Capítulo LII do Caso Faroeste: As múltiplas conexões da investigação federal com a recente tentativa de mudança do dispositivo do regimento interno que disciplina eleição da Mesa Diretiva do TJBA

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
As possíveis múltiplas conexões da investigação federal do Caso Faroeste são reveladas no Capítulo LII.
As possíveis múltiplas conexões da investigação federal do Caso Faroeste são reveladas no Capítulo LII.

Em tese, os recentes episódios sobre a ‘exuberante faina pelo máximo poder’ no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) não estão dissociados da investigação federal em curso na qual — 8 dos 66 desembargadores do Poder Judiciário Estadual da Bahia (PJBA) — foram afastados das funções por ordem do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes, relator dos processos oriundos do Caso Faroeste, cujas decisões foram expedidas à partir de requerimentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão máximo do Ministério Público Federal (MPF), utilizando como meio de prova delações e investigações realizadas pela Polícia Federal (PF).

A insistente ‘Tentativa de pautar mudança no regimento interno do TJBA, em tese, objetiva colocar na Mesa Diretiva grupo que crie óbice às investigações do CNJ nos Casos Faroeste e Ilha do Urubu”, revelou fonte do Jornal Grande Bahia (JGB) em reportagem publicada no dia 16 de setembro de 2021.

O ataque da AMAB contra a imprensa 

Não apenas isso, em outra frente, com a finalidade de limitar notícias sobre a Operação Faroeste e corrupção no Poder Judiciário da Bahia, em tese, a Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) orientou setores retrógrados da magistratura a atacar a Liberdade de Imprensa com uso de processos judiciais que serão julgados pelos próprios membros do PJBA. 

É mister salientar que a maioria dos juízes e juízas da Bahia e do Brasil possuem elevado espírito público e agem na contraordem do que orientou a AMAB, ou seja, atuam para preservar a Liberdade de Imprensa como um valor imanente da Democracia. Isto posto, implica reafirmar que o discurso do jornalista, realizado através da imprensa, é fundamental para assegurar o pleno conhecimento dos cidadãos, fato necessário para tomada de decisões cotidianas. Ainda mais, criar óbices ou fragilizar as liberdades de profissionais e veículos de imprensa implica em frontal ataque aos elevados princípios fundamentais inscritos na Magna Carta de 1988, portanto, em grave tentativa de corromper a própria República e toda a estrutura legal que a ampara. 

Neste contexto, em 13 de janeiro de 2021, o JGB publicou a reportagem com título ‘De forma tardia, AMAB emite nota sobre supostas delações em que são citados magistrados e outros como possíveis implicados em atos de corrupção do Caso Faroeste e ataca Liberdade de Imprensa. A matéria reproduz à íntegra do comunicado, do qual se extrai o seguinte trecho: 

— Os meios de comunicação, mais precisamente alguns blogs, vivem de notícias e são responsáveis por suas publicações na esfera cível e criminal, e providências deverão ser adotadas pelos interessados, com o apoio da AMAB, que pretendem ver seus nomes afastados de nódoas e dúvidas. — Declarou Nartir Weber, presidente da AMAB, signatária do documento, em evidente ameaça à Liberdade de Imprensa. 

Os processos contra jornalistas e veículos de imprensa 

Em tese, a orientação de Nartir Weber surtiu efeito contra a imprensa. 

Mario Alberto Simões Hirs, desembargador do TJBA e vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE Bahia) — irresignado com a série de reportagens que revelaram a existência de uma investigação federal contra a pessoa dele no âmbito do Conselho Nacional Justiça (CNJ) que abordaram pagamentos de precatórios na época em que presidiu a Corte Estadual de Justiça e em recentes matérias publicadas pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto, diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB) envolvendo o Caso Ilha do Urubu — moveu ação judicial, em 26 de junho de 2021, contra o intelectual orgânico e o veículo de imprensa, através do processo nº 0093496-36.2021.8.05.0001, que tramita 7ª Varas dos Sistemas Juizados Especiais de Causas Comuns de Salvador, sob responsabilidade da juíza de Direito Substituta Maria Mercês Mattos Miranda Neves.

Nos mesmos termos da ação contra o JGB, acrescida do pedido de retirada de notícias, ou seja, requerendo censura à veículo de imprensa, foi proposta ação judicial nº 0086726-27.2021.8.05.0001 por Mário Hirs contra o site Bahia Notícias e os jornalistas Ricardo Luzbel e Samuel Celestino, fato que reafirma sórdidas táticas de métodos de Censura Togada, cuja finalidade é silenciar a imprensa contra os atos que possíveis servidores públicos, investidos da função de magistrados, praticam.

Em tese, a orientação da AMAB de atacar os fundamentos da Liberdade de Imprensa surtiu efeitos ainda mais perversos, quando observado que o processo judicial nº 0524135-40.2019.8.05.000 teve início em 2019, mas a condenação correu em 2021, após a orientação da entidade dos magistrados.

Na ação judicial nº 0524135-40.2019.8.05.0001, Classe Calúnia — de autoria da Intermarítima Portos e Logística S/A, contra o jornalista Ricardo Luzbel Silva Soares Bomfim e outro, editor do site Bahia Notícias, que tramita na 9ª Vara Criminal de Salvador — o juiz Eduardo Afonso Maia Caricchio proferiu sentença condenatória contra os jornalistas, determinado multa de R$ 40 mil e comutação da “pena privativa de liberdade por uma restritiva de direitos, a ser especificada pelo Juízo da Execução”. Fato inasfastável é que a condenação ocorre após o comunicado público da AMAB. 

A presidente da AMAB e a mudança no Regimento Interno do TJBA 

Em outra frente, a mesma juíza Nartir Weber foi responsável por encaminhar uma proposta de mudança do artigo do Regimento do TJBA que disciplina o processo eleitoral para escolha da mesa diretora do PJBA. Atualmente, apenas podem concorrer os cinco mais antigos desembargadores membros da Corte Estadual de Justiça ao cargo de presidente da instituição.

A proposta da AMAB está sendo relatada pelo desembargador Jatahy Fonseca Junior e um pedido de vista retirou o processo da pauta do Pleno Administrativo do PJBA. Mas, um jogo de pressões, aliado a questionáveis interesses, está em curso para aprovar a mudança regimental antes da eleição, prevista para novembro de 2021.

O ataque da AMAB contra as investigações federais do Caso Faroeste 

Em 7 de maio de 2020, o Jornal Grande Bahia, cumprindo o dever de informar de maneira plural sobre os fatos sociais, publicou reportagem com título ‘AMAB comenta julgamento do STJ contra desembargadores e juízes envolvidos no Caso Faroeste’. 

Uma releitura da nota da AMAB, sob o contexto dos fatos recentes, permite abstrair algumas conclusões. Quais sejam:

  1. Verifica-se que, em tese, a AMAB está preocupada em proteger possíveis magistrados criminosos envolvidos nas investigações federais do Caso Faroeste; e
  2. Verifica-se que, em tese, a AMAB não se ocupou em dizer à sociedade se instaurou e se existem procedimentos investigatórios internos com a finalidade de verificar a culpa e expulsar da entidade os possíveis servidores que violaram condutas éticas da magistratura. 

As conclusões são consentâneas com os seguintes enunciados da nota da AMAB assinada, 6 de maio de 2020, pela juíza Nartir Weber:

— Tendo em vista esses princípios, a AMAB espera que os fatos sejam devidamente apurados com imparcialidade e rapidez, a fim de permitir aos magistrados o exercício lídimo do direito de defender-se, contrapondo-se às acusações que lhes são feitas e com todas as garantias processuais.

— A Associação acompanhará os desdobramentos do caso, prestando apoio institucional aos Magistrados, na firme defesa dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.

A 1ª desembargadora do Brasil a se tornar uma delatora

Enquanto a juíza Nartir Weber parece preocupada com a eleição para presidência do TJBA e, ao que os fatos indicam, menos com as possíveis infrações éticas de magistrados associados à AMAB, o Poder Judiciário Estadual da Bahia ganhou destaque nacional ao ter homologado pelo ministro do STJ Og Fernandes a primeira delação do país apresentada por uma desembargadora. 

Pela primeira vez na história do Brasil uma magistrada de 2º Grau, a desembargadora TJBA Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, se torna delatora ao revelar como funciona o esquema criminoso no Poder Judiciário Estadual da Bahia e quais seriam os envolvidos na narrativa dela e do filho advogado Vasco Rusciolelli Azevedo, também colaborador da Justiça no Caso Faroeste.

É importante rememorar que foi a partir da delação do capo das Organizações Criminosas (ORCRIM) Júlio César Ferreira Cavalcanti, advogado (OAB Bahia nº 32.881) e ex-servidor do TJBA, notório criminoso aliciador do Sistema de Justiça, que foram deflagradas algumas das 9 fases da investigação federal sobre o PJBA e que, em 24 de março de 2020, ocorreu a 5ª fase da Operação Faroeste, investigação que levou ao indiciamento de Sandra Rusciolelli, Vasco Rusciolelli, Nelson José Vígolo e Vanderlei Chilante, estes, associados criminalmente, se tornaram delatores, portanto, criminosos confessos.

O Jornal Folha de S.Paulo e as reportagens que citam o Caso Faroeste, a desembargadora criminosa Sandra Rusciolelli e a juíza Nartir Weber

Duas reportagens publicadas pelo Jornal Folha de S.Paulo revelam como setores da magistratura se articulam para possivelmente deter as investigações do Caso Faroeste e a delação da criminosa confessa Sandra Rusciolelli. 

Em 19 de abril de 2021, José Marques e João Pedro Pitombo publicaram a reportagem com título, ‘Magistrados tentam evitar aval do STJ a delação de desembargadora do TJBA presa’, subtítulo ‘Vazamento de suposto termo de colaboração motivou ações judiciais de magistrados; Judiciário da Bahia está na mira’.

Em 19 de julho de 2021, José Marques publicou a reportagem com título, ‘Desembargadora do TJBA e filho dizem ter recebido ameaças antes e depois de delação inédita no Judiciário’, subtítulo ‘Alvo da Faroeste, Sandra Inês Rusciolelli (TJBA) teve colaboração homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O JGB destaca os seguintes trechos da reportagem da Folha de S.Paulo, de julho de 2021:

— Antes e depois de planejarem firmar a delação que implicaria em 68 nomes de magistrados, advogados, servidores públicos e empresários, a desembargadora do Tribunal da Justiça da Bahia Sandra Inês Rusciolelli e seu filho, o bacharel em direito Vasco Rusciolelli, dizem ter recebido ameaças e retaliações de pessoas e de instituições.

— Nesse período, ela recebeu alertas. Seus familiares foram procurados pela juíza Nartir Weber, presidente da Amab (Associação de Magistrados da Bahia), entidade que representa os juízes do estado –entre os representados está a própria desembargadora que propôs a delação.

— Em áudios enviados a uma pessoa da família de Sandra Inês em 2 de setembro de 2020, quando Sandra Inês ainda estava presa na Papuda, a presidente da Amab afirmava que as negativas de soltura da desembargadora advinham do desejo de que ela delatasse.

— Também afirmou se preocupava com Sandra “porque a reação dos colegas em relação a ela foi muito, muito dura”.

— “As pessoas ficaram muito chateadas, e a gente não sabe [os motivos], porque envolve muitos advogados, muita gente, é uma lista imensa, e fico até preocupada com a segurança dela”, afirmou a presidente da Amab, que disse ainda a ambas apagarem suas conversas no aplicativo de mensagens.

— À época, em nota à reportagem, juíza Nartir Weber disse que a desembargadora sempre buscou apoio da Amab e, após ser presa, seus familiares passaram a entrar em contato com ela buscando apoio institucional.

— “A preocupação externada decorreu da exposição que naturalmente ela se submeteria, externada em um contexto de naturalidade e diálogo com alguém que buscava auxílio institucional”, afirma.

— A colaboração de Sandra Inês e de Vasco tem 39 anexos ao todo.

A Lei de Organizações Criminosas

Os delatores são criminosos confessos nos termos da Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013), cujo artigo 4º prescreve que a colaboração do arrependido deve ter um ou mais dos seguintes resultados:

  • I – a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais por eles praticadas;
  • II – a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa;
  • III – a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa;
  • IV – a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela organização criminosa.

Juiz indicado pelo desembargador Mário Hirs auxilia mudanças no Regimento Interno do TJBA

Uma das garantias asseguradas pela Constituição Federal de 1988 é o sigilo da fonte. Neste aspecto, uma qualificada fonte do Jornal Grande Bahia informou algo surpreendente, se verdadeiro. O juiz Claudio Césare Braga Pereira, responsável por atuar na assessoria do TJBA no setor de Processos de Precatórios, foi indicado à função pelo desembargador Mario Hirs.

Ainda mais, diz a fonte, “o juiz Claudio Césare está atuando no assessoramento para mudança do regimento interno do TJBA que disciplina a eleição para Mesa Diretiva”.

Em 25 de agosto de 2021, durante Sessão Plenária Administrativa do TJBA, o desembargador Jatahy Fonseca Júnior, ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE Bahia), apresentou a proposta de mudança do Regimento Interno, retirando dos cinco mais antigos desembargadores do Tribunal a prerrogativa de disputar a Mesa Diretiva do PJBA e foi apoiado na iniciativa por Mário Hirs. 

O desembargador Jatahy Fonseca Júnior foi eleito desembargador eleitoral para o biênio de 2017-2019 e em 2019 foi reconduzido e eleito presidente do TRE Bahia para o biênio de 2019-2021, com o discurso da renovação e em contraposição a Mário Hirs que, derrotado, pode retornar, em 24 de março de 2021, pela terceira vez ao Tribunal Eleitoral contando com o apoio do ex-adversário.

Uma representação foi encaminhada ao CNJ contra o desembargador Mário Hirs, na qual é citado o advogado filho do desembargador Jatahy Junior. A denuncia foi formulada pelo advogado Thiago Pugliese e envolve o Caso Ilha do Urubu.

Desembargadores Mario Hirs e Telma Britto: afastados e depois absolvidos pelo CNJ no Caso dos Precatórios do TJBA

Os desembargadores Mario Hirs e Telma Britto responderam a processo disciplinar por má gestão em precatórios. A ação administrativa foi referente à Portaria nº 22 do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) do TJBA, publicada em 12 de novembro de 2013.

O julgamento do processo administrativo disciplinar de nº 0006766-45.2013.2.00.0000 foi requerido ao CNJ pelo Ministério Público Federal (MPF), com o sorteio, foi definida a relatoria do conselheiro Arnaldo Hossepian.

Mario Hirs e Telma Britto foram acusados pelo MPF de irregularidades no cálculo de precatórios. Segundo o órgão, Mário Hirs e Telma Britto não tomaram providências a fim de coibir os graves erros nos pagamentos. Conforme levantamento, foram autorizados pagamentos indevidos de R$ 448 milhões em desfavor do Estado.

Em 2013, eles foram afastados das funções pelo CNJ e retornaram, em 2014, mas o processo ainda tramitava no CNJ, sob relatoria do conselheiro Arnaldo Hossepian.

Após providencial demora, em 21 de fevereiro de 2017, o CNJ iniciou o julgamento definitivo do PAD com a finalidade de apurar responsabilidade do desembargador Mario Alberto Simões Hirs e da desembargadora Telma Laura Silva Britto, ex-presidentes do TJBA.

Relator do processo, o conselheiro Arnaldo Hossepian realizou, por cerca de 3 horas, extensa e detalhada leitura do voto. Ele considerou parcialmente procedente o processo administrativo disciplinar contra os desembargadores Mario Simões e Telma Britto, requerendo aplicação da pena de disponibilidade contra os dois magistrados, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Ou seja, a pena equivale à suspensão por um período de dois anos.

Em 30 de maio de 2017, após diversos adiamentos, o CNJ absolveu Mário Alberto Hirs e Telma Britto.

Dossiê Verdade: Juiz Josevando Andrade representa no CNJ contra desembargador do TJBA Mário Hirs, Júlio Travessa e outros

Uma outra reportagem do Jornal Grande Bahia, com título ‘Dossiê Verdade: Juiz Josevando Andrade representa no CNJ contra desembargador do TJBA Mário Hirs e outros por possível violação de princípios da administração pública e promoção de atos persecutórios’, revela a grave denúncia formulada pelo magistrado de primeiro grau, contra os juízes de segundo grau. 

Em síntese, em 14 de setembro de 2021, fontes do JGB encaminharam cópia da representação formulada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo juiz Josevando Souza Andrade contra os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) Mario Alberto Simões Hirs, Roberto Maynard Frank, Júlio Cezar Lemos Travessa, Antônio Cunha Cavalcanti e Soraya Moradillo Pinto com a finalidade de “apurar possíveis ilegalidades ocorridas em procedimentos e atos administrativos decorrente de injustas avaliações quando em julgamento de processos de habilitação à promoção do requerente ao cargo de desembargador pelo critério de merecimento, objeto dos editais nº 167/2019 e 169/2019, em flagrante violação aos princípios que norteiam a administração pública, bem como os critérios objetivos da Resolução CNJ n. 106/2010”.

— O pedido ora formulado, portanto, visa rechaçar, de uma vez por todas, no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, o apadrinhamento e outros conchavos espúrios, já que outra coisa não se pretende, senão que se atentem para o cumprimento e respeito aos princípios da administração pública. — Diz o magistrado na representação ao CNJ.

Dentre os desembargadores citados pelo juiz Josevando Andrade, ele ressalva a atuação de Soraya Moradillo Pinto, ao firmar que:

— De logo informa que a avaliação e reclamação que ora se tece em face da pontuação atribuída ao Reclamante pela desembargadora Soraya Moradillo Pinto é exclusivamente técnica, sem qualquer crítica à eventual parcialidade ou intenção deliberada em o prejudicar, sem relação com os demais Desembargadores reclamados, e será demonstrada mais adiante.

No contexto, verifica-se que o juiz Josevando Andrade afirma, textualmente, existir apadrinhamento e outros conchavos espúrios no âmbito do Tribunal de Justiça da Bahia envolvendo a atuação coordenada de desembargadores ao citar os nomes dos possíveis envolvidos.

A denúncia confirma, em tese, o que os fatos sugerem, ou seja, é possível supor que organizações criminosas ainda atuam no PJBA, mesmo com o avanço das investigações federais do Caso Faroeste, diz jurista consultado pelo JGB. 

A imprensa, voz permanentes em defesa da sociedade

Se até o momento não ficou suficiente claro sobre as implicações em agredir a República, através de ações judiciais e ameaças à jornalistas e veículos de imprensa, é redigido de forma concisa e objetiva o seguinte:

Jornalistas e veículos de imprensa noticiam fatos sobre relações de poder, nas esferas econômica, social, ambiental e política. No Caso Faroeste, é o próprio Sistema de Justiça e os criminosos que dela fazem parte e, ou que se associaram, que indicam as implicações e correlações entre os personagens e fatos desta surpreendente história de crimes.

Não obstante, é a imprensa livre, plural e democrática que assegura a depuração institucional, contribuindo para o aprimoramento da sociedade e do próprio Estado.

Tentar limitar os atos verbais de intelectuais orgânicos que atuam no sentido de revelar os fatos e contradições subjacentes nas relações sociais, ambientais e de poder político é típico de mentes frágeis, porque o processo de transformação histórica da sociedade é irrepreensível, contínuo e inafastável.

Reitera-se que tentar cercear a liberdade de informar apenas amplia a determinação em publicar novas reportagens, acrescido do acionamento de instância investigatórias e contramedidas judiciais.

Neste sentido, o cientista social e jornalista Carlos Augusto, bem como o Jornal Grande Bahia, vai acionar as instâncias de Estado para apurar tentativas deletérias de cercar liberdades e garantias inscritas na Carta Fundamental do Estado Brasileiro, em acordos internacionais dos quais o país é signatário e nos fundamentos da jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que asseguram aos profissionais e veículos de imprensa os direitos e garantias ao pleno exercício da liberdade de informação, expressão e crítica.

Próximo Capítulo

O Capítulo LIII do Caso Faroeste vai revelar, em decorrência do pedido do afastamento, quem passou a atuar em substituição ao juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio na Comarca de Formosa do Rio Preto e a decidir na Ação de Reintegração de Posse das terras da antiga Fazenda São José (Processo nº 0000157-61.1990.8.05.0081), que tem como partes José Valter Dias contra o Grupo Econômico dos Okamoto e outros. Será revelado, também, como a magistrada que o substituiu se tronou alvo da 1ª Fase da Operação Faroeste.

Baixe

Reportagem do Jornal Folha de S.Paulo: Magistrados tentam evitar aval do STJ a delação de desembargadora do TJBA presa

Reportagem do Jornal Folha de S.Paulo: Desembargadora do TJBA e filho dizem ter recebido ameaças antes e depois de delação inédita no Judiciário

Dossiê Verdade: Representação do juiz Josevando Souza Andrade contra o desembargador do TJBA Mário Hirs

Dossiê Verdade: O Caso Ilha do Urubu e as acusações contra o desembargador do TJBA Mario Hirs e o advogado Jatahy Fonseca Neto

Denúncia da PGR contra a desembargadora do TJBA Lígia Maria Ramos Cunha Lima e outros

Fim do processo de ex-presidentes do TJBA Mário Hirs e Telma Britto reforça imagem de impunidade

Reportagem do Bahia Notícias: Desembargador Júlio Travessa quer antecipar sessão para analisar mudanças de regras na eleição do TJBA

Leia +

Tentativa de pautar mudança no regimento interno do TJBA, em tese, objetiva colocar na Mesa Diretiva grupo que crie óbice às investigações do CNJ nos Casos Faroeste e Ilha do Urubu, diz fonte 

Dossiê Verdade: O Caso Ilha do Urubu e as acusações contra o desembargador do TJBA Mario Hirs e o advogado Jatahy Fonseca Neto em documentos do CNJ e da Polícia Civil da Bahia

Dossiê Verdade: Juiz Josevando Andrade representa no CNJ contra desembargador do TJBA Mário Hirs e outros por possível violação de princípios da administração pública e promoção de atos persecutórios

Exclusivo: Corregedora Nacional de Justiça determina abertura de PAD contra desembargador Mario Hirs; Caso envolve conflito de terras em Porto Seguro

Desembargador Jatahy Junior envia manifestação ao presidente do TJBA informando sobre desistência de concorrer à cargo da Mesa Diretora

Desembargadores do TJBA elegem, pela terceira vez, investigado Mário Hirs à fazer parte do colegiado do TRE Bahia, destaca reportagem de Frederico Vasconcelos no Jornal Folha de S.Paulo

CNJ: Relator do processo administrativo contra ex-presidentes do TJBA Mario Hirs e Telma Britto apresenta voto determinando suspensão por dois anos das funções

AMAB comenta julgamento do STJ contra desembargadores e juízes envolvidos no Caso Faroeste

Dossiê Verdade: O Caso Ilha do Urubu e as acusações contra o desembargador do TJBA Mario Hirs e o advogado Jatahy Fonseca Neto em documentos do CNJ e da Polícia Civil da Bahia

Capítulo XLIII do Caso Faroeste: Criminoso confesso Nelson José Vigolo ataca o TJBA; Associada da ORCRIM, Sandra Inês Rusciolelli tem estrutura da delação revelada na qual são citados dezenas de nomes

Capítulo XLIV do Caso Faroeste: A delação da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli sobre os membros da ORCRIM e os nomes do senador da República e dos presos na Operação Bandeirantes revelados pela imprensa

Capítulo XLIX do Caso Faroeste: Como e por que o mafioso Júlio César cita o nome do ex-presidente do TRE Bahia em diálogos interceptados pela PF e relatados pela PGR

Capítulo L do Caso Faroeste: Uma história de facções

Capítulo LI do Caso Faroeste: Como o Grupo Bom Jesus Agropecuária pagou R$ 1 milhão para garantir o apoio do juiz Sérgio Humberto Sampaio

Sobre Carlos Augusto 9665 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).