Discutindo ‘Cultura e Democracia’, Aula Magna dá início ao semestre letivo presencial 2022.1 na UEFS; Ex-ministro Juca Ferreira abordou retrocessos políticos, econômicos, sociais e culturais que afetam o Brasil

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Ex-ministro Juca Ferreira palestrou sobre 'Cultura e Democracia' em Aula Magna da UEFS.
Ex-ministro Juca Ferreira palestrou sobre 'Cultura e Democracia' em Aula Magna da UEFS.

Depois de dois anos a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) deu início ao semestre acadêmico 2022.1, em formato presencial, nesta segunda-feira (07/03/2022), discutindo “Cultura e Democracia”, com a conferência do ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira. A Aula Magna, em formato híbrido, foi transmitida pela TV Olhos D’Água (TVOD) e seguindo normas de biossegurança para controle sanitário da Covid-19, no Anfiteatro, localizado no módulo 2, contando com a participação de servidores técnicos, pesquisadores, professores e estudantes.

Além do conferencista, que estava on line, compuseram a mesa do evento o reitor da Uefs, Evandro do Nascimento; a vice-reitora, Amali Mussi; o superintendente executivo de programas e projetos da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA), Márcio Gomes; o diretor da Associação dos Docentes da Uefs (Adufs), o professor Francisco José Souto; e a diretora de cultura e desporto do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau (Sintest) da Uefs, a servidora técnica Maria Rita Suzarte.

Na sua apresentação, Juca Ferreira avaliou a Aula Magna como “oportunidade de diálogo com a comunidade acadêmica” e de reforçar reflexões “sobre o papel da cultura e da arte  para o nosso desenvolvimento no contexto atual”, marcado por “retrocessos políticos, econômicos, sociais e culturais”, segundo ele, em críticas ao avanço de “regimes neoliberais” e “fascistas” em países latino-americanos e no Brasil. Para Juca Ferreira, “vivemos uma crise generalizada”, “agravada por tentativas de setores conservadores e reacionários de fazer retroceder a roda da história”, num “momento ameaçador para a nossa democracia”. De acordo com o sociólogo, particularmente na América Latina, há o recrudescimento de um regime de “Estado fundamentalista” e, por isso, “sem compromisso com direitos fundamentais”. “Não podemos, de maneira nenhuma, admitir e nem deixar que tal retrocesso se consolide”.

Contudo, discorreu sobre o exercício da liberdade pela democracia. Demonstrou como “em todo o mundo vêm crescendo demandas de vários segmentos reivindicando a concretização de “justiça social”; e como as lutas pela conquista ou manutenção de direitos têm sido travadas em diversas modalidades de contestação, inclusive pelos campos da Cultura e das Artes. Estamos falando de novas sensibilidades e visões de mundo (…), da possibilidade de uma nova cultura política”, completou. O ex-ministro vê o crescimento da importância na vida das pessoas do seu tempo livre e a revolução digital enquanto fatores que contribuíram decisivamente para a afirmação da Cultura como dimensão central da vida social no mundo contemporâneo. Indica o entrelaçamento de cultura e conhecimento como “faces de uma mesma moeda” para se pleitear o processo civilizatório que queremos e engrandecer a condição humana; e que todo desenvolvimento material corresponde a um dado e desenvolvimento intelectual”. Por fim, defendeu o papel das universidades: “estão no centro desse projeto de futuro para o Brasil e para a América Latina”.

Maria Rita Suzarte, representante do Sintest, lembrou da aproximação entre a Uefs e a comunidade, por ações de extensão e outras iniciativas nas quais vem colaborando ao longo de sua trajetória pela instituição. “Nossa universidade é uma grande família. Essa família chamada Uefs é referenciada na Bahia, no Brasil e no exterior”, frisou a coordenadora de cultura e desporto do Sintest-Uefs. O diretor da Adufs comentou sobre a necessidade de valorização das universidades, inclusive por financiamento público. “Os professores já estão mobilizados em suas lutas pela educação aqui no estado”, completou o professor Francisco José Souto. Já o representante da SEC-BA disse que a evasão escolar na Educação Básica e Superior deve ser observada, principalmente quando associada à “crise social estabelecida no país” e às dificuldades para acesso ao ensino. E que a Uefs tem um lugar estratégico não só ao desenvolvimento científico e tecnológico na Bahia, mas de promover reflexões e ações alternativas em meio aos desafios impostos pela pandemia e pela conjuntura geral. “A alternativa tem sido pensar para além dos nossos muros e nossas fronteiras”, finalizou Márcio Gomes.

Em sua exposição, o reitor da Uefs lembrou do cenário da atual pandemia e seus efeitos à população mundial e, especificamente, brasileira e baiana, se mostrando solidário às famílias das mais de 680 mil vítimas fatais da Covid-19. Comentou sobre os desdobramentos dessa crise sanitária às universidades brasileiras, “que acabaram suspendendo a realização de suas atividades presenciais e enfrentaram o desafio de continuar cumprindo o seu papel social, desbravando a mediação tecnológica no ensino, na pesquisa e na extensão [universitária]”. Mas destacou o protagonismo da Uefs no período: “deu a sua contribuição à sociedade diante da pandemia”. Elencou uma série de ações que foram tomadas para garantir o funcionamento remoto e, agora, presencial das atividades acadêmicas. E discorreu sobre o empenho da universidade no apoio aos órgãos públicos e às autoridades sanitárias nas intervenções de saúde, focadas na gestão e ações para conter o avanço do novo Coronavírus.

Evandro do Nascimento sinalizou os desafios do retorno presencial, sobretudo baseados nos “saberes e afetos”, nas “trocas significativas”, “na expectativa de re-aglutinar nosso corpo discente, resgatar as práticas pedagógicas, buscando dar a melhor formação acadêmica e humana aos nossos estudantes”. E reafirmou a identidade da instituição, em meio aos esforços contingenciais de manter a universidade em funcionamento, até então remoto: “a Uefs é uma universidade presencial”. “Deve retomar esse curso [presencial] com responsabilidade e segurança para todos e todas. É o que está sendo feito”, reiterou, considerando o desenvolvimento da ciência como missão contínua da Uefs e que também embasou a construção de protocolos de biossegurança sanitária à Covid-19. E apontou medidas preventivas, a partir da disposição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Coletiva (EPCs), de educação em saúde, entre outras; emergenciais, pelo atendimento prestado pelo Serviço de Saúde (Sesu); como também de vigilância epidemiológica, “para garantir um retorno seguro”. “A Uefs se preparou para isso”, finalizou o reitor.

Homenagem ao ‘Dia das Mulheres’

Na ocasião, o reitor Evandro do Nascimento lembrou da composição de pessoal e, acima de tudo, da participação ativa das mulheres nos espaços da Uefs: “são maioria”, entre os cargos de serviços terceirizados de manutenção e limpeza, serviços administrativos, de docência e, principalmente, nos cargos de gestão ao longo de toda a Universidade Estadual de Feira de Santana.

No plenário, estiveram presentes a chefe de gabinete, Taise Bonfim; as pró-reitoras de Ensino de Graduação (Prograd), Silvia Passos; de Pesquisa e Pós-graduação (PPPG), Silvone Santa Bárbara; de Extensão (Proex), Rita Brêda; de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (PGDP), Aretusa Evangelista;e o pró-reitor de Administração (Proad), Carlos Eduardo de Oliveira; além de outros servidores e estudantes da Uefs. Participaram do evento ainda representantes da Secretaria Municipal de Educação de Feira de Santana, do deputado federal José Neto (PT) e do deputado estadual Ângelo Almeida (PSB).

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