Crise na Ucrânia enterrou a ordem liberal do Ocidente, aponta jornal britânico; EUA desrespeitam soberania ao impor sanções à Rússia, diz China

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Forças militares do Exército dos EUA.
Forças militares do Exército dos EUA.

O conceito ocidental de implementação da democracia liberal em todos os países do mundo fracassou devido a várias crises, a última das quais foi a ucraniana, escreve Sherelle Jacobs, colunista do jornal Daily Telegraph.

“A narrativa anglo-americana de liberdade que inspirou o Ocidente durante grande parte do século XX está chegando a um fim lastimável”, escreve a autora do artigo.

Ela detalha que, no passado, as elites ocidentais se sentiam confiantes e se apresentavam como uma frente unida a favor da “liberdade”, mas agora as elites estão divididas e solapadas.

Isso, segundo Jacobs, é evidenciado pela recusa do Ocidente em ajudar a Ucrânia: em particular, os EUA decidiram não enviar tropas, enquanto o fornecimento de mísseis e caças foi considerado tardio.

A colunista descreveu o Ocidente como esgotado e quebrado, não disposto a combater e incapaz de “punir” a Rússia.

Segundo Jacobs, o Ocidente está gradualmente desistindo do papel de liderança, que supõe a integração de todo o mundo nas ideias do liberalismo. Este conceito falhou durante os tempos da guerra do Iraque e o conflito na Ucrânia comprovou isso.

“A crença eufórica no poder da globalização também terminou em uma crise de fé”, escreve colunista. De acordo com ela, a China planeja destruir os valores ocidentais de dentro.

“Só se pode esperar que o fiasco na Ucrânia seja um sinal de alerta para as elites ocidentais. Que elas podem finalmente aceitar que a velha ordem liberal falhou e que uma nova deve tomar o seu lugar. Ucrânia é […] meramente o primeiro terremoto enquanto as placas tectônicas do mundo começam a se mover”, conclui a colunista.

Na segunda-feira (21/02/2022), após uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança russo, presidente do país Vladimir Putin anunciou o início do processo do reconhecimento da independência das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, dizendo que aqueles que escolheram o derramamento de sangue, violência e a anarquia não reconhecem nenhuma outra solução para Donbass exceto a via militar.

EUA desrespeitam soberania ao impor sanções à Rússia pelo reconhecimento de RPL e RPD, diz China

A China acusou os Estados Unidos de criar pânico com a crise na Ucrânia e desrespeitar a soberania de outras nações, depois que Washington impôs sanções a Moscou e prometeu fornecer armas à Ucrânia.

Segundo o South China Morning Post, o Ministério das Relações Exteriores chinês disse que se opõe a qualquer “sanção unilateral ilegal”, depois que vários países as impuseram à Rússia em resposta ao alegado movimento de tropas para as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

“[O governo chinês] acredita que as sanções nunca são uma maneira fundamental e eficaz de resolver o problema, e a China sempre se opõe a quaisquer sanções unilaterais ilegais”, disse a porta-voz Hua Chunying.

Segundo a porta-voz, as ações americanas estão “aumentando as tensões, criando pânico e até aumentando o cronograma da guerra”.

Na última segunda-feira (21), o presidente russo Vladimir Putin anunciou o reconhecimento formal de repúblicas populares de Donbass, no leste da Ucrânia, e pediu ao Conselho de Segurança do país a permissão para o envio de militares russos para o exterior. Vários países ocidentais condenaram a medida e impuseram várias sanções à Rússia.

“Este é o início de uma invasão russa da Ucrânia”, disse o presidente dos EUA, Joe Biden, na terça-feira (22/02/2022).

A série de medidas de Washington incluiu sanções de bloqueio total contra duas grandes entidades financeiras russas e sanções contra “elites conectadas ao Kremlin”, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A União Europeia, o Reino Unido e o Japão logo seguiram o exemplo, anunciando duras sanções econômicas. Entre eles, a Alemanha suspendeu a aprovação de um importante gasoduto construído em parceria com a Rússia para abastecer o mercado europeu em plena crise energética, o Nord Stream 2.

“As sanções dos EUA resolveram o problema?”, indagou Hua. “O mundo mudou para melhor por causa das sanções dos EUA? A questão da Ucrânia será resolvida naturalmente devido às sanções dos EUA contra a Rússia? A segurança da Europa será reforçada?”

Para a porta-voz chinesa, “sanções unilaterais e ilegais impostas por alguns países, como os Estados Unidos, causaram sérias dificuldades às economias e meios de subsistência”.

A China espera que todas as partes resolvam o problema por meio do diálogo, disse Hua, mas não deixou de acusar os EUA de instigar a “revolução colorida” e interferir em outros países.

“Quando a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] liderada pelos EUA bombardeou Belgrado, eles respeitaram a soberania e a integridade territorial da Iugoslávia? Quando os EUA acusaram Bagdá com provas forjadas, eles respeitaram a soberania e a integridade territorial do Iraque?”, indagou a porta-voz do MRE chinês.

*Com informações da Sputnik Brasil.

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