Lições dos Jogos Olímpicos | Por Joaci Góes

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Atletas Ana Marcela Cunha, maratona aquática Hebert Conceição, do boxe; Isaquias Queiroz, da canoagem de velocidade; e Daniel Alves, como membro da seleção de futebol ganham medalha de ouro durante os Jogos Olímpicos de Tóquio.
Atletas Ana Marcela Cunha, maratona aquática Hebert Conceição, do boxe; Isaquias Queiroz, da canoagem de velocidade; e Daniel Alves, como membro da seleção de futebol ganham medalha de ouro durante os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Ao querido amigo Coronel Anselmo, futuro deputado federal!

É imperioso refletir sobre as lições que os últimos jogos olímpicos proporcionam, ao Brasil, em geral e ao Nordeste, em particular, com destaque para a Bahia que recebeu um upgrade em sua autoestima, ultimamente tão abalada pelos recentes baixos índices de qualidade de vida. De fato, já vai longe o tempo em que nos ufanávamos de nossa exuberante baianidade, ancorada, sobretudo, nos feitos legendários de Castro Alves e Rui Barbosa, nos irmãos Mangabeira, em Pedro Calmon, Anísio Teixeira, Jorge Amado, Mestre Bimba, Dorival Caymmi, Menininha do Gantois e tantos outros!

Com 21 medalhas – 7 de ouro, 6 de prata e 8 de bronze-, o Brasil alcançou seu mais alto desempenho, ficando em 12º lugar, o mais alto entre os países da América Latina, equivalendo às conquistas, somadas, nas olimpíadas de 1980, 1984, 1988 e 1992. Tudo isso com investimentos 41% abaixo dos realizados para os jogos olímpicos de 2016, numa clara demonstração da importância da qualidade do gerenciamento na obtenção de resultados, em quaisquer atividades, como na educação, onde o Brasil vem fracassando, comparativamente aos investimentos que realiza, no ensino primário ao universitário. Sem dúvida, um progresso e tanto, a nos compensar do ambiente pantanoso que vivemos na política nacional, assim mesmo, com minúscula.

Uma simples extrapolação, dessa conquista recente, para outras áreas de atividade, aponta para realizações que rapidamente conduziriam o País a aproximar o seu desempenho de suas marcantes potencialidades, pelo aproveitamento inteligente da abundante e variada riqueza do seu vasto território, por sua grande e otimista população de 215 milhões de habitantes, a quinta mais numerosa do mundo, pela reconhecida criatividade do seu sofrido povo!  Tudo isso contrastando com poderes extremamente desiguais, com Executivo, Legislativo e Judiciário deixando muito a desejar.

A mais importante de todas as lições que os jogos olímpicos de Tóquio nos deixam reside no perfil de simplicidade da grande maioria dos atletas que nos proporcionaram momentos de elevado júbilo, como os goleadores Matheus Cunha e Malcom, na final de futebol, nascidos no Rio Grande do Norte e na Paraíba; em Ítalo Ferreira, 27 anos, nascido em Baía Formosa, município do Rio Grande do Norte, com cerca de dez mil habitantes;  na fadinha Rayssa Leal, 13 anos, de Imperatriz no Maranhão, certamente, assim nominada em homenagem à saudosa primeira dama soviética, Rayssa Gorbachev; na excepcional Rebeca Rodrigues de Andrade, ouro e prata, 22 anos, uma de sete irmãos, carioca, nascida em Guarulhos, São Paulo; e nos baianos Ana Marcela Jesus Soares da Cunha, de Salvador, 29 anos, ouro na maratona aquática de dez quilômetros, na Baía de Tóquio,  Isaquias Queiroz dos Santos, ouro na canoagem, 27 anos, de Ubaitaba, município com pouco mais de vinte mil habitantes, banhado pelo rio das Contas; Hebert Conceição, 23 anos, de Salvador, bairro de Pau de Lima, ouro no boxe; Daniel Alves, 38 anos, de Juazeiro, capitão da seleção, ouro no futebol, o mais vitorioso, entre todos os praticantes do esporte bretão, na geografia e no tempo, e Beatriz Iasmin Soares Ferreira, a Bia Ferreira, quase 29 anos, de Salvador, filha do campeão dos pesos galo e supergalo, Raimundo Oliveira Ferreira, o Sergipe, que nos deu a medalha de prata, no boxe feminino. Por um triz não levou o ouro.

Que portento não seria o nosso País se todos os brasileiros tivessem acesso a saneamento básico e a educação de qualidade! Para que esse desideratum se viabilize, basta que pratiquemos o modelo de Constituição Federal proposto pelo grande historiador cearense Capistrano de Abreu (1853-1927):

  • Artigo 1º – Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.
  • Parágrafo Único – Revogam-se as disposições em contrário.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.

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