Admiradores de Gey Espinheira se movimentam para dar mais visibilidade à obra do sociólogo da UFBA

Admiradores do professor da UFBA Carlos Geraldo Gey D`Andrea Espinheira (1946-2009) prestam homenagem póstuma.
Admiradores do professor da UFBA Carlos Geraldo Gey D`Andrea Espinheira (1946-2009) prestam homenagem póstuma.

A Associação de Pupil@s e Encantad@s por Gey Espinheira (Apege) é uma entidade que, embora fictícia, se constitui – presume-se – de admiradores do professor da UFBA Carlos Geraldo Gey D`Andrea Espinheira (1946-2009), mais conhecido como Gey Espinheira. Esse baiano da cidade de Poções, no sudoeste baiano, que veio a se tornar um sociólogo e professor respeitado como um dos maiores defensores dos direitos humanos do país, é autor de uma vasta obra onde violência, democracia, cidadania e educação são assuntos fundamentais.

Agora, essa associação fictícia está realizando um trabalho muito real: localizar, recolher, sistematizar e divulgar em rede, seja física ou virtualmente, toda a obra e memória intelectual do sociólogo, pesquisador e professor adjunto da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, onde também  se graduou em ciências sociais (1970) e fez o mestrado (1975). O doutorado em Sociologia foi pela  Universidade de São Paulo, dois anos depois. Então, quem trabalhou com Gey Espinheira, foi seu colega, aluno ou  orientando, pode fazer parte desse esforço conjunto de admiradores no sentido de resgatar a obra do mestre e dar maior divulgação ao seu conteúdo.

Aumentar o acesso

Em inventário de fontes documentais de e sobre Gey Espinheira, apresentado pela socióloga Nadia Barreto, da Secretaria do Desenvolvimento Rural, entusiasta da ideia em curso, existem atualmente 272 obras do professor listadas. São documentos com referências completas, em diversos formatos, inclusive fotos e correspondências – nem todos disponíveis, embora possam ser localizados e consultados em bibliotecas, arquivos de jornais ou diretamente nos acervos particulares. A intenção agora é juntar todo esse acervo documental, acrescentar novos títulos e torná-lo disponível, em larga escala, para o estudo e a pesquisa dos interessados na diversidade temática do autor.

As obras levantadas deverão ser encaminhadas pelo e-mail vilmabc2020@gmail.com e ficarão sob a guarda da biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH), que já dispõe de uma parte do acervo do sociólogo e professor. Em um segundo momento, depois de digitalizadas, elas serão adicionadas ao repositório da UFBA e, em seguida, migradas para a construção do “Observatório Gey Espinheira de socio-antropologia da Bahia” (título provisório), com futura hospedagem no portal da FFCH.

Reconstruindo a memória de Gey

Para o sociólogo e professor da FFCH Antônio Câmara, a iniciativa de se buscar e organizar um site no qual será preservada a obra de Gey Espinheira “é de extrema importância cultural, pois se trata de mapear tudo o que foi escrito por Gey ou sobre ele (livros, artigos, relatórios científicos e literários). Como vimos no dia da live em sua homenagem [realizada em 29 de outubro de 2021], existe um vasto material que dá conta de sua atividade científica, de extensão e até mesmo literária”. Por outro lado, acredita Câmara, “a organização deste site poderá ser um ponto de partida para congregar, no futuro, a produção de outros docentes aposentados ou já falecidos que atuaram no curso de ciências sociais. Logo, vejo o aspecto memorialístico como importante, mas, sobretudo o resgate do conhecimento produzido por este colega”.

Para Câmara, é possível, ainda hoje, acrescentar e resgatar a presença de Gey Espinheira em entrevistas à imprensa e nos testemunhos daqueles que participaram de inúmeras atividades nas quais ele esteve presente, desde palestras para grupos profissionais e comunidades de bairro, até atividades de formação na Secretaria de Educação.

“Esse perfil público, aliás viso pelo sociólogo Gerard Leclerc como efetivamente característico do intelectual, não se confunde com o perfil do cientista ou o do especialista e vem sendo substituído por profissionais bastante qualificados, mas limitados quanto ao seu âmbito de atuação. Gey Espinheira ainda representava o intelectual na sua acepção mais plena, isso porque, para além de sua atividade profissional exercida em vários âmbitos (Estado, Universidade, assessorias etc.) encontrava-se presente nas polêmicas públicas sobre a cidade de Salvador, o meio urbano, a cultura, os usuários de droga etc”, opina Câmara.

“Logo” – acrescenta o sociólogo – “trata-se de um perfil de engajamento, diverso do militante sindical e político que, felizmente, apesar da mudança no perfil dos docentes aludido acima, ainda persiste na Universidade para defender os interesses dos docentes e da educação. No caso de Gey, tratava-se de conviver e partilhar suas inquietações com a sociedade, através de todos os meios disponíveis”, conclui.

Já a diretora da FFCH, professora Maria Hilda Paraíso, contemporânea de Gey Espinheira na graduação em sociologia, acredita que, embora multifacetado em suas atuações, o sociólogo sempre teve em todas elas a preocupação com as pessoas em situação de penúria e perigo social na Bahia.

“Sua participação em congressos e seminários é enorme, informa a professora, e com temas os mais variados: aposentadoria, democratização do Museu de Arte da Bahia, Carnaval da Bahia, educação para a cidadania, modernização do oeste baiano, planejamento de sistemas integrados de apoio aos idosos, estudos sobre a realidade dos idosos de rua, trabalho e situação de crianças de rua, Bate Coração, urbanização e muitos outros, particularmente sobre o consumo de drogas e as alternativas possíveis de recuperação dos viciados e temas correlatos. Além disso, e como fruto de suas pesquisas, encontramos referência à publicação de vários livros e artigos frutos de suas pesquisas em renomadas revistas credenciadas”, afirma a professora.

Maria Hilda lembra ainda que, como professor, Gey ministrou quase a totalidade das disciplinas da grade curricular na área de sociologia, tendo sido também chefe do departamento e orientado trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses no Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais, além de organizar seminários. Ela também ressalta a presença do sociólogo como líder do grupo pesquisa Cultura, cidade e democracia: sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos.

*Com informações da UFBA.

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