Economista da UniFTC orienta como fazer o planejamento financeiro para 2022

De acordo com Federação do Comércio de São Paulo, o endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível em 11 anos como consequência do uso de crédito.
De acordo com Federação do Comércio de São Paulo, o endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível em 11 anos como consequência do uso de crédito.

Falta menos de 30 dias para chegarmos ao Ano Novo e você já fez o planejamento dos gastos para o final do ano? Se organizou financeiramente para 2022? De acordo com Federação do Comércio de São Paulo (2021), o endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível em 11 anos como consequência do uso de crédito para compensar a queda de renda.

O Mestre em Economia Regional e professor de Economia da Rede UniFTC, Isaias Matos de Santana Junior, recomenda que é importante estabelecer seus objetivos para saber utilizar o décimo terceiro de forma efetiva. Confira a seguir algumas dicas para conquistar uma boa educação financeira.

É essencial, inicialmente, se organizar negociando o pagamento das dívidas em atraso e com juros maiores, aconselha o professor. “Use o décimo terceiro para pagar as dívidas mais elevadas e efetue os pagamentos à vista dos consumos extras com passeios, viagens nas férias, compra de presentes, dentre outros. Lembre-se que usar o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial como complemento da renda pode complicar a vida financeira. Se sobrar algum dinheiro do décimo terceiro, antecipe o pagamento de parcelamentos que apresentarem boa vantagem financeira, como a redução de juros e evite entrar em novos parcelamentos, comprometendo o planejamento do ano vindouro”, destacou o economista.

Depois de pagar os compromissos, o décimo terceiro salário pode servir ainda para realizar sonhos, relembra Isaias Matos. “Considerando as prioridades no seu orçamento, defina um valor para você e separe para se presentear.  Mudar a decoração da casa, comprar uma TV nova ou trocar o celular. Conhecer aquele país ou cidade que tanto deseja pode não ser um bom momento em função da pandemia, mas caso deseje viajar escolha algo que caiba no bolso e não implique em novas dívidas parceladas”, enfatizou.

O especialista sugere que você diga adeus aos gastos desnecessários e comece a poupar dinheiro. “Tente poupar de 10% a 15% do salário. O ideal é que a pessoa economize todo mês. É essencial conhecer o máximo seu orçamento, eliminando todos os gastos supérfluos. Defina objetivos de curto (até 1 ano), médio (1 a 5 anos) e longo prazo (acima de 5 anos) para não perder o foco ao longo do caminho”, explicou.

Depois de definir seus objetivos, é hora de montar o planejamento financeiro para 2022.

Comece anotando tudo

O professor da UniFTC orienta que a melhor forma de saber exatamente quanto ganha e quanto gasta, é fazendo um histórico financeiro. “Quem é funcionário deve anotar seus gastos e receitas durante três meses. Para os autônomos e profissionais liberais, o histórico deve ser ainda maior: seis meses, por causa da variação da receita. Essa anotação pode ser em planilhas ou aplicativos de finanças pessoais”.

Use uma fórmula para limitar os gastos

  • 50% de tudo o que ganha vai para gastos essenciais: moradia, comida, saúde, transporte e educação.
  • 15% para prioridades financeiras da família.
  • 35% para manter estilo de vida: lazer, academia, cabeleireiro, restaurantes.

“Se a família estiver gastando muito mais do que 50% da renda com gastos essenciais ou muito acima de 35% para manter um estilo de vida, é hora de cortar custos. O ideal é que o valor para as prioridades financeiras seja poupado, mas, se os familiares estiverem endividados, então é preferível quitar as dívidas primeiro. Isto é um exemplo que se pode adotar, mas cada planejamento deve ser feito dentro da realidade financeira da família, aqui são apenas parâmetros”, observou o economista.

Cuidado com o cartão de crédito

O Cartão de crédito tem sido o maior vilão do endividamento. Segundo dados de 2021 do Banco Central no final de 2020, a quantidade de cartões de crédito ativos no Brasil eram de 134 milhões, os de débito eram 167 milhões e os cartões pré-pagos, 23,7 milhões.

“Se a fatura do cartão é uma surpresa todo mês, então deve tentar aposentar o cartão e pagar as compras à vista. Isso não quer dizer que o cartão seja sempre ruim. A melhor maneira de usá-lo é pagar a fatura sempre em dia, nunca usar o rotativo e concentrar as compras para obter benefícios nos programas de milhagens, por exemplo. Não aconselho a pagar conta de água, luz, e outras despesas essenciais no cartão. Essas contas devem ser pagas de uma vez”.

Troque dívidas caras por outras mais baratas

Dívidas no cheque especial e cartão de crédito são as que têm os maiores juros do mercado, ressalta o especialista. “Vale a pena trocar a dívida por outra com juros menores, como empréstimo consignado ou empréstimo pessoal. Pegue um empréstimo consignado e pague toda a dívida do cartão, por exemplo. Os juros para pagar a nova dívida serão bem menores. Uma dívida renegociada hoje não deve ter juros muito acima de 2,5% ao mês”, reforça.

Pense na aposentadoria

Um bom planejamento financeiro é aquele que você poupa para o futuro sem sacrificar o presente, conclui o economista e professor da UniFTC, Isaias Matos. “Quanto mais cedo a pessoa começa a poupar para a aposentadoria, mais tempo terá de juntar um bom patrimônio sem que isso seja um grande sacrifício. Mas quem já está perto de se aposentar sem ter juntado uma poupança deve rever seus gastos para adequá-los à receita que terá quando parar de trabalhar”

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