O homem é um animal ético e livre | Por Gilma Reis

Sociedade, liberdade e escolhas,
Sociedade, liberdade e escolhas,

A sociedade atual vem propondo ao ser humano um conceito de liberdade nada responsável, aquela liberdade na qual podemos “fazer o que quisermos e bem entendermos”, mas a vida não é bem assim, pois a cada ato e escolha que fizermos, teremos consequências. Consequências estas que implicarão, em nossa própria vida, impactos na saúde mental, emocional e física. Um exemplo para ilustrar: Imagina se você toma a decisão de sair por aí fazendo sexo a torto e a direito sem responsabilidade, logo terá uma consequência: doença sexualmente transmissíveis, frustração existencial, gravidez indesejada etc.

Se tratando do homem, por ser um animal ético, ele também é livre, se diferenciado dos animais, pois o animal apenas obedece aos seus instintos biológicos programados, apesar de ter cérebro, este não possuí a capacidade analógica de pensa e analisar sobre sua vida existencial. Já o homem é diferente, este é o único ser no mundo capaz de fazer perguntas sobre o sentido da sua vida.

  • Quem sou eu?
  • De onde vim?
  • O que vim fazer neste mundo?
  • Para onde vou?

Diante de tais perguntas, podemos afirmar que o homem goza de uma certa liberdade, porém de uma liberdade condicionada, pois o homem é um ser limitado e por isso se esbarra no limite humano, sendo assim, ele não pode fazer o que “quer e deseja” para satisfazer as suas próprias vontades.

Segundo Pintos (2017), a sociedade muitas vezes relaciona a ideia de liberdade a de fazer o que tenho vontade. Mas uma liberdade que se sustenta no imediato império das vontades, uma subespécie do voluntarismo, é o condicionamento do animal, não mesmo? Você sabia que a vontade também se move pelo ímpeto do dever? Exatamente, essa ideia de liberdade inspira uma liberdade sem restrições, condicionamentos, regras, que se opõe a tudo aquilo que pode restringir. O mesmo vale para o casamento, este também tem as suas restrições, logo que se casou, casou porque é livre, por isso, deve fidelidade ao seu companheiro(a) e aos seus filhos, então na relação a dois não cabe lugar para a traição, por esta tem efeito devastador, ou seja, destrói a família e o até o patrimônio material. Nesse caso, se tratando de ser humano, capaz de refletir, pensar e analisar sobre seus atos, a traição não pode ser visita como um “acidente” ou um “eu não pude resisti”, mas uma decisão, uma escolha que cada pessoa decide fazer ou não. Porque se partimos da ideia de que ser livre é uma possibilidade de escolher entre um universo de opções, a própria escolha de uma delas implica na renúncia do resto… E é aí que se esbarra o seu limite. Sempre o escolhido abrange muito menos do que o renunciado e se tratando de renúncia, esta é crucial na hora de se fazer escolhas. Um exemplo, se eu for viajar, então não posso ir para dois lugares ao mesmo tempo, na escolha há um processo seletivo, porque, devido a minha limitação, eu não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Contudo, toda escolha me remete a uma reflexão, uma análise do que EU estou escolhendo, pois minha atitude não pode ser tomada de maneira efêmera, impulsiva e descomprometida, se assim for, terei sérias consequências. Aqui cabe todas atitudes que o homem venha a tomar, seja na vida amorosa, política, econômica, social, consumo de drogas e outros mais. Perante elas terei consequências!

A vida se esbarra na dinâmica da liberdade, da escolha versus renúncias, responsabilidades e comprometimentos.

A Logoterapia e Análise Existencial nos aponta que o homem é um ser livre, mas que precisa ser responsável pelas suas escolhas.

A liberdade de escolha diz respeito ao fato do homem ser livre a respeito dos fatores biopsicossociais que condicionam a sua vida. Ele é livre para se posicionar diante deles, decidir como reage perante aquilo que não pode ser mudado, decidir como configurar sua história. Deste modo, o ser humano é autodeterminado, decidindo se cede ou não aos fatores condicionantes (FRANKL, 2008).

Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer, o homem reflete, pensa e analisa para tomar decisões em sua vida. Eu faço, eu não faço…! A liberdade do homem surge em um contexto culturalmente político e social, valendo-se da dimensão noético-espiritual, o ser humano poderá fazer escolhas mais livres, porém responsáveis e comprometidas. O homem é um homem essencialmente inacabado, isso significa que este pode estar aberto a novas mudanças de vida. Sendo assim, importa ao homem alcançar a sua consciência maior que é a noético-espiritual para que este faça escolhas responsáveis e consciente e por sua vez transcenda diante da sua existência.

Referências

Pintos, Claudio Garcia. O mar me contou: a logoterapia aplicada ao dia a dia/ Claudio Garcia Pintos; [tradução Mitsuo Mário Chigutti]. – Viagem Grande Paulista, PS: Editora Cidade Nova, 2017. — (Coleção mens sana)

FRANKL, V. E. Em busca de sentido: psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes, 2008.

*Gilma Reis, psicóloga (CRP-03/6996).

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 116920 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.