A Terceira Via | Por Luiz Holanda 

Terceira Via é uma forma de denominar a socialdemocracia
Terceira Via é uma forma de denominar a socialdemocracia. Ela representa uma tentativa de conciliação entre direita e esquerda, pois defendia uma política econômica conservadora associada a uma política social progressista

O conceito de terceira via, entre nós, é a busca de uma candidatura à presidência da República capaz de evitar a polarização entre Lula e Bolsonaro. O primeiro está sendo criticado pela idade (bastante avançada para sustentar o peso de um governo em crise), e por ter montado o mensalão e o petróleo durante os 16 anos de governo petista.

Os dois maiores esquemas de corrupção até agora existentes no Brasil podem atrapalhar as pretensões de Lula. Já Bolsonaro é temido pelo temperamento explosivo e pelos ataques á mais alta Corte de Justiça do país: o Supremo Tribunal Federal (STF).

A terceira via, ideologicamente, é uma criação da social democracia, apoiada por alguns partidários do liberalismo social. Seu objetivo é conciliar os posicionamentos econômicos entre o socialismo democrático e o capitalismo de livre mercado, uma espécie de reconciliação entre esses sistemas. Um dos seus principais formuladores, Anthony Giddens, a considera um ramo do “centrismo radical”.

No Brasil, essa vertente ideológica, considerada de direita, é defendida pelo Centrão, mas foi aplicada pelo governo de Bill Clinton, nos Estados Unidos e no governo trabalhista do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o chamado New Labor. Esta corrente de pensamento defende um Estado em que sua interferência não seja nem máxima, como no socialismo soviético e no comunismo chinês, nem mínima, como no neoliberalismo. Sendo um projeto da social democracia, entre nós contava com o apoio de Fernando Henrique Cardoso.

Lula e Bolsonaro, juntos, concentram mais de 60% das intenções de votos entre si, dominando completamente o cenário político e o midiático. Os dois reúnem a mesma porcentagem de rejeição, considerada como os anticorpos capazes de inviabilizar suas pretensões, exigindo, por conseguinte, uma terceira via capaz de evitar um confronto entre ambos em 2022.

A maioria silenciosa acha que nada poderia ser mais danoso para o Brasil do que experimentarmos esse looping entre essas duas figuras, alternando-se no poder como se só existissem eles, aprofundando todas as crises, divisionismos e fraquezas institucionais que nos acometem ultimamente.

Segundo os experts, Bolsonaro foi eleito em 2018 em razão do estado de obnubilação de grande parte do eleitorado, provocado pelo trauma dos desmandos e da corrupção sistêmica durante os 16 anos de governo do PT, conforme as descobertas da Lava Jato. Para a maioria, o ressurgimento de Lula deu-se graças ao STF e por conta da insensibilidade de Bolsonaro no trato da Covid-19, nas acusações de corrupção no Ministério da Saúde e na destruição da Amazônia, além, é claro, do desemprego, do aumento da inflação, do custo de vida  e da falta de perspectiva para o futuro.

Outro grande problema é a quantidade de candidatos à sucessão de Bolsonaro. Já existem mais de vinte postulantes, todos se posicionando como terceira via. Ciro Gomes está tentando construir essa ponte, mas outros, como João Dória, Mandetta e agora o comentarista Datena, também estão. Ainda falta muito tempo, mas, seja quem for o candidato, se não tiver um projeto politico capaz de entusiasmar o eleitor, a terceira via torna-se inviável.

O cenário está embaralhado e sem qualquer definição sobre o nome que reúna carisma e outras qualidades capazes de conquistar a opinião pública. Para Bolsonaro, “não existe terceira via, não vai dar certo, não vai atrair a simpatia da população”. Já para Lula, “A terceira via é uma invenção dos partidos que não têm candidato. Falam em polarização, mas o que se tem, de um lado, é democracia e, do outro, é o fascismo. Quem está sem chance usa de desculpa a tal terceira via. Seria importante que todos os partidos lançassem candidatos e testassem sua força!”.

Segundo João Dória, “o sonho de Lula é disputar eleição apenas com Bolsonaro, e o sonho de Bolsonaro é disputar eleição apenas com Lula, enquanto o sonho dos brasileiros é que os dois percam a eleição. Não adianta serem contra; a melhor via vai devolver a esperança aos brasileiros”.

As próximas eleições serão marcadas pela disputa de rejeições aos principais candidatos à Presidência da República. Muitos analistas políticos e da opinião pública são indagados sobre as chances de uma terceira via no pleito de 2022. A disputa existente desde as eleições de 1994 é entre um candidato do PT e um candidato que melhor represente o antipetismo naquele momento. Já foram Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Atualmente, o único nestas condições é Jair Bolsonaro.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

Sobre Luiz Holanda 371 Artigos
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: lh3472@hotmail.com.