Duda Mendonça | Por Joaci Góes

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José Eduardo Cavalcanti de Mendonça (Duda Mendonça) morre aos 77 anos.
José Eduardo Cavalcanti de Mendonça (Duda Mendonça) morre aos 77 anos.

Ao casal amigo Roberta Cayres e Paulinho do Tô-a-toa!

Duda  Mendonça aparece, com muitos corpos à frente,  como a personalidade mais marcante que a Bahia ofereceu para a formação da plêiade dos brasileiros notáveis, neste trepidante Século XXI. Algo como uma medalha de diamante, no campo da propaganda, a inspirar os conterrâneos que fizeram de nosso combalido Estado o País mais vitorioso da América do Sul, nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Registre-se que, na esteira de Duda, a Bahia aparece como  celeiro de nomes exponenciais nessa área que fascina os que dormem e despertam pensando em como empolgar o poder.

Conheci Duda nos albores de sua emergência profissional quando, fascinado pela qualidade do trabalho que realizava para a empresa  Ciplan, imobiliária de seu cunhado, Aristarcho Braga, casado com sua bela irmã primogênita, Ana Maria, convidei-o para fazer o lançamento, à Rua Marechal Floriano, no Canela,  do Edifício Mariana Góes, em homenagem à minha saudosa mãe, então em pleno gozo da saúde. Meus companheiros de trabalho reagiram contrariamente à ousada sugestão, pelo receio do risco potencial de expormos nossos planos empresariais ao conhecimento da concorrência. Terminou prevalecendo o desejo de termos do nosso lado o talento daquele jovem que aparecia inovando nas técnicas de marketing,  no setor imobiliário, e Duda aceitou o convite, por lhe parecer importante  ensejo para se afirmar no mercado como profissional autônomo, independente de parentes ou de organizações.

Estávamos em fins de 1968, e apesar de curto o tempo para o lançamento, tudo transcorreu com tamanha celeridade, precisão e originalidade que merece registro para proveito, sobretudo dos jovens, a quem o futuro se afigura como uma bruma densa e impenetrável ao avanço de sua incipiente experiência. Diferentemente da prática em voga, Duda queria cuidar de tudo, arcando com os gastos de publicidade e comissões de venda, em troca de uma comissão de 10%, até, então, percentual inédito. Combinamos os 10% desde que a venda de todos os apartamentos  se processasse dentro de um mês, a partir de quando haveria uma redução gradual, tendo como piso o percentual de 5%. No último dia para completar um mês, 85% das vendas haviam sido realizadas, quando Duda apareceu com os contratos relativos às vendas dos 15% restantes. Ele ganhou a alta comissão combinada e nós ficamos em posição de levar adiante o empreendimento, financiado inteiramente com o capital de nossos afortunados clientes. O detalhe que confere originalidade ao episódio é que os clientes que figuravam nas vendas relativas aos 15% finais eram todos funcionários da empresa de Duda, em nome de quem e com o consentimento dos quais, os requisitos foram preenchidos. Nos dias que se seguiram, aconteceram ´revendas` dos funcionários de Duda a terceiros. É verdade que alguns deles ficaram tão empolgados que  preferiram manter em seu nome a propriedade.

Ao  leitor que considerar prosaica a evocação de episódio menor, para honrar a memória de um grande homem, respondo que Duda Mendonça só chegou a ser considerado um dos maiores nomes da propaganda mundial (aquela destinada à promoção de  interesses políticos), porque teve a sabedoria de construir uma escada composta de degraus sólidos, de modo a conferir segurança e prestígio à sua vitoriosa ascensão, na contramão de gente despreparada que faz da gestão de cidades, estados e da própria Nação, cobaias de suas ambições.

Um nome para integrar o nosso Panteon, meu querido e saudoso amigo Duda Mendonça deixa como legado que se soma à sua exuberante biografia cinco filhos de seus primeiros casamentos e dois enteados do casamento com Aline, a mulher e musa que lhe deu felicidade, régua e compasso.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.

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