Brasília: Morre, aos 88 anos, diplomata Paulo Tarso Flecha de Lima; Filho de Lucia Flecha de Lima pede na Justiça que seja reconhecido como herdeiro do falecido senador ACM

Embaixador aposentado Paulo Tarso Flecha de Lima faleceu segunda-feira (12/07/2021). Ele foi secretário-geral das Relações Exteriores, chefe do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty e embaixador do Brasil em Washington, Londres e Roma.
Embaixador aposentado Paulo Tarso Flecha de Lima faleceu segunda-feira (12/07/2021). Ele foi secretário-geral das Relações Exteriores, chefe do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty e embaixador do Brasil em Washington, Londres e Roma.

O corpo do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima deve ser sepultado ainda hoje (13/07/2021) em Belo Horizonte. Ele morreu ontem (12), em Brasília, aos 88 anos, em decorrência de complicações de uma infecção urinária. Na manhã desta terça-feira, o Itamaraty realizou uma cerimônia restrita de honras fúnebres com a participação do ministro das Relações Exteriores, Carlos França.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores prestou condolências à família e aos colegas e afirmou que o embaixador defendeu os interesses do Brasil “com determinação, patriotismo e profissionalismo”.

A pasta destacou a atuação de Flecha de Lima ao projeto de modernização da diplomacia econômica e comercial do Brasil. Foi nomeado chefe do Departamento de Promoção Comercial em 1973, cargo que ocupou por mais de uma década e no qual “liderou profunda transformação das atividades de promoção comercial do Brasil no exterior”. Em 1984, foi nomeado Subsecretário-Geral de Assuntos Econômicos e Comerciais.

Flecha de Lima ingressou no Itamaraty em 1955 e, em 1985, alcançou o mais alto posto de carreira diplomática, tornando-se Secretário-Geral das Relações Exteriores. Nesse contexto, desempenhou “papel fundamental na inserção internacional do Brasil na fase final da Guerra Fria”. Também foi embaixador do Brasil em Londres (1990-1993), Washington (1993-1999) e Roma (1999-2001).

“Ao longo de sua carreira, o embaixador Paulo Tarso dedicou-se ao ideal de que a política externa pode e deve contribuir para melhorar concretamente a inserção internacional do País e a vida de todos os brasileiros. Sua coragem e criatividade marcaram todos que tiveram a oportunidade de trabalhar a seu lado”, diz a nota.

O embaixador foi casado com a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, que faleceu em 2017, com quem teve cinco filhos.

Filho ingressou com pedido de reconhecimento de paternidade do senador ACM e participação no inventário

O filho do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e da embaixatriz Lucia Flecha de Lima (†1940 — ★2017), Luiz Antônio Flecha de Lima (Tota) pede o reconhecimento de paternidade e o direito a parte da herança do senador Antônio Carlos Peixoto de Magalhães (ACM †1927 — ★2007), em ação que tramita na 14ª Vara de Família de Salvador.

Entenda o caso

Em 1974, Lucia Flecha de Lima teve um relacionamento afetivo com ACM, relatam os advogados na peça processual.

Em 1975, como resultado da relação, nasce Tota. “Como Lúcia era casada com Paulo Tarso”, a criança foi registrada “como filho do casal”.

Em junho de 2007, um mês antes de morrer, ACM, então hospitalizado, revelou à Tota que era o pai biológico dele.

Lúcia “evitava tratar do assunto com o filho, mesmo após a morte” do ex-ministro e ex-senador ACM.

Em 2017, enfrentando problemas de saúde e “como uma das últimas vontades” antes de morrer, ela admite à Tota que era filho biológico do ex-governador da Bahia.

Em junho de 2020, à pedido de Tota, Antônio Carlos Magalhães Júnior (ACM Júnior), primogênito de ACM e inventariante do espólio, concordou em fazer o exame de DNA.

De acordo com os advogados, “é certo que ACM sempre teve conhecimento da paternidade, pois sempre dedicava carinho e atenção” a Tota, desde a infância.

Paulo Tarso foi considerado um dos mais importantes diplomatas brasileiros do século XX e era amigo fraterno de ACM.

O inventário de ACM e Arlette Magalhães é avaliado em cerca de R$ 500 milhões. Os dados constam na ação judicial, iniciada em 2019.

Patrimônio do ex-governante da Bahia 

Ao longo de vida pública, ACM, além de protagonizar o debate político no Brasil, construiu um império de comunicação, a Rede Bahia, que reunia sete emissoras de televisão, todas retransmissoras da TV Globo, três de rádio, um jornal e várias outras empresas, entre elas a Construtora Santa Helena. Também mantinha relações com a empreiteira OAS, controlada pelo genro, o empresário César Mata Pires.

A participação na Rede Brasil não aparece no espólio de ACM, mas durante os primeiros anos do inventário dos bens, os interesses familiares no grupo causaram muitos conflitos e rompimentos.

Somente em 2013, Mata Pires chegou a um acordo com os irmãos de sua mulher, a filha mais velha de ACM, Tereza. O casal acabou renunciando aos direitos de Tereza na herança de R$ 500 milhões em troca de ajustes nas participações acionárias nas empresas. Essa decisão acabou abrindo caminho para a venda da participação de 30% que Mata Pires tinha na Rede Bahia para a EPTV, da família paulista Coutinho Nogueira.

Além do inventariante ACM Júnior e de Tereza, os filhos do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães, morto em 1998, têm direito à herança do senador. Agora, tudo indica, Tota também deve participar da divisão da fortuna deixada por ACM.

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