Chefe da ONU comenta sobre conflito entre Rússia e Ucrânia

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Bombardeios na cidade de Mariupol.
Bombardeios na cidade de Mariupol.

António Guterres, secretário-geral da ONU concedeu entrevista à jornalistas, durante estada em Kiev, capital da Ucrânia.

António Guterres chegou à Ucrânia nesta quarta-feira (27/04/2022), um dia antes de seu encontro com o presidente do país, Volodymyr Zelensky. Na terça-feira (26), ele foi recebido pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, e pelo chanceler do país, Sergey Lavrov. Antes de chegar à Kiev, Guterres agradeceu ao povo da Polônia pela solidariedade em receber os ucranianos durante encontro com o presidente polonês, Andrzej Duda.

Confira trechos da entrevista

“Neste momento estão a decorrer sessões entre as Nações Unidas, o CCR, o Ministério de Defesa russo e aqui também as autoridades ucranianas no sentido de ver as modalidades concretas para a evacuação. A evacuação é muito complexa como pode calcular. E, portanto, houve acordo ao princípio com o presidente Putin, e ficou acordado que os detalhes seriam discutidos nestas reuniões que estão a decorrer nesse momento.

Nós temos 1,4 mil pessoas a trabalhar na Ucrânia. Mais de 3 milhões de ucranianos já receberam apoio humanitário por parte das Nações Unidas.

(….)

Esta operação é em relação à visita oficial e nós esperamos que se encontre uma solução de acordo entre todos para que se possa realizar uma ação humanitária que tenha um valor extraordinário. Porque, imaginem que é um conjunto de mulheres e crianças num bunker, no escuro, desprovidas de tudo e no meio de uma guerra. Portanto, era a prioridade das prioridades. Era assim entendido pelo governo ucraniano e é assim também entendido por nós, espero que os contatos que estão a decorrer para afinar uma operação muito complexa, com o acordo de todos, tenham êxito.

(…)

O nosso objetivo era fazer essa operação nesta sexta-feira, era nosso objetivo. Mas, naturalmente, era preciso que as situações sejam criadas para que assim fizéssemos. Não posso garantir porque ainda estamos a discutir as modalidades.

Esta operação é particularmente ligada porque não se trata de pessoas, digamos, nas suas casas, em sítios públicos, de cidades para serem evacuadas, trata de pessoas que estão dentro de uma fortaleza subterrânea em condições verdadeiramente dramáticas. Há aqui um problema de confiança. Confiança das pessoas que podem sair e também que isso não é utilizado indevidamente por outros atores. Portanto essa ação deve ser feita com muita delicadeza. Os outros como são mais simples, desde que haja a possibilidade de cessar as hostilidades por um certo período em determinadas zonas.

(…)

O que foi dito ontem que havia um acordo de princípio e que iríamos ver as modalidades. Foi isso aliás que eu comuniquei na saída da reunião quando o ministro Lavrov e o presidente disse que ia encarar a situação e o ministro Lavrov confirmou que havia um acordo de princípio e que iriam tratar dos detalhes.

(…)

As nossas posições têm sido muito claras desde o princípio. Para nós, esta é uma invasão da Ucrânia pela Federação Russa, que é uma invasão contrária à Carta das Nações Unidas, que violava a integridade territorial da Ucrânia e que a guerra deveria acabar o mais cedo possível. Ao mesmo tempo, é verdade que nós e outras entidades, o Santo Padre, diversas outras entidades no mundo, tem pedido um cessar-fogo completo nessa região e que as negociações políticas possam ocorrer com esse cessar-fogo. Até agora, não houve condições para o fazer. Eu mantive essa posição e voltei a reafirmá-la em Moscovo, mas ao mesmo tempo dado que a questão de Mariupol estava completamente paralisada foi muito importante ter com o presidente Putin uma conversa séria sobre a necessidade da operação. Esperamos, obtido o acordo de princípio que seja possível encontrar as modalidades práticas e simultaneamente que satisfaçam as autoridades russas e ucranianas e os nossos princípios.

Pode falar da ameaça nuclear expressa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo?

AG: Eu creio que ele não fez uma ameaça.

Esboçou ou deixou implícito que…

AG: Eu acho que todos nós temos que trabalhar para que uma hipótese dessas seja uma hipótese completamente impensável nas nossas sociedades.

O presidente russo está disponível para acolher os bons ofícios do secretário-geral na mediação política do conflito?

A mediação política do conflito é uma mediação na qual as Nações Unidas não estão integradas. Desde o princípio não houve aceitação da utilização das Nações Unidas nessa mediação política. E é uma posição clara que vem os Acordos de Minsk, que vem do formato Normandia, em que as Nações Unidas nunca foram convidadas a participar. Mas não é uma questão que nos preocupa excessivamente. Nós temos acompanhado essas negociações.

O nosso princípio é o princípio de que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada

Eu estive como repararam, antes de ir a Moscovo, com o presidente Erdogan. A Turquia tem sido um país que mais apoio em direto essas notificações. Tenho acompanhado todos os passos das negociações. E espero que elas um dia, infelizmente, neste momento a situação não é a melhor. As negociações têm estado muito lentas e muito complexas, mas espero que um dia a paz regresse a estas terras que bem necessitam dela.

E o sofrimento?

AG: As senhoras e os senhores que estão aqui têm com certeza uma imagem mais clara que eu próprio do que é o sofrimento das populações, do que é o número de mortos especialmente os civis. A destruição é uma coisa que tem que acabar. Isso é uma coisa que não é aceitável nos nossos dias.

Foram cumpridos todos os objetivos da visita, do encontro de ontem com Vladimir Putin, ou alguma coisa ficou ainda?

AG: Nunca são conseguidos todos os objetivos. Este é um processo…. Quantas e quantas pessoas visitaram o presente Putin? Quantas e quantas pessoas falaram com o presidente Putin? Eu tenho também a humildade de entender que posso dar um contributo. Mas tenho a humildade de perceber que não consigo chegar a uma sala e convencer de repente o presidente Putin de tudo aquilo que eu acredito, mas que não corresponde de todo à posição que a Federação Russa tem desta questão. Portanto, o meu contributo é assumir um objetivo fundamental, ser um mensageiro de paz e tentar ajudar a resolver alguns dos mais difíceis problemas pendentes.

E estas duas reuniões podem marcar também aqui uma mudança, ou seja, de uma maior intervenção da ONU e do senhor secretário-geral neste conflito?

AG: Mas a intervenção da ONU tem sido permanente. Nós temos 1,4 mil pessoas a trabalhar na Ucrânia. Mais de 3 milhões de ucranianos já receberam apoio humanitário por parte das Nações Unidas. E eu desde a primeira hora, não só tenho experimento com grande clareza as posições das Nações Unidas, recordar-se-ão antes das reuniões da Assembleia Geral, desde o princípio, e tenho mantido contactos regulares com todos aqueles que estão envolvidos nas decisões.

A evacuação é muito complexa como pode calcular. E, portanto, houve acordo ao princípio com o presidente Putin, e ficou acordado que os detalhes seriam discutidos nestas reuniões que estão a decorrer nesse momento

Entendi que este era o momento em que na minha apreciação das dificuldades que se estão a atravessar com uma batalha tremenda no leste da Ucrânia falhado apelo para uns usar fogo pela Páscoa indica ter um momento de fazer um esforço ainda mais visível e por isso escrevi aos presidentes da Ucrânia da polícia para podermos um minuto Ucrânia, falhado o apelo de cessar-fogo pela Páscoa,  entendi que este era o momento de fazer um esforço mais visível e por isso escrevi aos presidentes da Ucrânia e da Rússia para poder …

Crê que esta guerra possa saltar as fronteiras da Ucrânia?

AG: O nosso princípio é o princípio de que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada.

O que vai dizer amanhã a Zelensky?

AG: Se não se importa, não vou dizer-lhe a si o que vou dizer ao presidente Zelensky. Eu não quero que o presidente Zelensky diga quando eu chegar: já sei o que vai dizer. E como ele vê a RTP todos os dias, isso seria extremamente prejudicial para o bom resultado do encontro.

*Com informações da ONU News.

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