Novo plano da Petrobras é sinalização clara da retomada do setor do petróleo no Brasil, diz economista Edmar Almeida

Em vista da atualização das metas e investimentos pela Petrobras para o quinquênio 2022-2026, o economista Edmar Almeida.
Em vista da atualização das metas e investimentos pela Petrobras para o quinquênio 2022-2026, o economista Edmar Almeida.

No dia 24 de novembro de 2021  (quarta-feira), a Petrobras anunciou ter aprovado o Plano Estratégico para 2022 a 2026. O novo plano prevê ampliação dos investimentos, que nos próximos cinco anos serão na ordem de US$ 68 bilhões (R$ 278,54 bilhões), valor em 24% superior ao mesmo período do plano anterior.

Além de aumentar os investimentos, a estatal revisou sua política de dividendos, bem como estima a produção do pré-sal que, segundo o texto, vai representar 79% do total produzido pela empresa em 2026.

Para entender melhor qual impacto podem ter as metas revisadas para o país e para a Petrobras, Edmar Almeida, economista especialista em óleo e gás e professor do Instituto de Energia da PUC-Rio de Janeiro, avalia as diretrizes da estatal do Petróleo.

Ambiente econômico favorável

Na opinião do professor, tal atualização de objetivos da petrolífera tem uma relação com um ambiente econômico e financeiro mais favorável para a Petrobras, em particular em função da recuperação dos preços do petróleo, o que dá à empresa uma previsão de um fluxo de caixa mais sustentado para o próximo quinquênio.

“Ou seja, não são novas oportunidades de investimentos que apareceram, são as mesmas, mas agora a empresa tem mais recursos e mais fôlego para investir nessas oportunidades”, em particular no pré-sal, explica.

Mais do que isso, os planos de produção de petróleo da Petrobras foram impactados pela pandemia da COVID-19. Com a pandemia, aconteceram alguns atrasos no processo de entrega e também atrasos relacionados a questões operacionais.

Por exemplo, aponta o economista, várias manutenções não puderam ser feitas ao longo da pandemia e tiveram que ser postergadas. Agora, com “arrefecimento da pandemia”, estão sendo feitas, afetando a produção, levando às certas paralizações. Então, alguns ajustes foram feitos em função do impacto da pandemia, nota o especialista.

No Brasil, a Petrobras ainda responde por grande parte dos investimentos, aproximadamente 70% de todos os investimentos. Por ser líder do processo de investimento no país, ela, acompanhada pelos seus parceiros, mobiliza toda a cadeia produtiva quando amplia os investimentos.

“Acho que a grande boa notícia desse plano de negócio é uma sinalização clara da retomada do setor do petróleo no Brasil”, enfatizou. “Essa sinalização da Petrobras é uma sinalização positiva, principalmente para cadeia de óleo e gás.”

Garantia do crescimento da produção do pré-sal no Brasil

Quanto às metas da produção do pré-sal anunciadas, Edmar Almeida afirma que esse plano de negócio confirma uma orientação estratégica já tomada pela Petrobras lá atrás. A Petrobras decidiu focar seus investimentos no polígono do pré-sal, priorizando os projetos com maior produtividade geológica e principalmente o desenvolvimento de novos campos.

“Então, isso é muito bom para o país, porque a Petrobras lidera os investimentos na expansão da produção, e quanto aos campos antigos, Petrobras está fazendo uma revisão de seu portfólio nos campos existentes, está vendendo muitos campos, principalmente em terra, mas também no mar, e isso ajuda a atrair novos investidores.”

Esse tipo de estratégia da Petrobras é muito importante para o país, na opinião do professor, porque garante o crescimento da produção no Brasil. Sendo Petrobras a maior operadora off-shore do mundo, a estratégia dela é determinante para o futuro da produção e para o pré-sal.

Inclinação dos investidores para energias renováveis

A Petrobras fez uma revisão em sua política de remuneração aos acionistas, estabelecendo um nível mais flexível de endividamento para o cálculo dos pagamentos, segundo o portal IstoÉ Dinheiro. “A Petrobras gerar e pagar mais dividendos, isso é bom para os acionistas em geral, mas também para o principal acionista que é o governo”, comenta o professor, porque o governo vai arrecadar mais recursos via pagamentos de dividendos, e com esses recursos poderá fazer suas políticas públicas, inclusive no setor do petróleo e gás.

Mas o que a Petrobras vem fazendo em termos de política de dividendos é a tendência geral no setor de óleo e gás. Agora as empresas de petróleo vêm sendo muito penalizadas no mercado financeiro internacional, ou seja, os investidores têm preferência por empresas que têm o portfólio de energias renováveis.

Para passar segurança para esses investidores que vão comprar ações de empresas de petróleo, é importante que as empresas tenham uma maior transparência e metas claras de pagamento de dividendos: porque quem vai comprar ação de empresa de petróleo, ele olha principalmente o dividendo e não o crescimento. Enquanto quem compra a ação de uma empresa de energia renovável mira na frente um maior e rápido crescimento da empresa.

Isso é normal, e o setor de óleo e gás tem que se adaptar às escolhas dos investidores, acredita o economista.

Levando em consideração o peso da estatal no setor petrolífero, é interessante se esse novo panorama anunciado pode afetar os preços do barril do petróleo. Porém, conforme assegura o economista, o preço do barril do petróleo não depende hoje da Petrobras, que pratica os preços internacionais. A estatal não é mais a única fornecedora de combustível para o mercado brasileiro, há empresas privadas importando e vendendo combustíveis.

“Fora isso, não há muito o que a Petrobras possa fazer, ela não tem condição financeira de segurar os preços, vender aqui mais barato do que no mercado internacional.”

A expansão dos preços de combustíveis no Brasil é preocupante, admite o especialista, em parte por causa do preço do petróleo que se recuperou aí, atingiu o patamar de US$ 80 (R$ 451), mas também em parte por causa do preço do dólar no Brasil: no Brasil tem uma desvalorização cambial em 2021 muito forte e muito acima da média dos países em desenvolvimento, e isso é que está pressionando o preço da gasolina nas bombas. É uma situação preocupante para o consumidor, mas, do ponto de vista da Petrobras, não há muito que possa ser feito.

Estamos agora no “patamar de barril que é rentável, que permite às empresas terem dinheiro para voltar a investir na produção do petróleo, e isso pode sinalizar um certo equilíbrio no mercado mais adiante”.

Empresa de baixo carbono

Em conclusão, o professou notou mais uma novidade interessante sobre o novo plano anunciado, que é a descarbonização da produção do petróleo: a Petrobras busca metas na redução de emissões, que foram também apresentadas pela empresa na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 em Glasgow, no início de novembro.

Nas palavras dele, “isso coloca a Petrobras nessa economia do baixo carbono que vai mobilizar os investimentos”.

A Petrobras não é só a maior operadora off-shore do mundo, mas ela também é uma das maiores detentoras da tecnologia de captura de carbono e estocagem de carbono, e está apostando muito na sua capacidade tecnológica e de inovação para reduzir suas emissões na produção do petróleo. “Isso poderia colocar a empresa, no futuro, no espaço bastante competitivo em relação ao suprimento de petróleo com baixa pegada de carbono”, acredita.

*Com informações da Agência Sputnik Brasil.

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