Representantes dos Poderes reagem a ameaça do governo do extremista Jair Bolsonaro à eleição de 2022

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"Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia", afirmou ministro Roberto Barroso, presidente do TSE.
"Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia", afirmou ministro Roberto Barroso, presidente do TSE.

Representantes dos três Poderes reagiram nesta quinta-feira (22/07/2021) a uma ameaça supostamente feita pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Ele teria dito que o Brasil não teria eleições em 2022 caso não fosse aprovada pela Câmara a chamada proposta do voto impresso auditável – defendida insistentemente pelo presidente Jair Bolsonaro.

A ameaça foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta. Segundo a reportagem, Braga Netto usou um interlocutor político para enviar um recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), condicionando a realização do pleito presidencial à aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o voto impresso.

Braga Netto negou que tenha feito a ameaça, classificou a reportagem de “invenção” e afirmou que que “as Forças Armadas atuam sempre e sempre atuarão dentro dos limites previstos na Constituição”.

Em nota, o ministro afirmou, no entanto, que a “discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima, defendida pelo governo federal, e está sendo analisada pelo parlamento brasileiro, a quem compete decidir sobre o tema”.

“É lógico que vai ter eleição”

O voto impresso é uma das principais bandeiras atuais de Bolsonaro e seus aliados. O presidente já afirmou diversas vezes, sem apresentar provas, que o sistema eleitoral brasileiro é vulnerável e que houve fraude nas eleições anteriores. E sinalizou que poderia não aceitar o resultado em 2022 se não fosse adotado o voto impresso – ao qual ele se refere como auditável, apesar de a urna eletrônica já ser auditável, como garante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 8 de julho, mesmo dia em que, segundo o Estado de S.Paulo, Braga Netto teria feito a ameaça, o presidente afirmou: “Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições.”

Questionado se haveria eleições mesmo sem a aprovação da proposta do voto impresso, o vice-presidente Hamilton Mourão contestou Bolsonaro nesta quinta. “É lógico que vai ter eleição. Quem é que vai proibir eleição no Brasil? Por favor, gente. Nós não somos república de banana.”

Lira, por sua vez, negou ter sido ameaçado por Braga Netto. “A despeito do que sai ou não na imprensa, o fato é: o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano”, tuitou o presidente da Câmara.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou no Twitter que “numa democracia não são os militares que dizem se tem e como tem eleição”, mas a Constituição Federal. “A manifestação do presidente [da Câmara, Arthur Lira] de que teremos eleições com voto popular, secreto e soberano deixa claro que no Parlamento não há eco pra nada fora da ordem democrática”, escreveu.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também assegurou que as eleições de 2022 serão realizadas. “Seja qual for o modelo, a realização de eleições periódicas, inclusive em 2022, não está em discussão. Isso é inegociável”, afirmou.

Troca de Ramos por líder do centrão é “decepção total”, afirmam militares do governo

Reportagem de Bela Megale, publicada no Jornal O Globo, revela que a decepção é total com o extremista Jair Bolsonaro. É assim que militares do governo descreveram o sentimento que impera nesta quarta-feira, 21, desde que veio à tona a informação de que o presidente Bolsonaro decidiu substituir o general Luiz Eduardo Ramos pelo senador e ícone do centrão, Ciro Nogueira (PP-PI), no comando da Casa Civil.

Esse sentimento tem sido reverberado nas redes em grupos de militares. Ministros do núcleo das Forças Armadas do Palácio também fazem parte dos frustrados com a mudança. Apesar disso, não deram nenhum sinal de que vão se rebelar contra a medida. Ao contrário.

Publicamente, Ramos diz que já está em contato com seu sucessor e que nada mudará em sua relação com o presidente, embora, nos bastidores, deixe evidente a sua chateação. O ministro da Defesa, Braga Neto, foi outro que mostrou a aliados seu descontentamento com a mudança.

A famosa frase de outro militar “Se gritar, pega Centrão, não fica um, meu irmão”, cantada pelo ministro Augusto Heleno na campanha de 2018, passará bem longe do pleito de 2022.

*Com informações do DW.

"Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia", afirmou ministro Roberto Barroso, presidente do TSE.
“Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia”, afirmou ministro Roberto Barroso, presidente do TSE.
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