obtidos de funcionários de diversos laboratórios biológicos ucranianos indicam que Kiev tinha planos de usar drones para espalhar substâncias tóxicas.

Segundo afirmou logo depois Igor Kirillov, líder das Tropas de Proteção Nuclear, Biológica e Química das Forças Armadas da Rússia, no território da Ucrânia existia uma rede de mais de 30 laboratórios biológicos que funcionavam nos interesses do Pentágono. No entanto, tudo o que era necessário para a continuação do programa biológico-militar dos EUA foi retirado da Ucrânia após o início da operação militar especial russa, disse ele.

*Com informações da Sputnik Brasil.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 123355 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.