O Município de Bertolínia | Por Magno Pires

Praça Nossa Senhora Aparecida, centro da cidade de Bertolínia, Piauí.
Praça Nossa Senhora Aparecida, centro da cidade de Bertolínia, Piauí.

O olhar sobre Bertolínia também é diferente. Necessariamente, pois, o acadêmico Reginaldo Miranda, um dos maiores pesquisadores da literatura piauiense, nasceu nesse município, o qual ilustra a cidade e lhe dá um grande significado cultural e científico na área da pesquisa.

Voltar os nossos olhos para essa Cidade, que se notabilizaria pelos vastos campos de plantio de soja e milho, e já seriam suficientes à sua magnitude.

Entretanto, parece que o destino achou pouco ser grande produtora de soja e regular criadora de gado; E, ex-que, surge o escritor famoso, acadêmico, advogado e pesquisador emérito para engrandecer muito mais a sua áurea no cenário piauiense e regional.

Bertolínia, está colada, é vizinha da cidade de Uruçuí – a mais relevante cidade do polo agroindustrial de Uruçuí, próxima à Indústria do Bunge, grande esmagadora de soja, e a maior indústria da região dos Cerrados piauienses.

As características culturais, sociais, agroindustriais denunciam as relevâncias do município, entre os seus polos e sua capacidade de liderança, mas é neutralizado de crescer pela ação maior de Uruçuí, que tem melhor estrutura populacional, comercial e cultural.

O livro “Bertolínia, História, Meio e Homens”, de autoria de Reginaldo Miranda, sobre o município, a sede municipal, e seus líderes, denota o seu apego às coisas e passagens do seu pretérito; ligando às gerações atuais com um estudo de fôlego e grandiosa contribuição aos estudiosos e pesquisadores da história do município relatada por quem sabe descrever e dissertar abundantemente todos os aspectos históricos, sociais, políticos e culturais da sociedade bertolinense.

Meu contacto inicial com Bertolínia aconteceu na década de 80. E foi também quando conheci o farmacêutico Antenor Rocha, respeitado na Cidade pelo vasto conhecimento na área dos fármacos e quase endeusado por ser um grande estudioso.

Agora, relata-me o colega Reginaldo Miranda, que Antenor foi prefeito de Bertolínia e era primo de seu avô.

A história passada do município é muito mais representativa e significativa. Teve representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. João Crisóstomo da Rocha Cabral e Adelmar Soares da Rocha, foram deputados federais, este último constituinte de 1946, e muito conhecido no Piauí.

A decadência política do município é relatada por Reginaldo Miranda: “é bem verdade que o município de Bertolínia, ao longo do tempo, perdeu seu peso eleitoral, estagnando-se econômica e politicamente, entretanto, pela força de seus líderes, no início do século XX, caracterizou-se como um município importante no Estado e mantinha sempre um representante no Parlamento Estadual”.

Pois, ainda de Reginaldo Miranda, “quando era simples Distrito Municipal de Jerumenha e sede da Freguesia de N. S. Aparecida, já elegeu, cerca de oito deputados: Ten. Cel. Antônio Martins da Rocha (1852-1853), Padre José Marques da Rocha (1808-1869) e Cap. Joaquim Alves da Rocha (1884-1885) todos irmãos e nascidos na Fazenda Braço, embora somente o primeiro tenha permanecido morando na Freguesia de N. S. Aparecida: Cel. Brasílio Francisco da Rocha (1854-1855), Dr. Raimundo Ribeiro Soares (1860-1861) e Major Horácio Ribeiro Soares (1878-1879), ambos irmãos; Cap. José Lino Alves e Rocha (1870-1871 e 1882-1883) e Cel. Bertolino Alves e Rocha Filho (1888-1883) e Cel. Bertolino Alves e Rocha Filho (1888-1889), ambos irmãos, dentre outros.

E alcançando Edson Martins da Rocha, por três mandatos consecutivos (1963-1967, 1967-1971 e 1971-1975) que conheci. E mais: Francisco de Sousa Martins Neto, Francisco Donato Linhares de Araújo Filho, chamado Chico Filho, este reeleito em 1998 e 2002. Nas eleições de 2006 e 2010, foi eleita Ana Paula Mendes de Araújo, irmã do ex-deputado Chico Filho, fechando a conta de quatorze bertolinenses ou filhos de Bertolínia eleitos para a Assembleia Legislativa Estadual.

É certo e correto que o município perdeu a sua áurea política, e, com certeza, não se reabilitará, porém, economicamente, com o surgimento da soja, está ressurgindo; conquanto as suas terras são de boa qualidade, planas e se prestam ao plantio de grãos.

Ademais, a proximidade com a Bunge e de Uruçuí, formando o polo agroindustrial de Uruçuí, haverá de ser uma boa alternativa econômica para os empreendedores com os projetos de soja; com Bunge e Uruçuí consolidando e fortalecendo as suas fortes aspirações no setor dos plantios de grãos”.

Evidente que os empreendedores concentram-se em Uruçuí, embora façam os seus projetos em Bertolínia, justamente porque o município não oferece as comodidades exigidas pelos empresários e negociantes.

Tem bom rebando de gado nelore e de ovinos.

Assim, Uruçuí lhe arrebata parte de suas oportunidades estratégicas de desenvolvimento econômico, social e cultural; embora a longo prazo, isso possa vir inexistir por conta do crescimento econômico futuro da entidade municipal bertolinense.

O escritor Reginaldo Miranda, membro da Academia Piauense de Letras, ex-presidente da Instituição, foi Vice-prefeito de Bertolínia e é filho do município, além de advogado, escritor e pesquisador.

Bertolínia dista 391 Km de Teresina, capital de Piauí; desmembrada de Jerumenha: Limita-se com Manoel Emídio, Eliseu Martins, Canavieira e Sebastião Leal. Criado pelo decreto estatual n° 11, de 20.1.1890 e instalada em 1890, com atualmente 130 anos de idade. Área territorial: 1.225,2 Km2; população de 5.408 habitantes; Padroeira: Nossa Senhora Aparecida.

Em princípios do século XVIII, Bernardo Gonçalves de Brito desmembrou meia légua de suas terras da fazenda Periperi (hoje Boa Esperança), doando-a ao patrimônio da Igreja.

Vários anos depois surgiram as primeiras construções em alvenaria por iniciativa do Tenente-coronel Bertolino Alves e Rocha. Em consequência, o aumento da população que, atraída pelas festas religiosas realizadas no período de 6 a 15 de agosto em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, ali se fixaram. Começava o progresso do lugar o que despertou as atenções do governo tendo sido criada a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida. Entretanto, pela lei provincial n° 502, de 7 de agosto de 1860, a paróquia foi transferida para o povoado da Manga onde era venerada Nossa Senhora da Conceição. A capela de Aparecida foi, então, incorporada à paróquia de Sto. Antônio de Jerumenha até a vigência da lei provincial n° 1053, de 7 de junho de 1882, que a restaurou.

* Magno Pires, diretor-geral do Instituto de Águas e Esgotos do Piauí– IAEPI, Ex-Secretário de Administração do Piauí, ex-presidente da Fundação CEPRO, ex-advogado da Cia Antarctica Paulista (atual AMBEV), por 32 anos consecutivos.

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