Senadores lembram vítimas do Holocausto e condenam discurso de ódio

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Sessão, comandada por Jaques Wagner, serviu também para marcar a cerimônia do Yom HaShoá, ou Dia da Lembrança do Holocausto.
Sessão, comandada por Jaques Wagner, serviu também para marcar a cerimônia do Yom HaShoá, ou Dia da Lembrança do Holocausto.

Em uma semana em que as redes sociais foram sacudidas pela declaração de um influenciador digital em defesa da criação do partido nazista, em nome da “liberdade de expressão”, o Senado fez uma sessão especial para homenagear e relembrar as vítimas do Holocausto. A sessão desta quinta-feira (10/02/2022) serviu também para marcar a cerimônia do Yom HaShoá, ou Dia da Lembrança do Holocausto.

A data remete a 27 de janeiro de 1945, dia em que o exército soviético libertou judeus do campo de concentração de Auschwitz, maior símbolo das atrocidades cometidas pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Durante a sessão, senadores e representantes da comunidade judaica e da Unesco repudiaram as falas do influenciador e apresentador de podcast Monark e manifestações de outros que tentam diminuir os horrores do regime que perseguiu e assassinou milhões de judeus — além de ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais e testemunhas de Jeová. O recado foi claro: “tolerância zero” com racismo e com discursos de ódio.

De origem judaica, Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que lembrar as atrocidades cometidas pelos nazistas é fundamental para evitar o crescimento de pensamentos racistas na sociedade. Para o senador, não há que se tolerar os intolerantes.

— Nesta semana, com muita preocupação, acompanhamos declarações de pessoas ditas influenciadoras defendendo abertamente a criação de um partido nazista (para a minha tristeza, incluo também a presença nessa lista de um deputado federal do Parlamento brasileiro) e uma rádio demitindo comentarista depois de gesto similar ao da saudação nazista. Essa ideologia autoritária, segregadora e intolerante é inaceitável, além de criminosa. Nós não podemos tolerar a intolerância, porque ela é a semente da erva daninha que produziu esse maior crime humanitário da história da humanidade — disse Wagner.

Tolerância zero

Embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine avaliou que o discurso de Monark é um sinal de que, mesmo após 77 anos do Holocausto, muitos não assimilaram o perigo da conexão entre ideias racistas e ações violentas. Ele defendeu tolerância zero com discursos de ódio.

— O Holocausto e o extermínio de 6 milhões de judeus não aconteceram do nada; foram baseados em ideologias nazistas e no discurso de ódio de mentes perturbadas. A lição que podemos e devemos tirar disso é ter zero tolerância a esse tipo de situação: zero tolerância ao racismo, zero tolerância ao discurso de ódio, zero tolerância ao antissemitismo. O exemplo que tivemos esta semana no Flow Podcast [canal de entrevistas de Monark na internet] pode parecer bobagem, mas atesta que a mensagem não foi bastante assimilada pelas pessoas e pela sociedade — afirmou Zonshine.

Para Marlova Jovchelovitch Noleto, representante da Unesco no Brasil, episódios como o do Flow Podcast não podem ser banalizados e exigem atuação das autoridades e da sociedade.

— Nós assistimos chocados e perplexos a esse Flow Podcast, incitando não apenas a ideia de um partido nazista, mas também a possibilidade de se ser antijudeu. De que maneira esses influenciadores se sentem à vontade e com liberdade para propor isso? Como é possível ser antijudeu? Como é possível ser antinegro, anti-índio, anti seja lá o que for, se nós temos como premissa da vida em sociedade o exercício da humanidade e do respeito aos direitos humanos? É muito importante que situações como essas não sejam banalizadas e tampouco minimizadas, porque minimizando situações desse tipo é que situações assim progridem, ganham escala e se tornam verdade para muitos — alertou.

Marlova Noleto apontou que a Unesco tem defendido a importância de trabalhar o tema do Holocausto nas escolas para evitar o fomento de negacionismos históricos. Ela relatou que a instituição fez um levantamento junto ao TikTok, rede social popular entre o público jovem, e identificou que 17% do conteúdo publicado relacionado ao tema nega ou distorce a existência do Holocausto. Segundo ela, a empresa responsável pela rede social e a Unesco se uniram para enfrentar o problema.

Presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg reforçou que liberdade de expressão tem limites quando vivemos em coletividade.

— Temos um marco constitucional que é abundante, robusto, em todo o seu conteúdo, e lá está prevista, sim, a liberdade de expressão, mas ela não pode afrontar outras liberdades e as garantias individuais — argumentou.

Repúdio

Os senadores Lasier Martins (Podemos-RS), Flávio Arns (Rede-PR) e Leila Barros (Cidadania-DF) também repudiaram a defesa da criação de um partido nazista.

Lasier recordou que foi às lágrimas ao visitar, em Jerusalém, o Memorial do Holocausto, símbolo da memória aos judeus assassinados durante a 2ª Guerra Mundial. Arns afirmou que é preciso se rebelar contra aqueles que não respeitam a diversidade e pediu atenção nas eleições de 2022, para que o eleitor não vote em candidatos com discurso de ódio. Leila Barros, por sua vez, defendeu a aprovação de projetos como o que criminaliza a negação do Holocausto (PL 1.044/2020); o que proíbe a veiculação de anúncios publicitários em sites que divulgam fake news e discurso de ódio (PL 2.922/2020) e o que eleva as penas previstas na Lei Antirracismo (PL 3.054/2020).

— Defender a criação de um partido nazista, meus amigos, é infringir a Constituição brasileira e ofender principalmente toda a comunidade judaica. A liberdade de expressão não pode servir como anteparo para a propagação de discursos de ódio.  É importante deliberar sobre medidas que possam impedir que grupos de pessoas continuem tentando ressuscitar discursos nazistas e disseminar o ódio contra os negros, os imigrantes, os judeus e os homossexuais — disse a senadora.

*Com informações da Agência Senado.

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