Maestro Lindembergue Cardoso é tema de documentário feito por aluna da Escola de Música da UFBA

Compositor, professor e regente, Lindembergue Cardoso foi um dos grandes nomes a passar pela Escola de Música da UFBA (Emus).
Compositor, professor e regente, Lindembergue Cardoso foi um dos grandes nomes a passar pela Escola de Música da UFBA (Emus).

Dois amigos que se conheceram através do amor pela música: essa é a história dos baianos Raíssa Pessoa e Gabriel Chaves, estudantes da UFBA e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), respectivamente, que lançaram, no fim do último mês, o primeiro episódio da série documental Um baiano em cada canto. Como não podia deixar de ser, os dois livramentenses apaixonados por música escolheram um conterrâneo, o maestro Lindembergue Cardoso, como peça central do primeiro episódio, disponível gratuitamente no Youtube.

Compositor, professor e regente, Lindembergue Cardoso foi um dos grandes nomes a passar pela Escola de Música da UFBA (Emus), onde se formou e lecionou. Autor de uma obra vasta e premiada, Lindembergue participava assiduamente de diversos concursos e festivais. Foi membro fundador do Grupo de Compositores da Bahia, em 1966, e atuou na fundação da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, em 1972, na função de secretário geral. Na Academia Brasileira de Música, ingressaria em 1988, ocupando a cadeira de número 33.

A importância de Lindembergue para a cena cultural brasileira é inegável, e já foi documentada diversas vezes — incluindo o memorial erigido em sua homenagem na Emus, onde atuava como vice-diretor à época de seu falecimento. Um baiano em cada canto, no entanto, traz o olhar afetuoso e de admiração de dois amantes da música, do tipo que apenas o reconhecimento em um conterrâneo é capaz de despertar.

Com 101 minutos de duração, o documentário traz o relato de amigos, familiares e estudiosos da música, abordando a trajetória pessoal e profissional do maestro, reconhecido por sua criatividade e sua atuação de vanguarda, que ultrapassaram os limites de Livramento de Nossa Senhora, sua cidade natal, e mesmo da Bahia. Participam com entrevistas nomes como Paulo Costa Lima, João Omar, Elomar FIgueira, Cristian Cardoso, Ruybergue Cardoso, Inalba Fontenelle e a víuva do maestro, Lúcia Maria Pellegrino, além de relatos in memoriam resgatados de imagens de arquivo.

Gravado e editado ao longo de 2020, o documentário é parte da disciplina “Cultura e Subjetividade na Bahia e no Brasil” e foi executado sob orientação do professor Itamar Pereira, do Curso de Cinema e Audiovisual da UESB. Como um produto realizado em meio à primeira onda da pandemia de Covid-19, as imagens com frequência marcam o seu momento no tempo: não raramente estão à vista máscaras ou potes de álcool em gel, vestígios visuais dos esforços empreendidos pela dupla de roteiristas e diretores para realizar o documentário dentro das recomendações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Tivemos diversas dificuldades”, relata Raíssa. “Como a base do documentário são as entrevistas, e não podíamos viajar para encontrar entrevistados ou realizar filmagens específicas, como no memorial da Emus, tivemos que redobrar os esforços”. O medo e o risco foram vencidos pela vontade, pela criatividade e pelo uso da tecnologia: “Boa parte dos nossos entrevistados eram, também, membros do grupo de risco. É impossível não sair de um encontro desses com peso na consciência, por isso preferimos realizar a maior parte das entrevistas utilizando plataformas como Google Meets e Whatsapp, às vezes apenas por mensagens de áudio”.

A pandemia adiou, inclusive, os planos de Raíssa e Gabriel para novos episódios da série. “Nossa ideia é produzir diversos episódios, mas temos muitas ideias que funcionam muito melhor de forma presencial, por isso, preferimos esperar”, afirma a musicista. “Nosso objetivo é homenagear grandes nomes baianos que ainda estão vivos. Ainda não temos um episódio no forno, mas temos diversas personalidades elencadas, incluindo os músicos que participaram deste episódio”.

Distribuído de forma gratuita, o documentário “Um baiano em cada canto” está disponível no canal de Youtube de Raíssa, o Oxe, Pessoa?, criado inicialmente como um arquivo de canções autorais e interpretações de outras músicas, mas que, a partir de agora, passa a abrigar também as produções realizadas em parceria com Gabriel.

Para o professor José Maurício Brandão, diretor da Escola de Música, iniciativas como a de Raíssa e Gabriel são louváveis e exemplificam o papel formador da universidade pública. “Além do conhecimento técnico e formal, a universidade é o espaço de suporte ao desenvolvimento não apenas de seus alunos, mas de toda a sociedade. Produções como este documentário são iniciativas que mantêm vivas a história e a cultura de nosso estado, evidenciando a amplitude do que se produz nesse espaço escolar. Não é à toa que a conexão do fazer artístico de Lindembergue e o de Raíssa e Gabriel perpassam universidades públicas de qualidade”.

*Com informações da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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