Presidente do Afeganistão promete remobilizar exército para combater Talibã

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Nuvens de fumaça no céu de Kandahar (sul), após combates entre Talibã e forças afegãs (12/08/21).
Nuvens de fumaça no céu de Kandahar (sul), após combates entre Talibã e forças afegãs (12/08/21).

O presidente afegão, Ashraf Ghani, prometeu neste sábado (14/08/2021) remobilizar as Forças Armadas, enquanto o Talibã avança e se aproxima da capital Cabul, onde os moradores não escondem sua angústia pelo futuro.

“A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um e medidas sérias estão sendo tomadas para esse fim”, disse Ghani, em um discurso à nação.

Ele não fez alusão, porém, a uma possível renúncia, exigida por alguns, mas especificou que tinha iniciado “consultas” dentro do governo, com dirigentes políticos e parceiros internacionais, para encontrar “uma solução política em que a paz e a estabilidade” sejam preservadas.

“Essas consultas avançam rapidamente e o resultado será compartilhado com os nossos compatriotas muito em breve”, acrescentou.

A situação militar é crítica para o governo. Em pouco mais de uma semana, o Talibã assumiu o controle de quase todo o norte, oeste e sul do Afeganistão e chegou na periferia de Cabul. Os insurgentes estão a apenas 50 km da capital e não dão sinais de que vão diminuir o passo.

Violentos combates também ocorrem neste sábado em torno de Mazar-i-Sharif, capital da província de Balkh, onde o Exército afegão realizou novos ataques aéreos. Esse centro comercial é a única grande cidade no norte do país que o Talibã ainda não assumiu o controle.

Além de Cabul e Mazar-i-Sharif, Jalalabad (leste), Gardez e Khost (sudeste) são as únicas outras cidades importantes ainda controladas pelo governo.

Para os moradores de Cabul e as dezenas de milhares de pessoas que fugiram de suas casas nas últimas semanas para se refugiar na capital, o medo prevalece.

“Choro dia e noite quando vejo o Talibã forçando meninas a se casar com seus combatentes”, disse à AFP Muzhda, de 35 anos, uma mulher solteira que chegou à capital com suas duas irmãs depois de deixar a província de Parwan, ao norte.

“Já recusei propostas de casamento no passado (…) Se o Talibã vier e me forçar a casar com eles, vou me matar”, diz.

Balé de helicópteros

Dawood Hotak, de 28 anos, um comerciante de Cabul, também está “preocupado com o futuro” de suas irmãs mais novas e não sabe “o que vai acontecer com elas”.

“Se a situação ficar muito ruim, vamos deixar o Afeganistão novamente, como fizemos no início dos anos 1990”, afirma.

As ruas da capital seguem movimentadas, mas longas filas se formam do lado de fora dos bancos, e alguns homens disseram à AFP que começaram a deixar a barba crescer, em antecipação à chegada iminente do Talibã na cidade.

Muitos afegãos – mulheres em particular -, acostumados com a liberdade de que desfrutaram nos últimos 20 anos, temem um retorno ao poder do Talibã.

Quando governou o país entre 1996 e 2001, antes de ser expulso do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o Talibã impôs sua versão ultrarrigorosa da lei islâmica.

As mulheres eram proibidas de sair sem um acompanhante masculino e de trabalhar, e as meninas de ir à escola. Mulheres acusadas de crimes como adultério eram açoitadas e apedrejadas até a morte.

“É particularmente horrível e doloroso ver os direitos duramente conquistados de meninas e mulheres afegãs sendo retirados”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na sexta-feira.

Neste sábado, um balé de helicópteros voava no céu de Cabul, entre o aeroporto e a embaixada dos Estados Unidos, um gigantesco complexo localizado na “zona verde”, no centro da capital.

Um primeiro contingente de fuzileiros navais dos EUA chegou à capital, onde seu papel será garantir a retirada de pessoal diplomático, bem como de afegãos que trabalharam para os Estados Unidos e que temem retaliação do Talibã.

Países ocidentais organizam retirada de seus cidadãos

Os Estados Unidos pretendem retirar “milhares de pessoas por dia” e para isso o Pentágono implantará antes do fim de semana 3.000 soldados no aeroporto da capital, informou na sexta seu porta-voz, John Kirby.

A embaixada dos Estados Unidos em Cabul ordenou que sua equipe destruísse documentos confidenciais e símbolos americanos que poderiam ser usados pelo Talibã “para fins de propaganda”.

Londres anunciou a redistribuição de 600 soldados para ajudar os britânicos a partir.

Vários países – Holanda, Finlândia, Suécia, Itália e Espanha – também anunciaram na sexta-feira a redução ao mínimo de sua presença no país, bem como programas de repatriação para seus funcionários afegãos.

A Alemanha também reduzirá seu pessoal diplomático “ao mínimo absoluto”.

Outros, incluindo Noruega e Dinamarca, preferiram fechar temporariamente suas embaixadas.

A Suíça, que não tem embaixada no país, anunciou a repatriação de alguns funcionários suíços e cerca de quarenta funcionários locais. E a Itália informou hoje que está pronta para retirar seus diplomatas e cidadãos de Cabul.

O Talibã lançou sua ofensiva em maio, quando o presidente americano, Joe Biden, confirmou a saída das últimas tropas estrangeiras do país, 20 anos após sua intervenção para expulsar os insurgentes do poder.

Essa retirada deve ser concluída até 31 de agosto.

*Com informações da RFI e AFP.

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