O desequilíbrio dinâmico da Democracia | Por Joaci Góes

Péricles foi um célebre e influente estadista, orador e estratego da Grécia Antiga, um dos principais líderes democráticos de Atenas e a maior personalidade política do século V a.C. Viveu durante a Era de Ouro de Atenas — mais especificamente, durante o período entre as guerras Persas e Peloponésica.
Péricles, célebre e influente estadista, orador e estratego da Grécia Antiga, um dos principais líderes democráticos de Atenas e a maior personalidade política do século V a.C.

Ao casal amigo Suely e Elísio Moitinho dos Santos!

Até a Revolução Americana, no Século XVIII, que inaugurou o regime democrático, todos os governos, no espaço e no tempo, foram regidos pelo fascismo, sistema que de novo só tem o nome, com o batismo que recebeu na Itália, em 1919, de Benito Mussolini.

Honremos a memória de Péricles, pela adoção, no V Século a.C., de algumas práticas embrionárias do que viria a ser a democracia.

Paralelamente ao fascismo italiano, nascia, na Rússia, o terceiro e último sistema político que a história registra, o comunismo ou socialismo marxista. Todos os demais modelos de governo, mundo afora, na geografia e no tempo, são variações dessas três modalidades, das quais, a única que não conseguiu se estabilizar é o comunismo, estigmatizado pelos trágicos fracassos das magnas experiências sino-soviéticas que geraram os dois maiores genocídios de todos os tempos, comandados por Josef Stalin e Mao Tsé-Tung, respectivamente, com 59 e 68 milhões de mortes.

A terminal experiência comunista, em Cuba, avança, com passo acelerado, para converter-se ao fascismo, como aconteceu com a Rússia e a China, que de comunista só tem o discurso, para manter na escravidão um bilhão de sua população de 1,4 bilhões de habitantes, e para enganar os trouxas, mundo afora, alimentando com argumentos os comunistas caviar vocacionados para integrar a burocracia desse estado totalitário, batizada de nomenklatura, na União Soviética, e de Nova Classe, na Iugoslávia de Josip Broz Tito(1892-1980). Cuba, a exemplo da Rússia, de Putin, e da China, pós Deng Xiaoping, guardadas as proporções, já sedia interesses de número crescente de arquimilionários, associados ao governo totalitário e às forças armadas locais, modelo comum a todas as variações do fascismo, como aconteceu ao tempo da Alemanha de Hitler, Itália, com Mussolini, Espanha, com o Generalíssimo Franco, Portugal, de Salazar, Brasil, de Getúlio Vargas e Argentina, de Juan Domingo Perón. Sem falar dos casos na Escandinávia, no Leste Europeu e na litigante dupla Sérvia-Croácia.

À exceção do esbirro comunista da Coreia do Norte – financiada para fazer o jogo sujo dos interesses da China fascista-, e do moribundo socialismo cubano, todo o Planeta está dividido, na atualidade, entre governos fascistas e democráticos. Se a Argentina não se libertar, rapidamente, do populismo de esquerda que a consome, chegará ao ponto em que se encontra a Venezuela que já desistiu do socialismo e agora caminha, sem volta, na direção do fascismo, acenando para repatriar os capitais que expulsou do País, via expropriação, sem êxito, pela falta de credibilidade do despreparado sucessor de Chávez, que de Maduro só tem o sobrenome. A Venezuela já é o mais trágico palco, no Novo Mundo, dos experimentos políticos fomentados por uma elite intelectual de moralidade obscena, destituída da grandeza mínima para rever convicções fundamentalistas, proscritas pela experiência histórica.

Essa breve digressão vem a propósito do ambiente politicamente pantanoso que passou a viver o Brasil, em que predomina a mentalidade de escassez que empurra o País despenhadeiro abaixo, com base no quanto pior, melhor, enquanto o de que mais necessitamos é de uma mentalidade de abundância em que o empenho se caracteriza por ser o melhor entre os bons e melhores.

Em face dessa patologia comportamental, saudemos, a plenos pulmões a, por vezes, claudicante democracia brasileira que se mantém de pé, apesar de seu desequilíbrio dinâmico que a refrigera a cada quatro anos.

A estabilidade que desejamos e que já foi alcançada pelas democracias maduras dos países ricos do Ocidente, só será alcançada quando fizermos do acesso, pelas massas, a educação de qualidade a maior de nossas prioridades.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.

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