Seu Gilberto, muito obrigado Gil: parabéns por sua existência | Por Ivandilson Miranda Silva

Gilberto Gil em cena do show Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, gravado no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, em maio de 2012.
Gilberto Gil em cena do show Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, gravado no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, em maio de 2012.

Gilberto Passos Gil Moreira, nascido em 26 de junho de 1942, na cidade de Salvador, Bahia, completa 79 anos de idade. Gil tem várias faces criativas e cívicas, (cantor, compositor, vereador, ministro) um grande mestre e para muitos um “orixá” das artes, uma entidade da cultura que nos presenteia com sua belíssima obra e sua “paz” que “invadiu” nossos corações.

Seu Gilberto vem de uma Bahia de Caetano, Maria Bethânia, Tom Zé, Gal, Capinam, OS TROPICALISTAS que são fundamentais para entendermos o movimento da cultura nos anos de 1960, quando nosso país mergulhava na trágica Ditadura Civil-Militar de 1964-85. Gil é cria de Caymmi, de João Gilberto, de Assi Valente, de Gonzagão, Jackson do Pandeiro, da música que começa a se consolidar na Bahia e no Nordeste do Brasil.

Gil encarna todos e todas da nossa potente produção cultural e se torna referência para outros artistas e movimentos como Novos Baianos, as bandas de reggae no país, a exemplo de Cidade Negra e Natiruts, cantores e compositores de forró como Targino Gondim, músicos como Carlinhos Brown, Céu, Jorge Vercílio, Banda BaianaSystem e muitos outros artistas exemplificam ainda mais a influência de Gil na formação da nossa música popular brasileira.

 Seu Gilberto é símbolo de um Brasil que respira crítica e criatividade, que grita é “Proibido, proibir”, de um povo louco “por ti América”, que não vive a “ilusão de que ser homem bastaria”, que anda “com fé”, que fala que “toda menina baiana tem um jeito que Deus dá”, que pensam em transformar “as velhas formas do viver”, e mostram que o mundo é “tão desigual, tudo é tão desigual”.

Num tom profético, Gil nos alerta para o momento político atual com a seguinte provocação: “Não se iludam, não me iludo, tudo agora mesmo, pode estar por um segundo…”  e segue numa parceria com Caetano Veloso, afirmando: “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”.  Com luta “tudo, tudo, tudo vai dar pé”.

Obrigado seu Gilberto pelo conjunto da sua obra, por sua “baianidade nagô”, pelo que o senhor representa para a cultura desse país. Obrigado por mandar “descer pra ver Filhos de Gandhi”, por subir “nesse palco”, por mostrar que “o amor da gente é como um grão”, “por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado, lá do interior do mato”. Mas saiba seu Gilberto que “pessoas até muito mais vão lhe amar”, por tudo que o senhor fez e continua fazendo.

Obrigado grande mestre, as homenagens são justas e merecidas. Salve Gilberto Gil, “aquele abraço”.

*Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Professor Faculdade de Ciência da Bahia (FACIBA) e de Humanidades na UNIME – SALVADOR.

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