Senador bolsonarista fez lobby a favor da empresa Precisa, revela Jornal Folha de S.Paulo; Luis Carlos Heinze queria converter empresas de vacina para febre aftosa em imunizantes contra a covid-19

Senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) fez lobby pela produção da Covaxin em indústrias de saúde animal. Bolsonarista queria converter empresas de vacina para febre aftosa em imunizantes para a covid-19. CPI da Covid recebeu documentos que mostram atuação de Heinze para incluir Precisa no negócio.
Senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) fez lobby pela produção da Covaxin em indústrias de saúde animal. Bolsonarista queria converter empresas de vacina para febre aftosa em imunizantes para a covid-19. CPI da Covid recebeu documentos que mostram atuação de Heinze para incluir Precisa no negócio.

Luis Carlos Heinze (PP-RS), um dos senadores que apoiam o governo do extremista Jair Bolsonaro, tentou incluir empresas do setor veterinário na produção de vacinas contra a Covid-19 e atuou ativamente no caso da vacina indiana Covaxin.

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), um dos defensores do presidente Jair Bolsonaro na CPI da Covid, fez lobby para incluir empresas do setor veterinário na produção de vacinas contra a COVID-19 e atuou como intermediário de negócios que incluíram a empresa Precisa, segundo revelou a Folha de São Paulo.

A Precisa, empresa que assinou contrato de R$ 1,61 bilhão para receber imunizantes Covaxin da indiana Bharat Biotech, já vem sendo investigada pelo Senado por suspeitas de fraude e corrupção. Antes de o caso da Covaxin ser denunciado, Heinze sugeriu a atuação da Precisa em parceria com grandes indústrias do setor de medicamentos animais para produção da vacina.

O senador teria realizado ligações para a diretora da Precisa, Emanuela Medrades, nesse contexto do lobby pela produção de vacinas em indústrias veterinárias.

O embaixador brasileiro na Índia, André Aranha Corrêa do Lago, confirmou que o senador tocou no assunto com ele, comprovando com ofício do Ministério das Relações Exteriores enviado à CPI.

As empresas veterinárias citadas por Heinze estariam em negociações com a Bharat Biotech para produzir a Covaxin. E segundo o embaixador eram as mesmas dos supostos acordos de confidencialidade com a Precisa: Boehringer, Ourofino e Ceva.

A assessoria de Heinze se pronunciou afirmando que o objetivo de seu cliente ao conversar com a Precisa e com outros laboratórios e empresas de representação farmacêutica, “era o de viabilizar a produção de vacinas e permitir a imunização dos brasileiros”.

A polêmica consiste no uso de instalações destinadas à fabricação de medicamentos animais para seres humanos, que apesar de possuírem padrões de qualidade muito semelhantes, não são totalmente equivalentes em certos aspectos.

Acordos de confidencialidade

Segundo apuração da Folha, a Precisa assinou três acordos de confidencialidade para tentar viabilizar a produção de vacina para covid-19 em plantas industriais de produtos animais. Os acordos teriam sido assinados com a Boehringer Ingelhein Brasil, com a Ourofino Saúde Animal e com a Ceva Saúde Animal.

A ideia de Heinze era converter a produção de vacina para febre aftosa em vacina para covid-19, um empreendimento que pareceu improvável, desde o início, até mesmo para as pessoas ligadas à Precisa.

O celular de Emanuela Medrades, diretora da Precisa Mecidamentos, recebeu quatro chamadas do senador Luis Carlos Heinze, em 18 de abril de 2021, para falar sobre o assunto.

O lobby de Heinze também ocorreu na diplomacia brasileira, conforme revelado por documentos obtidos pela CPI da Covid. O embaixador brasileiro em Nova Deli (Índia), André Aranha Corrêa do Lago, afirmou que o parlamentar o abordou sobre o assunto, como consta em ofício do Ministério das Relações Exteriores enviado à CPI.

Lago disse que Heinze lhe comunicou que três empresas brasileiras de saúde animal estariam em tratativas com a Bharat Biotech (que produz a Covaxin) para adaptar suas plantas à produção de vacinas contra o coronavírus. De acordo com o documento, as empresas citadas pelo embaixador são as mesmas dos supostos acordos de confidencialidade com a Precisa: Boehringer, Ourofino e Ceva.

Procurado pela Folha, o parlamentar afirmou que a intenção era salvar vidas.

*Com informações da Agência Sputnik Brasil e do Yahoo Notícias.

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