União Europeia pretende substituir gás russo por alternativa americana mais cara

Publicidade

Banner da Gujão: Campanha com o tema ‘Tudo fresquinho é melhor’, veiculada em 3 de junho de 2022.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Nesta sexta-feira (25/03/2022), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse aos jornalistas que a UE vai comprar gás de forma centralizada e dividi-lo entre os países-membros, uma inovação para o bloco dos 27.

O passo ocorreu ante a decisão dos líderes europeus de acabar com importações russas, enquanto os EUA esperam fornecer seu gás GNL, que é mais caro, ao continente europeu.

Durante coletiva de imprensa após a cúpula de dois dias em Bruxelas, capital belga, Von der Leyen declarou: “Nós temos um enorme poder de demanda. Portanto, saúdo o fato de utilizarmos agora o nosso poder de negociação colectiva. Em vez de nos excedermos uns aos outros, elevando os preços, vamos reunir nossa demanda”.

Enquanto isso, o ministro alemão das Finanças, Christian Lindner, aconselhou os fornecedores de energia de seu país a não pagarem pelo gás russo em rublos, como Moscou exigiu aos países considerados hostis.

“Vladimir Putin está tentando melhorar sua situação econômica nesta área. Se o pagamento é feito em rublos, completamente em rublos, então ele fortalece sua moeda”, assegurou Lindner em entrevista a Die Welt nesta sexta-feira (25), e aconselhou os fornecedores de energia a não aceitarem as condições do Kremlin e a cumprirem os contratos tal como foram celebrados, em euro ou em dólar.

Por sua parte, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirma que as exigências da Rússia contradizem os contratos que foram assinados:

“As empresas europeias que compram gás e que operam no território europeu têm que fazê-lo em euros. Portanto, hoje não é possível fazer o que se pede, não está de acordo com o contrato”.

Se a União Europeia se recusar a pagar em rublos, como é provável que aconteça, seus membros terão que comprar gás a outros fornecedores. Washington muito provavelmente se apresentará para preencher esse vazio.

Em coletiva conjunta com o presidente norte-americano, Joe Biden, na sexta-feira, von der Leyen revelou que os EUA vão aumentar suas entregas de gás natural liquefeito (GNL) para “pelo menos 50 milhões de metros cúbicos” anualmente, o que, segundo ela, poderia substituir um terço do gás atualmente fornecido pela Rússia.

“Nós, como europeus, queremos diversificar as entregas longe da Rússia, de fornecedores em quem confiamos, que são nossos amigos, que são confiáveis”, ressaltou.

Porém, o GNL americano é mais caro do que a alternativa russa e sua entrega à Europa implica a condensação para ser carregado em navios-tanque especiais e sua transformação de volta em gás à chegada à instalação no porto. Atualmente, há na Europa duas dezenas de terminais de importação de GNL, mas nenhum na Alemanha, que é um importante local de distribuição de gás. Neste momento, os trabalhos ainda não começaram no principal terminal de GNL da Alemanha, que deve começar a receber gás em 2024.

Estas questões dos preços e logística levaram Berlim a ignorar as ofertas americanas de envios de gás liquefeito na época da administração Trump, e avançar com a construção do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2) da Rússia. No entanto, a certificação do Nord Stream 2 foi interrompida na sequência do conflito na Ucrânia.

“Sei que eliminar o gás russo terá custos para a Europa”, disse Biden. No entanto, acrescentou, “os elevados preços da energia são algo que a Europa deveria tolerar para se opor a Putin”.

“Não é apenas a coisa certa a fazer do ponto de vista moral,” afirmou o líder americano. “Vai nos colocar em uma posição estratégica muito mais forte.”

Boicote ao gás e petróleo russo ‘pode causar pobreza em massa na Alemanha’, diz ministro alemão 

Ministro pede prudência e alerta que a paralisação imediata de suprimentos pode prejudicar mais a população da Alemanha do que Vladimir Putin, presidente da Rússia.

O ministro da Economia e Energia da Alemanha, Robert Habeck, concedeu uma entrevista coletiva na segunda-feira (14/03/2022) para pedir prudência aos políticos e à população alemã, uma tentativa de acalmar a sanha nacional por sanções contra o governo da Rússia.

Segundo ele, “um boicote imediato ao fornecimento de gás e petróleo russo” poderia prejudicar mais a Alemanha do que Vladimir Putin, trazendo desemprego em massa e pobreza ao país.

“Se apertarmos um botão imediatamente, haverá escassez de oferta, até mesmo paradas de oferta na Alemanha”, disse o ministro, ao responder uma pergunta sobre a busca europeia para diversificar seus suprimentos de energia no médio prazo.

Poucas outras economias ocidentais são tão dependentes da energia russa como a Alemanha, escreve o portal The Guardian. Cerca de 55% do gás natural, 52% do carvão e 34% do óleo mineral usado no país vêm da Rússia.

Habeck disse que seu governo está trabalhando duro para garantir que a Alemanha esteja em posição de desistir do carvão russo até o verão e eliminar gradualmente o petróleo russo até o final do ano, mas que uma proibição de curto prazo do gás russo pode deixar seu país exposto.

“Com carvão, petróleo e até gás, estamos passo a passo no processo de nos tornarmos independentes”, comentou, acrescentando que “não podemos fazer isso em um instante”.

“Isso é amargo, e moralmente não é uma coisa legal de se confessar, mas ainda não podemos fazer isso”, afirmou.

Dependendo das previsões de vários thinktanks e institutos econômicos, uma parada imediata nas entregas de gás russo poderia reduzir o PIB da Alemanha em até 5,2%.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 121678 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.