Talibã amplia controle sobre território do Afeganistão

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Avanços do Talibã ocorrem semanas após a retirada das tropas da coalizão internacional liderada pelos EUA. Grupo toma cidades de Herat e Ghazni e agora passa a controlar 11 das 34 capitais regionais do país. Avanços aumentam a pressão sobre Cabul, ameaçam retomada do processo de paz e levam à fuga de milhares de civis.
Avanços do Talibã ocorrem semanas após a retirada das tropas da coalizão internacional liderada pelos EUA. Grupo toma cidades de Herat e Ghazni e agora passa a controlar 11 das 34 capitais regionais do país. Avanços aumentam a pressão sobre Cabul, ameaçam retomada do processo de paz e levam à fuga de milhares de civis.

O Talibã continua a ganhar território no Afeganistão: somente nesta quinta-feira (12/08), o grupo tomou mais duas capitais de províncias, Herat e Ghazni. Em menos de uma semana, os islamistas passaram a controlar 11 das 34 sedes de governos regionais no país, semanas após a retirada das tropas da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Herat é a terceira maior cidade do Afeganistão e está localizada a apenas 150 quilômetros da capital, Cabul. Segundo informou a agência de notícias AFP, autoridades locais tiveram de deixar a região para evitar mais destruição.

O grupo tomou ainda a sede da polícia e afirmou no Twitter que se apropriara de dezenas de veículos militares, armamentos e munições deixadas para trás pelas forças de segurança.

Já a tomada de Ghazni, a 130 quilômetros de Cabul, pode resultar no bloqueio de uma rodovia essencial entre a capital afegã e as províncias do sul do país, que também estão ameaçadas pelas forças talibãs.

A falta de acesso a essa importante rota de ligação entre Cabul e Kandahar poderá dificultar a entrega de recursos e a movimentação das tropas do governo no sul, além de aumentarem a pressão sobre a capital.

Políticos locais confirmaram a queda da cidade para os insurgentes, mas disseram que as forças leais ao governo ainda mantêm duas bases militares próximas à cidade.

Uma autoridade local afirmou que o governador da província e o chefe de polícia firmaram um acordo com o Talibã para que pudessem deixar Ghazni após se renderem. Vídeos divulgados pelos islamistas mostram um comboio, supostamente com o governador e outras lideranças, deixando a cidade.

Mais tarde, o Ministério do Interior em Cabul informou que o governador e seus aliados foram presos por terem fechado o suposto acordo.

Aumenta pressão sobre Cabul

Apesar de Cabul não estar ameaçada pelos islamistas, a perda de Ghazni representa uma vitória significativa para o Talibã, que já controla em torno de dois terços do território afegão depois de ter sido contido por duas décadas durante a ocupação das tropas americanas e da Otan.

Segundo uma avaliação da inteligência americana, mantido o ritmo atual dos avanços dos insurgentes, Cabul poderia estar sob ameaça do Talibã dentro de 30 dias. Em poucos meses, todo o país poderia estar sob domínio do grupo.

É possível ainda que o governo afegão, em um dado momento, tenha que ordenar suas tropas a retrocederem para que seja possível defender apenas a capital e algumas poucas cidades.

Milhares de pessoas fugiram de suas casas, por temer que o Talibã promova o retorno de um regime brutal, assim como ocorreu durante os anos em que o grupo esteve no controle do país. Já surgem relatos de restrições impostas às mulheres e de assassinatos por vingança nas regiões tomadas pelos insurgentes.

Os combates se acirraram em Lashkar Gah, uma das maiores cidades do país e capital da província de Helmand, bastião do Talibã, onde as forcas do governo lutam para manter o controle da região.

Segundo relatos, a Força Aérea americana teria realizado ataques em solo afegão durante a noite. A organização de rastreamento da aviação The Cavell Group, com sede na Austrália, registrou a movimentação de bombardeiros B-52, caças F-15, drones e outras aeronaves em diferentes partes do país. O comando central da Força Aérea americana no Catar não confirmou a informação.

Tentativa de reavivar processo de paz

O avanço dos talibãs escancarou o colapso das forças afegãs após a retirada das tropas do Ocidente.

Além disso, gera novos questionamentos sobre os mais de 830 bilhões de dólares gastos pelo Departamento de Defesa dos EUA no treinamento das tropas locais, nos combates contra os islamistas e nos esforços de reconstrução do país, especialmente enquanto os islamistas utilizam os blindados Humvee, picapes e fuzis M-16 deixados pelos americanos.

O êxito dos insurgentes também põe em dúvida se eles irão retornar às negociações de paz em Doha, estagnadas há bastante tempo. Ao contrário, é provável que o Talibã tente tomar o poder à força, ou que o país se divida através de disputas de facções

O Alto Conselho para a Reconciliação Nacional do governo afegão pediu a retomada das negociações e afirmou ter enviado um plano para o Catar, sem fornecer maiores informações.

*Com informações do DW.

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Sobre Carlos Augusto 10110 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).