Cala a boca já morreu… | Por Fábio Costa Pinto

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Fábio Costa Pinto, jornalista.
Fábio Costa Pinto, jornalista.

“O risco é caminharmos para um Estado autocrático, onde a imprensa não tem voz” (Guga Noblat).

O levantamento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) mostrou que as ameaças, intimidações, ofensas, agressões físicas e outros tipos de ataques a profissionais e empresas de comunicação aumentaram 22% em 2021 na comparação com o ano anterior.

No relatório “Violações à liberdade de expressão”, da Abert, consta 145 episódios no ano passado, ou três por semana. Ao todo, foram registradas 230 vítimas, entre jornalistas e empresas de comunicação.

Como não é surpresa, o levantamento atesta que mais da metade dos casos de agressão partiu do presidente Jair Bolsonaro, apoiadores, aliados e seus seguranças.

A fama de que Bolsonaro tem uma verdadeira má vontade com a Imprensa e seus profissionais já é conhecida em vários países do mundo.

O relatório da Abert mostra que o comportamento do presidente vai além da intolerância. Em mais de três anos na presidência, Bolsonaro coleciona insultos, ofensas e intimidações a jornalistas que estão no exercício da profissão com a missão de informar a sociedade.

O Instituto Vladimir Herzog faz a seguinte ressalva: “Não podemos tratar mais este episódio de violência contra jornalistas isoladamente. Sob o atual governo, o Brasil se tornou um lugar hostil para o exercício da atividade jornalística. Questionar a imprensa ou discordar dela são atitudes legítimas; tentar silenciá-la com ataques e tentativas de intimidação é mais uma evidente e grave violação à Constituição e ao Estado Democrático de Direito, que infelizmente se tornaram comuns no Brasil”.

Lembramos ser muito importante que os profissionais agredidos façam ocorrência policial e denunciem toda e qualquer forma de agressão. Que os sindicatos e associações da classe promovam o debate junto ao poder público na busca por uma solução.

Que o Judiciário seja célere, que o Ministério Público se manifeste, que as polícias investiguem e prendam os culpados até o julgamento final.

Já passou da hora de acordar para uma triste realidade: a milícia está impregnada em vários estados do Brasil, e na Bahia nem se fala, o que só faz ratificar a certeza de que dias piores estão por vir.

Em documento encaminhado ao governador do Estado da Bahia, Rui Costa, do PT, solicitamos providências junto aos órgãos de segurança pública.

Recebemos dois comunicados via endereço eletrônico da Secretaria de Segurança Pública (SSP), das delegacias regionais, do estado da Bahia, através da Polinter (Departamento de Polícia do Interior) e outro, do Departamento de Polícia da Capital e Região Metropolitana.

Faz parte de uma representação ao governo e a polícia tem a necessidade de manter em sigilo as investigações.

Fomos comunicados que, no interior do estado, nas delegacias, não constava ocorrência de agressões a profissionais de imprensa. Já na capital e Região Metropolitana de Salvador constam várias ocorrências e registros de agressões aos profissionais de imprensa.

Governos fingem não ver milícia nos seus estados, as bandas podres nas polícias pensam que estão acima da lei, o Ministério Público parece que perdeu a tinta da caneta e o judiciário sempre no pedestal, como se fosse rei.

Agradecemos pelo empenho e respostas a nossa solicitação. Mas, até o momento, não obtivemos respostas favoráveis quanto a punição dos culpados.

Esperamos que possam dar resposta às famílias e aos profissionais agredidos, como foi relatado e denunciado, pois o mínimo que se espera do Estado é que seja efetivada a punição e/ou prisão dos culpados.

Não podemos nos limitar a expedir notas de repúdio, como se as “notinhas” fossem frear a prática criminosa dos mandantes ou criminosos milicianos e seus crimes cometidos.

Não podemos mais permitir ferir a nossa democracia, a imprensa será sempre fundamental para uma sociedade livre e democrática. A união é necessária e, infelizmente, estamos aqui para cobrar.

Em ano eleitoral, a extrema direita morre de raiva só em pensar que um trabalhador poderá voltar ao poder maior do nosso pais e recolocar o povo pobre na ordem do dia. Que morra de raiva e suma do mapa!

Perseguições, intimidações, provocações são constantes e em ambientes diversos, não sabemos quem vai atingir a integridade das pessoas de bem, dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos pobres, deste país e da nossa Bahia.

Não perdemos nosso papel de informar, proteger, criticar e sugerir soluções, o coletivo IBI – Inteligência Brasil Imprensa recebe diariamente denúncias de assédio moral, sexual, racismo, perseguição, ameaça, cerceamento do dever de informar, na tentativa de calar a Imprensa, comunicadores, jornalistas, radialistas e repórteres.

A imprensa está na mira desse ambiente tóxico de raiva, querem calar o direito à liberdade de expressão e, como se não bastasse, a juventude e os artistas.
Pois é na juventude que costumam ser tomadas as decisões mais importantes sobre o caminho a seguir na vida.

Com nó na garganta e uma vontade enorme de extravasar, como em vários momentos da história, a juventude pós-pandemia do covid-19 exerceu sua plena liberdade de expressão. O Lolapalooza 2022, em São Paulo, que o diga.

Não adiantou tentar calar a voz dos artistas e o direito da juventude ser livre. “Não me toque não, me deixa a vontade…” — Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca, sou eu!

*Fábio Costa Pinto, jornalista, formado pela ESPM do Rio de Janeiro, com MBA em Mídia e Comunicação Integrada pela FTE/UniRedeBahia. Membro da Associação Brasileira de Imprensa-ABI (Sócio efetivo), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Associado) Sindicalizado,  Sinjorba / Fenaj;  apoia a Chapa — ABI Luta Pela Democracia, com Octávio Costa e Regina Pimenta para presidente e vice-presidente da ABI.

*Salvador, 30 de março de 2022.

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