Em seis estados, a cada 4 horas uma pessoa negra é morta em ações policiais

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Em seis estados, a cada 4 horas uma pessoa negra é morta em ações policiais.
Em seis estados, a cada 4 horas uma pessoa negra é morta em ações policiais.

Um estudo da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado nesta 14 de dezembro de 2021 (terça-feira), aponta que das 2.653 mortes provocadas pela polícia com informação racial 82,7% delas são pessoas negras. O último relatório do ano sobre a cor da violência policial é resultado do estudo “Pele alvo: a cor da violência policial”.

O levantamento foi realizado com base nos dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, em seis estados. Os dados são de 2020 e mostram que mesmo em um contexto de crise sanitária mundial o racismo não dá trégua, pelo contrário, mata ainda mais, tanto por vírus como por tiro.

O levantamento revela que a cada quatro horas uma pessoa negra é morta em ações policiais em seis dos sete estados monitorados pela Rede (Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco), além de que todos os mortos pela polícia em Recife, Fortaleza e Salvador eram pessoas negras.

O estado que mais mata pessoas negras é o Rio de Janeiro, com 939 registros entre os 1.092 mortos que tiveram a cor/raça informada. A Bahia é o estado que, novamente, apresenta a maior porcentagem de mortes de pessoas negras por agentes do estado, com a polícia mais letal do Nordeste.

Para Nilma Lino, coordenadora do NAPP de Igualdade Racial da Fundação Perseu Abramo (FPA) e ex-ministra da Igualdade Racial no governo Dilma, os dados revelados são “aterradores”.

“O levantamento confirma conclusões de outros estudos já realizados no Brasil sobre a ausência de segurança pública para a população negra brasileira e trazem um elemento que causa ainda mais espanto: na pandemia, negras e negros morreram mais não somente pela transmissão do vírus da Covid-19 mas, também pela bala das polícias. Que segurança pública é essa que tem como seus alvos principais aquelas e aqueles, mais assolados historicamente pelas desigualdades de toda ordem, os quais o Estado deveria cuidar e proteger?”

Nilma ressalta que “vivemos tempos de democracia em risco e de desgoverno total. Quanto mais ataques à democracia, mais fenômenos perversos como o racismo, incrustado em nossa estrutura social, se acirram. Os dados revelam a urgência não só de uma segurança pública cidadã, mas, também, de uma segurança pública cidadã e antirracista. Não dá mais para a sociedade brasileira naturalizar a violência policial que atinge a população negra”.

É a segunda vez que a Rede de Observatórios analisa os números das secretarias de segurança dos estados que monitora. A primeira edição da pesquisa aconteceu no ano passado.

 

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