A ONU é mais que nunca necessária para promover o diálogo “entre os diferentes”, diz ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Ex-presidente do Brasil e ex-funcionário da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Fernando Henrique Cardoso (FHC) falou sobre a necessidade de mais entendimento e construção de pontes entre culturas e povos, no que ele chama de uma abordagem “civilizatória” no mundo.
Ex-presidente do Brasil e ex-funcionário da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Fernando Henrique Cardoso (FHC) falou sobre a necessidade de mais entendimento e construção de pontes entre culturas e povos, no que ele chama de uma abordagem “civilizatória” no mundo.

Com o aumento da polarização e de manifestações de racismo pelo mundo, o papel das Nações Unidas de promoção do diálogo entre povos e culturas se faz cada vez mais necessário.

Esta é a opinião de um ex-funcionário da organização e do ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso.

Fórum da Diversidade

Ele falou à ONU News, de São Paulo, sobre vários temas como reforma do Conselho de Segurança, igualdade de gênero, língua portuguesa e a democratização da informação e comunicação globais.

O ex-professor de sociologia reafirmou o papel da organização como um fórum da diversidade e do que ele chama de um “diálogo entre os diferentes”.

“E a ONU tem que ser um guarda-chuva grande, um sombrero grande porque tem que caber tudo aí dentro. A solução principal na vida da ONU é civilizatória. Você é diferente de mim e por isso temos que conversar. Não é uma conversa entre iguais é uma conversa entre os diferentes. A ONU propicia conversa entre quem não é igual. Então, nesse sentido, acho que o mais importante que ter muitos problemas, é manter a capacidade de fazer essa conversa permanente entre os que não são iguais para ver se se chega a algum entendimento.”

Chile

Neste mês quando completa 90 anos, FHC também publica um novo livro de memórias “Um intelectual na política” no qual relata sua atividade acadêmica. Durante o tempo em que esteve asilado no Chile, ele trabalhou na Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal.

Atualmente, o ex-presidente pertence ao grupo Elders, com ex-mandatários e personalidades de todo o mundo, e que foi fundado por Nelson Mandela.

Ao mencionar as negociações para a reforma do Conselho de Segurança, Fernando Henrique Cardoso disse que o órgão precisa de um novo formato, que não seja tão grande para se manter eficiente, mas que reflita a realidade do mundo atual.

Segundo ele, os problemas são grandes e a representatividade é fundamental para resolver os desafios de paz e segurança internacionais, que diferem do momento que o mundo vivia após a Segunda Guerra Mundial.

Bicentenário

O ex-presidente diz que o Brasil “já deveria estar no Conselho” com um assento permanente. Para ele, o órgão também deve criar um mecanismo não só de novas inclusões, mas de exclusões caso haja necessidade. Ele elogiou o fato de o Conselho de Segurança procurar ouvir as partes envolvidas ainda que não sejam membros do órgão.

Em janeiro, o Brasil deve assumir pela décima-primeira vez um assento rotativo no Conselho de Segurança após ser eleito com 181 votos, no início deste mês.

A atuação no Conselho vai coincidir com o aniversário de 200 anos da Independência do Brasil, em 2022.

Os outros quatro países também eleitos para o próximo biênio foram: Albânia, Gana, Gabão e Emirados Árabes Unidos.

O Conselho de Segurança tem 10 membros rotativos e cinco permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

*Com informações da ONU News.

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