Caminhoneiros bloqueiam rodovias em vários estados; Ato é em apoio ao presidente Jair Bolsonaro

Cerca de 100 caminhões ocuparam ainda a Esplanada dos Ministérios, pressionando o bloqueio que dá acesso ao STF. Protestos já causam desabastecimento de combustível em algumas cidades. Em áudio, Bolsonaro agradece apoio de motoristas, mas diz que paralisações atrapalham economia e pede liberação das estradas.
Cerca de 100 caminhões ocuparam ainda a Esplanada dos Ministérios, pressionando o bloqueio que dá acesso ao STF. Protestos já causam desabastecimento de combustível em algumas cidades. Em áudio, Bolsonaro agradece apoio de motoristas, mas diz que paralisações atrapalham economia e pede liberação das estradas.

Caminhoneiros que apoiaram as manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no feriado do Sete de Setembro estão promovendo bloqueios em rodovias de vários estados do país.

Nessas estradas, os caminhoneiros impedem a passagem de carretas e liberam somente carros pequenos, veículos de emergência e de cargas perecíveis.

Segundo um boletim divulgado à 0h30 desta quinta-feira (09/09/2021) pelo Ministério da Infraestrutura, com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), havia bloqueios “com abordagem a veículos de cargas” em rodovias de 15 estados.

Os estados são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia, Maranhão, Roraima, São Paulo e Pará.

Em algumas regiões são registradas paralisações em várias rodovias e em diferentes pontos. Em Santa Catarina, por exemplo, a PRF chegou a identificar bloqueios em 22 pontos, atingindo quase todas as regiões do estado e já afetando a distribuição de combustíveis. Em São Paulo, houve registros de protestos na Anhanguera e na Via Dutra.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as manifestações são realizadas por caminhoneiros bolsonaristas ou ligados ao agronegócio e não têm o apoio formal de entidades da categoria.

Eles se manfiestam em apoio a Bolsonaro e contra o aumento dos preços dos combustíveis. Também há registros de ataques ao STF, seguindo a pauta dos protestos bolsonaristas do Sete de Setembro.

Além de ocuparem as estradas, um grupo de cerca de 100 caminhões também seguia estacionado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na quarta-feira, pressionando o bloqueio de policiais que dá acesso ao Supremo e ao Congresso.

Bolsonaro pede desbloqueio de vias

Na quarta-feira, Bolsonaro gravou uma mensagem de áudio em que agradeceu o apoio dos caminhoneiros nos protestos do Sete de Setembro e os chamou de aliados,  mas pediu que eles liberem as rodovias.

Segundo o presidente, os bloqueios atrapalham a economia, provocam desabastecimento e inflação e prejudicam a todos, especialmente os mais pobres. “Dá um toque, se possível, para liberar [as rodovias]. Pra gente seguir a normalidade”, diz Bolsonaro no áudio.

Ele afirma ainda que discussões políticas serão feitas em Brasília. “Deixa com a gente em Brasília aqui agora. Não é fácil negociar, conversar por aqui com outras autoridades, não é fácil. Mas a gente vai fazer a nossa parte aqui, vamos fazer a nossa parte aqui, tá ok?”

A veracidade da gravação foi confirmada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que também gravou um vídeo na noite de quarta pedindo aos caminhoneiros que liberem as estradas.

“Essa paralisação vai agravar efeitos na economia, inflação, vai impactar os mais pobres e mais vulneráveis. Nós já temos hoje um efeito sobre o preço dos produtos, em função da pandemia, e uma paralisação vai trazer desabastecimento”, afirmou o ministro.

“A gente sabe que há uma preocupação de todos com a melhoria da situação do país, com a resolução de problemas graves, mas não podemos tentar resolver um problema criando outro. Peço a todos que ouçam as palavras do presidente.”

Com relatos de falta de combustíveis em algumas cidades do país, aliados do presidente temem que os bloqueios provoquem efeitos econômicos generalizados e que isso prejudique o governo. Segundo o jornal O Globo, a paralisação já afeta a distribuição de produtos fabricados em unidades de grandes frigoríficos localizados em Mato Grosso e em Santa Catarina.

*Com informações do DW.

Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).