Tóquio abre Jogos Olímpicos com cerimônia atípica e menções à pandemia

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Brasil destoa e leva apenas quatro pessoas ao desfile, em sinal de preocupação com a pandemia. Estádio tinha arquibancadas vazias, e apresentações trouxeram mensagens de respeito à diversidade e esperança. Diferente da maioria dos países, Brasil levou número mínimo exigido pelo COI para abertura dos Jogos.
Brasil destoa e leva apenas quatro pessoas ao desfile, em sinal de preocupação com a pandemia. Estádio tinha arquibancadas vazias, e apresentações trouxeram mensagens de respeito à diversidade e esperança. Diferente da maioria dos países, Brasil levou número mínimo exigido pelo COI para abertura dos Jogos.

Com uma cerimônia de abertura atípica e enxuta, começaram nesta sexta-feira (23/07/2021) os Jogos Olímpicos de Tóquio, que estavam incialmente programados para 2020 e foram adiados devido à pandemia de covid-19.

As apresentações e discursos feitos no Estado Olímpico de Tóquio, que tinha suas arquibancadas praticamente vazias, destoaram do tom grandioso que costuma marcar as aberturas dos Jogos.

O tema da superação, usualmente ligado à quebra de recordes esportivos, apareceu associado às dificuldades enfrentadas pelo mundo durante a pandemia. Foi também realizado um minuto de silêncio em memória dos mortos pela covid-19, que já superam os 4 milhões de vítimas.

A cerimônia também trouxe elementos de respeito à diversidade e à igualdade, em contraste com escândalos que precederam o início do evento. Estes são os primeiros Jogos Olímpicos nas quais as bandeiras nacionais puderam ser carregadas em duplas de homens e mulheres, e o juramento olímpico incluiu, também de forma inédita, a defesa da igualdade e da não descriminação.

Brasil envia grupo pequeno ao desfile

A delegação brasileira, que tem 302 atletas e é a 12ª maior do evento, enviou apenas quatro pessoas ao desfile de abertura, número mínimo exigido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A decisão foi uma clara mensagem de respeito às regras de prevenção da pandemia que destoa dos discursos e práticas do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema.

A bandeira do Brasil foi conduzida pela judoca Ketleyn Quadros e pelo jogador de vôlei Bruninho. Completaram a delegação o chefe da missão e vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta, e Joyce Ardies, funcionária da entidade.

Ao enviar o número mínimo de pessoas, a delegação brasileira foi uma das menores na cerimônia, que contou com delegações consideravelmente grandes de alguns países. O ministro da Cidadania, João Roma, representou o governo na tribuna de honra.

O Brasil foi o 151º país a entrar no Estádio Olímpico, entre 206 delegações, que somam cerca de 11 mil atletas. A primeira delegação, como é praxe, foi a da Grécia, e a última, a do Japão.

Delegação japonesa foi a última a desfilar

Durante a abertura, o Estado Olímpico de Tóquio recebeu cerca de 10,5 mil pessoas, sendo 6 mil integrantes das delegações e convidados de honra e 4,5 mil credenciados da imprensa.

Do lado de fora, alguns japoneses criticavam a realização dos Jogos em um momento de alta do número de infeções por covid-19 na capital do país, que pode evoluir para o recorde local desde o início da pandemia. Mas outros grupos também celebravam o início do evento, acompanhando a cerimônia por tablets e celulares.

A última edição dos Jogos Olímpicos em Tóquio havia sido realizada em 1964, e marcou a reinserção do país na comunidade global após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Show com drones e pira ecológica

No palco montado no centro do estádio, coreógrafos encenaram a tradição da marcenaria japonesa, e um grupo de bailarinos representou a conexão entre os indivíduos em uma dança com fios vermelhos.

Uma réplica do Monte Fuji de cerca de dez metros de altura foi construída no gramado, com a Pira Olímpica no topo e representando o sol. A pira foi acesa pela tenista Naomi Osaka, filha de pai haitiano e mãe japonesa e favorita a uma medalha de ouro nos Jogos.

A chama da Pira Olímpica é abastecida por hidrogênio, cuja combustão é ecologicamente correta e gera como resíduo apenas vapor de água. Já os anéis olímpicos levados ao palco foram construídos com madeira de árvores que haviam sido plantadas por atletas da Olimpíada de 1964.

Um dos pontos de maior emoção da cerimônia foi uma coreografia de 1.824 drones com luzes de LED, que sobrevoaram o estádio formando o símbolo dos Jogos de Tóquio e, depois, o planeta Terra.

“Momento de esperança”

O imperador Naruhito, que estava no estádio, fez a declaração de abertura dos Jogos, seguida da explosão de fogos de artifício. Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, ressaltou em seu discurso que via o início da competição como “um momento de esperança”.

“Sim, é muito diferente do que todos nós tínhamos imaginado. Mas vamos valorizar este momento porque finalmente estamos todos aqui juntos: os atletas de 205 Comitês Olímpicos Nacionais e a Equipe Olímpica de Refugiados do COI, vivendo sob o mesmo teto juntos na Vila Olímpica. Este é o poder unificador do esporte. Esta é a mensagem de solidariedade, a mensagem de paz e a mensagem de resiliência. Isso dá a todos nós esperança para nossa jornada futura juntos”, afirmou Bach.

Todos os participantes dos Jogos devem obedecer a regras para reduzir o risco de disseminação da covid-19. Os atletas devem usar máscara quando não estiverem treinando ou competindo, farão testes diários, terão temperatura monitorada e devem deixar o Japão em até 48 horas após o fim da competição ou da sua eliminação.

*Com informações do Deutsche Welle.

Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, com a tenista Naomi Osaka acendendo a Pira Olímpica.
Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, com a tenista Naomi Osaka acendendo a Pira Olímpica.
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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).