Jogadoras da seleção afegã de futebol deixam o país

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Atletas da seleção afegã em 2011, antes de um amistoso contra uma equipe formada por funcionárias da Otan. Após complexo trabalho diplomático e logístico, atletas conseguem partir de Cabul em segurança em voo organizado pela Austrália. "Não quero perder minha vida por esse governo inaceitável", diz jogadora.
Atletas da seleção afegã em 2011, antes de um amistoso contra uma equipe formada por funcionárias da Otan. Após complexo trabalho diplomático e logístico, atletas conseguem partir de Cabul em segurança em voo organizado pela Austrália. "Não quero perder minha vida por esse governo inaceitável", diz jogadora.

As jogadoras da seleção afegã de futebol feminino alcançaram uma importante vitória nesta terça-feira (24/08/2021). Elas estavam em um grupo de mais de 75 pessoas que conseguiram deixar Cabul num voo organizado pelo governo da Austrália.

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (Fifpro) agradeceu ao governo australiano por possibilitar a retirada de jogadoras, dirigentes de equipes e familiares do Afeganistão.

“Essas jovens mulheres, que incorporam o papel de atletas e ativistas, estiveram em uma posição de perigo e, em nome de suas colegas ao redor do mundo, agradecemos à comunidade internacional por ter vindo em sua ajuda”, disse a Fifpro em comunicado.

“Somos gratos ao governo australiano por retirar um grande número de futebolistas e atletas do Afeganistão”, continuou a associação, sem fornecer um número exato de atletas.

A emissora estatal australiana ABC relatou que cerca de mil pessoas foram retiradas do Afeganistão em voos australianos, e que entre elas estavam cerca de 50 atletas do sexo feminino e seus dependentes.

A seleção afegã de futebol feminino foi criada em 2007 num país onde a prática de esporte por mulheres é vista como um ato político de desafio ao Talibã. Com a recente tomada de poder pelo grupo fundamentalista islâmico, as jogadoras foram aconselhadas a deletar das redes sociais postagens e fotos delas com a equipe a fim de evitar represálias por parte dos talibãs.

“Processo incrivelmente complexo”

Khalida Popal, ex-capitã da seleção feminina afegã que agora reside na Dinamarca, saudou a saída das atletas do país. “As jogadoras foram corajosas e fortes num momento de crise, e esperamos que tenham uma vida melhor fora do Afeganistão”, disse. “Os últimos dias foram extremamente estressantes, mas hoje conquistamos uma vitória importante.”

Popal auxiliou uma equipe de advogados e consultores da Fifpro que vinha mantendo contato intenso com autoridades de seis países, incluindo Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, para que estes colocassem as atletas e seus familiares em listas de evacuação e em voos para fora do Afeganistão.

O secretário-geral da Fifpro, Jonas Baer-Hoffmann, disse que a retirada das jogadoras – e de outros atletas afegãos – foi “um processo incrivelmente complexo”.

E muito trabalho de bastidores foi necessário. A ex-nadadora australiana Nikki Dryden, que participou de duas edições dos Jogos Olímpicos, aliou-se a um advogado para preencher os pedidos de visto para os atletas afegãos, entre eles dois atletas paralímpicos.

Em meio a temores de que a burocracia atrasaria e, consequentemente, inviabilizaria o plano, os defensores dos refugiados conseguiram a ajuda do ex-capitão da seleção australiana de futebol Craig Foster. Segundo a ABC, Foster pressionou a ministra das Relações Exteriores, Marise Payne, e o ministro dos Esportes, Richard Colbeck.

Pouco depois, os atletas afegãos obtiveram os vistos e conseguiram chegar ao aeroporto de Cabul. A Fifpro também agradeceu especificamente Foster e Dryden, entre outros, por seus esforços ininterruptos, e instou a comunidade internacional a garantir que as jogadoras recebam a ajuda de que precisam daqui para frente.

“Quero viver e voltar para ajudar minha nação”

Sob condição de anonimato, uma integrante da seleção feminina do Afeganistão confirmou à DW que ela e seus familiares estão entre os que foram retirados do país.

“Não quero perder minha vida por esse governo inaceitável”, disse ela à DW. “Quero viver e voltar para fazer algo pela minha nação, pelo meu povo, pelas minhas mulheres. Esse país precisa de seus jovens e, principalmente, de mulheres… E de mulheres que tenham educação ou queiram fazer algo por seu país”, concluiu.

*Com informações do DW.

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