Desequilíbrio na política de preços da Petrobras provoca perda de competitividade de refinadora de petróleo sediada na Bahia; Empresas estão adquirindo combustível em Pernambuco

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Vista aérea parcial da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM), empresa controlada pela Acelen.
Vista aérea parcial da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM), empresa controlada pela Acelen.

Reportagem de André Ramalho, publicada no sábado (12/03/2022) no Jornal Valor, revela que a Acelen enfrenta defasagem nos preços internacionais de combustíveis refinados e perda do mercado regional do Nordeste, além de estar sendo prejudicada pela política de preços da Petrobras. Fato que tem levado empresas da Bahia à adquirirem combustível na refinaria da estatal sediada em Pernambuco.

Controladora

A Acelen é a empresa controladora da Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves, RLAM), cuja criação ocorreu após o Fundo Soberano Mubadala dos Emirados Árabes Unidos adquirir o controle da estatal Petrobras.

A RLAM é a única refinaria, das 16 existentes no Brasil, que foi privatizada pelo Governo Bolsonaro. O Mubadala pagou US$ 1,8 bilhão pela compra do ativo e opera a refinaria há cerca de três meses.

Capacidade de produção

Fundada em 1950, em São Francisco do Conde, a ACELEN/RLAM possui capacidade de processamento de 333 mil barris/dia, atingindo a segunda maior capacidade produtiva do país.

A Petrobras é responsável por abastecer cerca de 80% do mercado nacional de derivados de petróleo, enquanto a Acelen é responsável por 14% da capacidade nacional de refino e cerca de 7% dos derivados consumidos no país.

Defasagem de preços

A reportagem revela que “os reajustes de 18,7% na gasolina e de 24,9% no diesel, implementados pela Petrobras na sexta-feira (12), atenuaram, mas não eliminaram, a defasagem dos preços da estatal para o mercado internacional – que chegou a atingir, no pico, na semana passada, mais de R$ 2 por litro de diesel”.

“Antes mesmo da escalada da guerra na Ucrânia e da valorização mais recente do petróleo, a companhia já havia recorrido às exportações, diante da dificuldade de concorrer com a Petrobras. A defasagem da estatal para o preço de paridade de importação tem sido uma queixa recorrente de tradings privadas e o funcionamento do mercado deu, nas últimas semanas, sinais de desequilíbrio ante a intensificação do congelamento de preços da petroleira”, afirma reportagem.

“No caso de um refinador independente, como a Acelen, que não possui operações verticalizadas no setor, o congelamento de preços da Petrobras tem mais um agravante: o petróleo bruto processado pela refinaria baiana é comprado, em sua maior parte, da Petrobras a preços internacionais. Em situações como a recente, em que o petróleo se valorizou e a estatal segurou u o aumento para os preços dos derivados, a Acelen perde nos dois lados: as receitas caem, pela perda ne mercado, e os custos de produção sobem”, explica.

Perda de mercado consumidor

A refinadora de petróleo tem como mercado principal os consumidores da Bahia. Mas, segundo a reportagem do Valor, a empresa Acelen tem perdido clientes dentro do próprio estado para plantas da Petrobras localizadas a centenas de quilômetros.

Combustível mais barato em Pernambuco

Antes de reajustar o diesel e a gasolina, os produtos vendidos pela Acelen chegavam a custar R$ 1 a mais, por litro, que os mesmos produtos vendidos pela Petrobras na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca (PE).

A disparidade era tão grande que, segundo fontes, caminhões de distribuidoras estavam saindo da Bahia atrás de combustível na RNEST, a cerca de 800 quilômetros de distância, para comprar cargas mais baratas de combustível.

Os veículos atravessam os estados de Alagoas e Sergipe, em direção à Pernambuco e retornavam à Bahia com preços mais competitivos que os oferecidos pela Acelen. Mesmo clientes que tinham contratos com a refinaria sedidada em São Francisco do Conde estavam preferindo pagar as multas pelo descumprimento dos compromissos de retirada, dada a vantagem dos produtos em Pernambuco.

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