Má gestão da urbanização agravou tragédia em Petrópolis, diz jornal Le Monde

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Em 15 de fevereiro de 2022, atingida por intenso temporal, cidade de Petrópolis apresenta cenário de terra arrasada.
Em 15 de fevereiro de 2022, atingida por intenso temporal, cidade de Petrópolis apresenta cenário de terra arrasada.

A mídia francesa repercute neste domingo (20/02/2022) a tragédia em Petrópolis, no Rio de Janeiro, que deixou ao menos 146 mortos. Canais de televisão mostram as buscas por sobreviventes em meio ao mar de lama, seis dias após a catástrofe. Para o jornal Le Monde, a cidade é vítima da alta urbanização e das más políticas da prefeitura e do governo estadual.

A correspondente do diário no Rio de Janeiro, Anne Vigna, foi até ao local da tragédia, onde conversou com moradores e com o geógrafo e especialista em desastres naturais Antonio Guerra. Segundo ele, essa é a pior catástrofe da qual a cidade já foi palco.

A matéria salienta que no último 15 de fevereiro foram registrados 259,8 milímetros de chuva em apenas três horas – um recorde desde que o Instituto Nacional de Meteorologia começou a registrar dados sobre precipitações, em 1932. Os rios Piabanha, Quitandinha e Palatinado, que cercam a cidade, transbordaram e “levaram tudo o que estava pela frente”, afirma Le Monde.

As chuvas torrenciais também arrancaram pedaços inteiros das montanhas ao redor de Petrópolis, resultando em “avalanches de detritos” sobre as residências. No total, 26 deslizamentos foram registrados, nos quais 146 pessoas morreram. Quase 200 pessoas seguem desaparecidas.

Território de “alto risco”

“Especialistas lembram que 25% do território de Petrópolis é classificado como ‘de alto risco’ e impróprio para construção”, escreve a correspondente. O geógrafo Antonio Guerra expressa sua surpresa com casas construídas sobre a inclinação de 55 graus, sendo que a legislação brasileira, que classifica como “muito permissiva”, proíbe construções em inclinações acima dos 45 graus.

Le Monde também enfatiza que a infraestrutura da cidade é extremamente mal cuidada. A matéria cita como exemplo o túnel de descarga das chuvas – construído para evitar que os rios transbordem – que não funciona há décadas.

“Há uma série de fatores que causam essas tragédias, mas o mais importante é a inexistência de um plano de urbanização para evitar a ocupação desordenada dos flancos das montanhas e recuperar a cobertura vegetal”, diz Guerra ao jornal. Para ele, não há dúvidas que é responsabilidade das autoridades municipais.

Autoridades recusam responsabilidade

Le Monde também indica que o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, se defende, alegando à reportagem que foi eleito há um ano e “não mudamos uma cidade em tão pouco tempo”. No entanto, a matéria lembra que esse é seu quarto mandato à frente da cidade e que, desde 2001, não colocou em prática nenhuma das medidas determinadas pelo Centro Nacional para a Prevenção de Catástrofes Naturais.

O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, também responsabilizado pela imprensa nacional, se irritou ao ser questionado por jornalistas sobre o orçamento para a prevenção de desastres naturais. “Menos da metade foi realmente utilizado”, aponta o diário.

Os herdeiros da família real portuguesa que recebem 2,5% de cada transação imobiliária na cidade, também entraram na mira das críticas. Le Monde destaca uma afirmação do deputado federal Marcelo Freixo que pede que esse privilégio tenha fim urgentemente e que o montante seja utilizado para adaptar Petrópolis à era das mudanças climáticas.

*Com informações da RFI.

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