Marcha das Margaridas é celebrada em audiência pública na ALBA

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Comissões de Promoção da Igualdade e dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa realizaram uma audiência pública para comemorar a Marcha das Margaridas.
Comissões de Promoção da Igualdade e dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa realizaram uma audiência pública para comemorar a Marcha das Margaridas.

As comissões de Promoção da Igualdade e dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa realizaram, nesta quarta-feira (24/08/2021), uma audiência pública para comemorar a Marcha das Margaridas, simbolizada no nome de Margarida Alves, defensora da luta das mulheres trabalhadoras rurais, das ribeirinhas que batalham por terra, assassinada em 1983.

Coordenado pelas deputadas Fátima Nunes (PT) e Olívia Santana (PC do B) – presidentes das respectivas comissões -, o evento virtual reuniu cerca de 100 pessoas, entre elas as secretárias estaduais da Promoção da Igualdade Racial (Sepir) e de Políticas para Mulheres (SPM), Fabya Reis e Julieta Palmeira, respectivamente; a secretária nacional do PT, Elisangela dos Santos Araujo; a coordenadora da Marcha das Margaridas e secretária das Mulheres do Contag, Mazé Morais; a vice-prefeita de Adustina e representante da Pastoral Rural, Vanicleide de Jesus Andrade (Loirinha); a técnica de Política para Jovens, Mulheres, Povos e Comunidades Tradicionais e representante da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Raimunda Maria dos Santos; a dirigente nacional do MST na Bahia, Lucineia Duraes do Rosário (Liu); a secretária das Mulheres PT-BA, Brena Pinto; a assessora da Fetag-BA, Nildma Ribeiro; e outros representantes de órgãos e movimentos sociais e rurais da agricultura familiar.

Dos parlamentares, além das presidentes dos colegiados, estiveram presentes Maria del Carmen (PT), Mirela Macedo (PSD) e Jurailton Santos (Republicanos).

Direito à terra

Conduzindo o encontro, Fátima Nunes exaltou a vida de Margarida Alves e o seu legado para outras mulheres em busca de direitos. “Igual a ela, em todos os recantos do Brasil, nos organizamos em movimentos sociais, sindicatos e associações, sempre na busca por melhores dias, combatendo as injustiças e discriminações, organizando uma nova Constituição que pudesse garantir o direito à terra, porque repartir a terra é repartir o pão, retirando as pessoas da dependência do coronelismo”, colocou.

A importância da Marcha das Margaridas para as mulheres do campo, da floresta e dos rios, assim como para a luta pelos direitos das mulheres da cidade também foi destacada por Olívia Santana. “Margarida Alves, uma alagoana, foi assassinada pelo latifúndio em 1983, e nós estamos aqui, o movimento social, movimento de feministas e de trabalhadoras rurais, feministas e antirracistas, para que o seu nome nunca seja esquecido”, enfatizou.

Relevância

Uma das mais importantes manifestações da democracia, simbolizando a resistência das mulheres, foi como classificou Julieta Palmeira a Marcha das Margaridas, organizada desde 2000, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). “O 12 de agosto, marcado pelo protesto pela morte de Margarida Alves, se transformou em algo muito relevante do ponto de vista da articulação, da mobilização de todos os setores para a luta pela democracia no nosso país”, salientou.

A comemoração dos ideais plantados por Margarida, que inspirou a luta das trabalhadoras rurais por seus direitos foi destacada por Fabya Reis que louvou a reverência e colocou a necessidade de “atualizar a demanda por créditos, assistência técnica, sem truculência contra os movimentos sociais, pela democracia e pela liberdade”, cobrou

Momento difícil

A indiferença do Governo Federal foi apontada pala secretária agrária do PT, Elisângela Araújo, segundo a qual se vive um momento difícil com a negação da importância do segmento. “Nós mulheres somos responsáveis pelo cuidado das nossas propriedades. Na agricultura familiar, 80% são de mulheres (censo 2017) que lidam. No entanto, somente 17% têm acesso ao espaço econômico, na comercialização dos produtos”, lamentou.

Outro entrave encontrado pelas mulheres rurais tem sido a dificuldade de acesso à documentação oficial. Segundo Lucineia Duraes do Rosário, a Liu do MST, o segmento tem vivido a violência em diversas dimensões, “entre elas a doméstica, em que a mulher do campo tem muita dificuldade de denunciar; a do estado, quando ela não consegue ser documentada e não pode acessar as políticas públicas, e a violência do latifúndio, que nos despeja e busca destruir nossas esperanças”, exemplificou.

Com relação à documentação, Olívia sugeriu às secretárias estaduais presentes, a realização de caravanas no interior da Bahia, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, Instituto Pedro Melo, entre outros órgãos, “para garantir que essas mulheres saiam da sombra, garantindo sua existência formal e legal”, indicou.

Sucateamento

Coordenadora da Marcha das Margaridas, Mazé Morais ressaltou o simbolismo do mês de agosto, quando se completa 38 anos de morte da líder rural. “A Lei Maria da Penha é resultado dessa luta”, informou Mazé, que alertou para as desigualdades intensificadas na pandemia e os índices de violência contra a mulher. “Sobretudo nesse contexto de forte ameaça à democracia e aos direitos conquistados, escancarando a política de morte do atual governo, bem como a violência que o sustenta”, frisou.

Segundo Mazé, o sucateamento e a extinção de políticas públicas e programas de apoio às trabalhadoras rurais têm trazido muitos desafios e grandes impactos para o segmento. “Somos nós mulheres, em defesa do nosso território, do trabalho produtivo, resistindo ao processo de privatização da terra, de mercantilização da natureza e seus bens comuns, contudo, falta esse reconhecimento, e essa visibilidade. Resgatar a memória de luta, de força, de coragem e ousadia de Margarida Alves nos estimula a continuar marchando”, reagiu.

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