Inundações na Alemanha e Bélgica foram agravadas por aquecimento global, confirma estudo

Inundações na cidade de Erftstadt, no oeste da Alemanha, em 17 de julho de 2021.
Inundações na cidade de Erftstadt, no oeste da Alemanha, em 17 de julho de 2021.

O aquecimento global aumentou a probabilidade e a intensidade das inundações que devastaram a Alemanha e a Bélgica em julho, causando mais de 200 mortes e bilhões de euros em prejuízos, segundo estudo publicado nesta terça-feira (23/08/2021).

A ocorrência de um fenômeno tão extremo nessas regiões tem sido até nove vezes mais provável devido ao aquecimento induzido pelo homem. A mudança climática também “aumentou a quantidade de chuvas durante um dia entre 3% e 19%”, de acordo com cientistas da World Weather Attribution (WWA), que reúne especialistas de vários institutos de pesquisa ao redor do mundo.

Este é o segundo estudo que aponta claramente para o papel do aquecimento nos desastres naturais, que se multiplicaram neste verão. A WWA já havia calculado que a “cúpula de calor” que sufocou o Canadá e o oeste dos Estados Unidos no final de junho teria sido “quase impossível” sem os efeitos das mudanças climáticas.

No início de agosto, os especialistas em clima da ONU (IPCC) também alertaram sobre essa situação em um relatório que apontava para um aquecimento global ainda mais rápido e forte do que o esperado, o que ameaça a humanidade com desastres “sem precedentes”.

O limite de +1,5°C, meta ideal que não deve ser ultrapassada segundo o Acordo de Paris, poderá ser alcançado por volta de 2030, ou seja, dez anos antes do previsto.

Fenômenos extremos

Os efeitos devastadores – secas, incêndios ou inundações – já estão sendo sentidos em todo o mundo. Em 14 e 15 de julho, fortes enchentes causadas por chuvas torrenciais mataram pelo menos 190 pessoas na Alemanha e 38 na Bélgica.

A Alemanha terá de destinar € 30 bilhões para a reconstrução das áreas danificadas. A catástrofe colocou a questão da emergência climática no centro do debate público algumas semanas antes das eleições decisivas para a sucessão da chanceler Angela Merkel, que ocorrerão no final de setembro.

Para os 39 cientistas internacionais reunidos no WWA, não há dúvida: “A mudança climática aumentou a probabilidade, mas também a intensidade” dos acontecimentos de julho, explicou durante uma apresentação virtual Frank Kreienkamp, do serviço meteorológico alemão que conduziu o estudo.

O episódio “quebrou facilmente os recordes de precipitações registradas historicamente” nas áreas afetadas, segundo os pesquisadores.

A multiplicação das precipitações é uma consequência do aquecimento, já que um fenômeno físico faz a umidade da atmosfera aumentar aproximadamente 7% para cada grau a mais. E, para os especialistas, os fenômenos climáticos “se tornarão cada vez mais comuns” se o aquecimento continuar.

Portanto, é “importante saber como reduzir a vulnerabilidade a esses eventos e seus impactos”, enfatizou um dos autores, Maarten van Aalst, diretor do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Porque, segundo ele, “infelizmente, as pessoas estão geralmente preparadas… mas para o desastre anterior.”

*Com informações da RFI.

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