Presidente Jair Bolsonaro acusa inquérito do ministro do STF Alexandre de Moraes de ilegal e ameaça jogar ‘com as armas do outro lado’ em ‘antídoto fora da Constituição’

"Ainda mais um inquérito que nasce sem qualquer embasamento jurídico, não pode começar por ele [pelo Supremo Tribunal Federal]. Ele abre, apura e pune? Sem comentário. Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição", disse presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan.
Numa nova escalada na crise institucional aberta com o Judiciário, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu nesta quarta-feira (04/08/20221) à sua inclusão como investigado no inquérito do STF das fake news e disse, em tom de ameaça, que o "antídoto" para a ação não está "dentro das quatro linhas da Constituição".

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou nesta quarta-feira (04/08/2021) reagir fora dos limites da Constituição após se tornar alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai investigar seus ataques ao sistema eleitoral.

“Esse inquérito não está dentro das quatro linhas da Constituição, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”, disse Bolsonaro em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

“Meu jogo é dentro das quatro linhas, mas se começar a chegar coisas fora das quatro linhas, vou ser obrigado a agir fora das quatro linhas”, acrescentou o presidente, citando como exemplo o inquérito do STF, que chamou de “inquérito da mentira”.

O presidente fez as declarações pouco depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolher notícia-crime encaminhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Bolsonaro sobre os ataques ao sistema eleitoral e determinar a “imediata investigação em face das condutas do presidente da República”.

Em seu despacho, Moraes cita declarações de Bolsonaro contra o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, e a favor de uma manifestação popular em São Paulo, descrita por Bolsonaro como “último recado para que eles entendam o que está acontecendo”.

O ministro do STF pediu a transcrição pela Polícia Federal do vídeo da live de Bolsonaro da última quinta-feira –quando mostrou antigos vídeos desmentidos anteriormente como indícios de irregularidades das urnas eletrônicas– e a oitiva dos envolvidos na mesma na condição de testemunhas.

Bolsonaro reiteradamente tem dito que o sistema de urnas eletrônicas não é confiável, já afirmou que um eleição sem voto impresso não terá legitimidade e chegou a colocar em dúvida a realização das eleições do ano que vem.

Na transmissão desta quarta-feira, Bolsonaro voltou a denunciar supostas irregularidades no sistema de votação ao apresentar um inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018 para investigar uma tentativa de ataque hacker ao sistema do TSE naquele ano.

Bolsonaro disse que o inquérito comprovaria as fragilidades do sistema e contrariaria as afirmações do TSE sobre a segurança e inviabilidade do sistema. De acordo com o TSE, no entanto, a tentativa de invasão teria ocorrido no início de 2018, sem qualquer impacto nas eleições daquele ano.

Com base na denúncia, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, anunciou nas redes sociais que vai pedir a abertura de uma CPI das urnas eletrônicas.

“Estou preparando a peça para abrir a CPI das urnas eletrônicas com base nas graves denúncias embasadas no relatório da Polícia Federal em que através de documentos o próprio TSE admite que o sistema foi invadido pelo menos em 2018”, disse o parlamentar.

O presidente disse que iria disponibilizar na internet a íntegra do inquérito da PF na internet, no qual o próprio TSE reconheceria ter sofrido uma invasão cibernética.

*Com informações de Pedro Fonseca e de Lisandra Paraguassu da Agência Reuters.

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