Acidentes com aviões de pequeno porte são grande maioria no Brasil

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Marília Mendonça e quatro pessoas morreram na queda de avião na zona rural de Caratinga, em Minas Gerais.
Marília Mendonça e quatro pessoas morreram na queda de avião na zona rural de Caratinga, em Minas Gerais.

A morte trágica da cantora e compositora Marília Mendonça e de outras quatro pessoas em um acidente aéreo nesta sexta-feira (05/11/2021) trouxe à tona novamente a discussão sobre o índice de incidentes envolvendo a aviação particular no país.

Além de Marília, morreram no acidente o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor da cantora, Abicieli Silveira Dias Filho, o piloto e o copiloto do avião, cujos nomes ainda não foram confirmados.

Aviões particulares – em geral, de menor porte, como o usado pelo cantora – estão envolvidos na maior parte dos acidentes de aviação no país.

Para um especialista consultado, uma série de fatores podem explicar essa diferença, como uma menor especialização de pilotos, menos manutenção em relação a grandes aeronaves e também exigências mais brandas em comparação com o que é solicitado para grandes companhias aéreas (leia mais abaixo).

Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou 1.210 acidentes com aviões, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Em média, ocorreram 121 acidentes aéreos no Brasil por ano no período, mas a maior parte deles sem grandes consequências.

De acordo com o órgão, 46% dos acidentes no período ocorreram com aviões do segmento particular. Já 20% eram com aeronaves agrícolas e 14,72%, de instrução. A aviação regular, também conhecida como comercial e que tem aeronaves de grande porte, foi responsável por 1% dos acidentes.

Segundo dados de 2019 da Anac, equipamentos particulares são maioria esmagadora no país. Naquele ano, o Brasil tinha 22.219 aeronaves registradas – 47% delas, particulares. Apenas 3% eram da aviação regular.

No período, 524 pessoas morreram em acidente aéreos no país entre 2010 e 2019 – em média, 53 vítimas por ano.

Entre as causas dos acidentes envolvendo aeronaves particulares, 44,3% do total ocorreram por “falha do motor em voo”, “perda de controle em voo” e “perda do controle em solo.”

Outras causas são apontadas pelo Cenipa são “colisão com obstáculos durante pouso ou decolagem (6,25%) e pane seca (5%).

Segundo o Cenipa, 53% das pessoas que estavam em aviões acidentados (entre passageiros, tripulantes e terceiros) saíram ilesas. Outras 17% morreram e 16% tiveram ferimentos leves. Já 8% se feriram gravemente.

Por que aviação particular tem mais acidentes

Presidente da Vinci Aeronáutica, o engenheiro aeronáutico Shailon Ian explicou que há três fatores principais que tornam os acidentes com pequenas aeronaves mais comuns: a certificação, a operação e a manutenção das aeronaves.

Segundo ele, é muito mais complexo fazer o registro de uma aeronave que leva centenas de passageiros do que uma particular, para fins agrícolas ou fotojornalismo, por exemplo. O que define um avião comercial é o peso da aeronave e a quantidade de passageiros que ela pode carregar – acima de 19 assentos.

Quanto mais pessoas, maiores são os níveis de exigência nas avaliações e fiscalizações da Anac.

“Existem níveis diferentes de requisitos em função da capacidade do avião. Quanto mais leve e menos gente a aeronave carregar, mais brandos são os requisitos. Se o uso for particular, há uma exigência, mas se o dono for fazer táxi aéreo, haverá mais requisitos porque ele vai vender serviços e transportar leigos em aviação, por exemplo”, afirmou o especialista.

O segundo ponto citado por Ian é a operação, que exige diferentes níveis de preparo e experiência do piloto, de acordo com o tamanho da aeronave. Ele explica, por exemplo, que é necessário que o piloto tenha mais especializações e uma quantidade de horas de voo muito maior para ser habilitado a pilotar aviões comerciais, com centenas de passageiros.

“Um piloto que trabalha com uma aeronave para fins agrícolas, por exemplo, não precisa de tanto treinamento e horas de voo quanto um piloto de táxi aéreo, que leva outras pessoas, ou de um Boeing com centenas de pessoas”, afirmou o presidente da Vinci Aeronáutica.

Shailon Ian explica que as exigências também são diferentes porque cada aeronave está preparada para um tipo de voo. E o piloto deve ter treinamentos e experiências diferentes para ser autorizado a pilotá-la.

“Muitos acidentes acontecem porque, muitas vezes, o piloto ou aeronave não estão preparados para aquele tipo de situação. Por exemplo, se um piloto está fazendo um voo visual e o tempo fecha. Se ele e avião não estão preparados para aquela situação, a chance de acontecer um acidente é maior. Na aviação comercial, isso não acontece porque é exigido um nível mais alto de experiência do piloto e instrumentos e tecnologia da aeronave”, afirmou.

*Felipe Souza e Leandro Machado, da BBC News Brasil.

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