Vereador Jhonatas Monteiro ataca a imprensa e discursa como isento de responsabilidade com relação a falta da aprovação do Orçamento 2022 de Feira de Santana  

Vereador Jhonatas Monteiro ataca a imprensa e demonstra menosprezo por decisão judicial, ao discursar sobre falta da LDO de 2022 de Feira de Santana.
Vereador Jhonatas Monteiro ataca a imprensa e demonstra menosprezo por decisão judicial, ao discursar sobre falta da LDO de 2022 de Feira de Santana.

Em nota enviada ao Jornal Grande Bahia (JGB) neste sábado (22/01/2022), o vereador Jhonatas Monteiro (PSOL) informou sobre vídeo-discurso que postou na rede social do Instagram, no qual aborda o debate em torno do impasse sobre a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 de Feira de Santana, fato que contou com a iniciativa dele e de colegas do parlamento municipal. Ele foi além das justificativas vazias, ao atacar de forma feroz a imprensa, que responsabiliza o grupo de edis pela desastrosa e singular situação na qual se encontra a municipalidade, praticamente imobilizada pelos atos nefastos perpetrados contra o interesse público da comunidade. 

— “Como consequência da devolução da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 pela Câmara Municipal, a Prefeitura de Feira de Santana vem afirmando nos últimos dias que o governo municipal foi “impactado” e “prejudicado” em diferentes áreas. Entretanto, a própria Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), votada no segundo semestre de 2021, garante recursos ao Poder Executivo, em seu Art. 67, caso a votação do orçamento municipal não fosse finalizada até 31 de dezembro do ano passado. Essa e outras questões mostram que o problema não é tão simples: o cenário de “caos” pintado pelo prefeito é, na verdade, uma tentativa desesperada de transferir responsabilidade e mascarar sua incompetência administrativa. Assista o vídeo no link abaixo e entenda melhor o impasse!” — Disse Jhonatas Monteiro.

Oposição inconsequente 

A falta de aprovação da LDO pela Câmara Municipal de Feira de Santana (CMFS), através dos 9 vereadores liderados pelo extremista Fernando Torres (PSD), presidente do legislativo municipal, combinado com alguns vereadores de oposição, resultou, praticamente, na imobilização da gestão municipal de Feira de Santana, tendo como fato a suspensão de contratos, adiamento de convênios e execução de obras por parte da gestão do prefeito Colbert Martins Filho (MDB).

O argumento do vereador Jhonatas Monteiro, conhecido como Rasta, é de que recursos financeiros podem ser gastos pela administração, porque a própria LDO autoriza. Por falta de aprovação da Lei, ocorre que isso pode ser feito de forma bastante limitada.  Ademais, persiste a impossibilidade de uma série de atividades relevantes para administração pública, portanto, para a comunidade de Feira de Santana.

Em outro ponto do vídeo-discurso, Rasta tenta usar um tom professoral ao atacar a imprensa. Neste aspecto, age como um legítimo desinformado, pouco informado, ou despreparado sobre a Teoria da Comunicação que aponta que noticiar versões de um fato, apresentar posicionamento crítico favorável e, ou, contrário ao agente político do Estado é função social da imprensa, mesmo que sob uma única perspectiva. 

Por óbvio, parte da imprensa responsável é crítica à bazófia apresentada pelo edil porque a atuação dos vereadores que se opõem ao Governo de Colbert Martins, neste aspecto, ou seja, da LDO, resultou em um desastre sem precedente histórico e isso ocorre de forma inconsequente. Este entendimento é de parte da imprensa, políticos e da comunidade.

Para além destes argumentos, o entendimento da imprensa, para a qual o Rasta destila o ódio e menoscabo pessoal, foi amparado por decisão judicial.

O “professor” Jhonatas Monteiro tratou de relativizar, também, a decisão proferida na quarta-feira (19) pelo juiz Nunisvaldo dos Santos, titular da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Feira de Santana, na qual sentenciou favoravelmente ao pleito liminar do Município, ao afirmar que:

— É juridicamente viável o mandado de segurança impetrado contra ato do Presidente da Câmara de Vereadores que se opõe à pretensa introdução no sistema jurídico do município de um texto de lei eivado de nulidade absoluta, violando normas legais e regimentais, e com base neste simulacro de lei inviabilizando a execução orçamentária do município, prejudicando as ações do executivo em detrimento da sociedade local e de toda a administração pública, ferindo legítimos direitos de interesses públicos e privados, com repercussão negativa irreparável, pois se trata de um município que se encontra inserido política e socialmente como um dos mais importantes da federação, diante da sua localização geográfica e seu potencial econômico no cenário nacional. Nesta toada, os autos noticiam a violação de Direitos Fundamentais constitucionalmente assegurados, uma vez que os atos administrativos em geral, inclusive os atos oriundos dos Poderes da República, em suas três esferas, devem orientar-se por diversos princípios, dentre eles o princípio da legalidade, transparência e moralidade. 

Desta forma, o entendimento da imprensa responsável com o bem-estar da comunidade coaduna com o interesse público ao rechaçar o comportamento deletério dos que são pagos para legislar e fiscalizar, ao passo que identifica, em tese, o uso do Poder Legislativo em sórdidas e deploráveis medidas que objetivam questionáveis ganhos pessoais por parte de alguns edis.

Por fim, à imprensa cabe responsabilizar criticamente os agentes políticos por atos e discursos manifestados. Talvez seja o caso de o vereador construir uma mídia que colabore com o reprovável discurso e as inconsequentes práticas que hora professa e, desta forma, ele possa deixar de atacar os meios de comunicação. É de conhecimento público que parte do sonho de alguns que defendem o comunismo atrasado é o controle da mídia.

Leia +

Exclusivo: A decisão do juiz Nunisvaldo dos Santos que impôs grave derrota ao vereador Fernando Torres sobre a Lei Orçamentária de 2022 de Feira de Santana; “Autos noticiam violação de Direitos Fundamentais assegurados”, diz

Prefeito Colbert Martins, vice-prefeito e secretários municipais de Feira de Santana listam prejuízos com não aprovação do Orçamento 2022 pela Câmara Municipal

Confira vídeo

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Carlos Augusto 9994 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).